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Amazônia abrigou povos desconhecidos entre os anos de 1200 e 1500

Pesquisadores identificaram 600 geoglifos no sul da Floresta, área que acreditavam não ter sido habitada no período

RIO – Uma vasta região no sul da Floresta Amazônica, antes entendida como desabitada durante o período pré-colombiano, abrigou inúmeros povos no passado, revela estudo publicado nesta terça-feira na revista “Nature Communications”. Numa faixa que se estende por 1.800 quilômetros, ocupando uma área de 400 mil quilômetros quadrados, já foram identificados cerca de 600 geoglifos — figuras geométricas feitas no chão por humanos — de diferentes formas e tamanhos, que comprovam a ocupação permanente do terreno. E os pesquisadores acreditam que existam mais vestígios escondidos pela densa floresta: entre 1.000 e 1.500 no total, que abrigaram até 1 milhão de habitantes.

— Pensando na dimensão da área, nem é muita gente, mas até pouco tempo atrás acreditava-se que a população inteira da Amazônia no período pré-colombiano era de 1 milhão a 2 milhões — apontou o brasileiro Jonas Gregório de Souza, pesquisador do Departamento de Arqueologia da Universidade de Exeter, na Inglaterra, e coautor do estudo. — A nossa projeção é que em toda a região sul da Amazônia existam até 1.500 sítios, sendo que dois terços ainda não foram encontrados.

Geoglifos de diferentes formatos

Os geoglifos são de diferentes formatos: circulares, retangulares ou sem forma definida, com dimensões que variam entre 30 e 400 metros de diâmetro. Souza acredita que as marcas no chão são vestígios de locais rituais e de antigas tribos que ocuparam a região entre os anos 1250 e 1500, incluindo vilarejos fortificados com paliçadas. Neste último estudo, a equipe de pesquisadores liderada pelo professor José Iriarte analisa 81 desses geoglifos, com descrições de cerâmicas, restos de carvão e, o mais importante, a presença de terra preta, tipo de solo que caracteriza a ocupação de longo prazo.

As aldeias recém-descobertas eram cercadas por fossos, com profundidade entre um e três metros, com pequenos montes nas laterais, com cerca de um metro de altura. Em alguns geoglifos, as valas tinham interrupções, indicando a existência de locais de entrada e saída. Por isso, os arqueólogos acreditam que os vilarejos fossem cercados.

Com base na dimensão dos sítios arqueológicos e em relatos históricos da região, os pesquisadores estimam que as maiores tribos tinham entre 1.000 e 2.500 habitantes. Ainda não é possível identificar quais eram esses povos, mas Souza está certo que, de alguma forma, eles se comunicavam. Foram encontrados vestígios de redes de estradas conectando os vilarejos. Eram, porém, de grupos distintos, com línguas diferentes, como indica a presença de uma variedade de cerâmicas.

— Certamente estavam em contato. Tanto que desenvolveram essa arquitetura semelhante — apontou o arqueólogo.

Veja íntegra no O Globo

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