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Sábado e Domingo do Mastro tem tradição legítima do Amapá no Curiaú, Favela e Laguinho

O calendário do Ciclo do Marabaixo continua a ser cumprido neste final de semana, com as homenagens e louvores à Santíssima Trindade e Divino Espírito Santo, nos bairros Laguinho, Favela e comunidade de Campina Grande, zona rural de Macapá. O calendário iniciou na semana Santa, e, após pausa, retorna com a etapa mais fervorosa e festiva para devotos e marabaixeiros. Neste sábado, 20, as famílias e grupos de marabaixo participam do ritual da derrubada dos mastros, na mata do Curiaú, a partir das 9h da manhã. O marabaixo é cultura legítima do Amapá, com base no catolicismo, onde a religiosidade e tradição se misturam.

 

O mastro é um elemento importante para a tradição do marabaixo, e envolve fé e força, de homens e mulheres, que hoje já participam do momento, antes exclusivo para homens. Os ladrões de marabaixo, dança, gengibirra, fogos e orações fazem parte do ritual, desde a hora em que os participantes chegam, até que os mastros sejam colocados nos caminhões, e continuam na confraternização conjunta,  em um balneário, também no Curiaú. Ainda no sábado, os troncos são levados para uma casa próxima dos barracões, de onde, no dia seguinte, Domingo do Mastro, são levados em festa para os barracões, e no decorrer da programação, são enfeitados, levantados e derrubados, no final do Ciclo.

 

Favela e Campina Grande

 

No bairro Santa Rita, conhecido como Favela, dois barracões pertencentes ao mesmo tronco familiar, descendentes de dona Getrudes Saturnino, festejam a Santíssima Trindade, e as cores azul e branca predominam nos  ambientes. No barracão da Dica Congó e na Campina Grande, após o mastro chegar, é guardado até iniciarem as novenas para a Santíssima, em 2 de junho. No barracão da Dona Getrudes, no sábado, a partir das 18h, tem roda de marabaixo até meia-noite. Outra particularidade da dona Gertrudes é a adaptação que tiveram que fazer, com relação ao mastro, som e fogos, por causa da urbanização próxima do barracão, e o trabalho de conscientização ambiental, com o plantio de mudas onde os mastros são retirados.

 

Laguinho

 

No também tradicional bairro do Laguinho, os festejos são para a Santíssima Trindade e Divino Espírito Santo, e além do azul, as cores vermelho e branco enfeitam os barracões da Tia Biló e do Mestre Pavão, também descendentes do mesmo pioneiro, Julião Ramos, que têm a programação dobrada para homenagear os dois símbolos da tradição do marabaixo. No Laguinho, o dia seguinte ao Sábado do Mastro, o chamado Domingo do Mastro, os marabaixeiros dos dois barracões pegam os troncos na casa onde são deixados, e levados entre cantos e dança para os barracões, onde inicia o Marabaixo do Mastro, até meia-noite.

 

No dia 24, Quarta-feira da Murta do Divino Espírito Santo, iniciam nos barracões do Laguinho seus festejos. Neste dia, às 16h, os festeiros cumprem o ritual da murta nas ruas do bairro, e fazem o Marabaixo da Murta do Divino, até o amanhecer do dia  seguinte, quando o mastro é enfeitado com os ramos de murta e levantado. No dia 25 inicia o novenário do Divino, rezado por nove dias, seguido do Baile dos Sócios. No dia 4 de junho, Domingo do Espírito Santo, tem missa café da manhã e almoço, e neste dia acontece o Encontro das Bandeiras, com os festeiros do  Laguinho e Favela, que dá início nos cinco barracões, aos festejos para a Santíssima Trindade, que só  acaba na  segunda feira, quando os mastros são levantados.

 

Após as homenagens à Santíssima Trindade, o Ciclo do Marabaixo encerra, no dia 18 de junho. O evento tradicional é realizado pelas famílias e promesseiros, e neste ano com o retorno do apoio do Governo do Estado, via Secretaria de Políticas Para Afrodescendentes (Seafro), e Prefeitura de Macapá, através da Improir.

 

Mariléia Maciel

Assessoria de Comunicação – Ciclo do Marabaixo

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