Em resposta, Irã e Rússia rejeitam qualquer novo acordo nuclear

Resultado de ásperas negociações diplomáticas entre o Irã e o Grupo em julho de 2015, o acordo de Viena parece mais fragilizado do que nunca

Teerã e Moscou rejeitaram categoricamente nesta quarta-feira (25/4) qualquer novo acordo sobre o programa nuclear iraniano, em uma resposta às declarações neste sentido feitas na terça-feira pelos presidentes dos Estados Unidos e da França.

Resultado de ásperas negociações diplomáticas entre o Irã e o Grupo 5+1 (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) em julho de 2015, o acordo de Viena parece mais fragilizado do que nunca.

O presidente americano Donald Trump e o francês Emmanuel Macron foram evasivos sobre os contornos, a abrangência e as consequências exatas das novas negociações que defenderam.

“Desejamos trabalhar sobre um novo acordo com o Irã”, afirmou Macron, evocando a possibilidade de seu colega americano cumprir sua promessa de campanha de se desfazer do texto visando impedir o Irã de se dotar da bomba atômica.

“Junto com um líder de um país europeu, eles afirmam: ‘Nós queremos decidir sobre um acordo alcançado entre sete partes’. Para que? Com que direito?”, questionou nesta quarta-feira o presidente iraniano Hassan Rohani em um discurso em Tabriz, norte do Irã.

“Com este acordo, fizemos cair as acusações e provamos que os Estados Unidos e Israel mentem sobre o Irã há décadas”, ressaltou.

Dirigindo-se a Trump sem nomeá-lo, Rohani afirmou: “Você é um homem de negócios (…). Não tem nenhuma experiência em política e nem em matéria de direito ou de acordos internacionais”.
“Sem alternativa”
O texto de 2015 prevê uma retirada progressiva e condicional das sanções internacionais impostas ao Irã em troca da garantia de que a República Islâmica não desenvolveria uma arma atômica.

A Rússia também expressou o desejo de preservar o acordo, para o qual “não há alternativa”, nas palavras do porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

“O acordo em seu estado atual é fruto dos esforços diplomáticos de muitos Estados”, disse o porta-voz, antes de completar que a pergunta é se “é possível na situação atual refazer um trabalho que tenha tanto êxito”.

O ceticismo era o mesmo em Bruxelas. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, insistiu na terça-feira que o acordo nuclear com o Irã devia ser mantido, um pacto que “está funcionando”.

“Sobre o que pode acontecer no futuro, veremos no futuro. Mas há um acordo que existe, que está funcionando e precisa ser preservado”, disse Mogherini.

Em visita a Teerã, o cineasta americano Oliver Stone se disse “particularmente chocado” de ver Macron, ao lado do presidente Donald Trump, pedir uma revisão do acordo sobre o programa nuclear iraniano. “Não pude acreditar”, lamentou o diretor, cuja mãe é francesa.

Macron, que deve falar nesta quarta diante do Congresso americano, ressaltou que não é o caso de rasgar “um acordo para ir a lugar nenhum”, mas construir “um novo acordo que seja mais amplo”.

Veja íntegra no Diário de Pernambuco

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