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15 das 16 cidades do Amapá registram doenças relacionadas à falta de saneamento básico

Com apenas 5,9% dos domicílios com coleta de esgoto, estado é o segundo mais atrasado do país em relação ao serviço. Entre 2014 e 2016, investimento por habitante correspondeu a 16% da média nacional

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em dados oficiais mostra que 15 dos 16 municípios do Amapá, o correspondente a 93,75% das cidades, registraram doenças relacionadas à falta de saneamento básico, em 2017. Os números revelam que apenas 5,9% da população têm acesso à rede de coleta de esgoto, patamar bem inferior à média nacional de pouco mais de 50%. Entre as epidemias e endemias com maior incidência estão diarreira, verminoses e dengue.

O Amapá é o segundo estado mais atrasado no país em relação à coleta de esgoto, ficando atrás apenas de Rondônia. Um dado preocupante é que somente três municípios amapaenses têm política de saneamento. Entre 2014 e 2016, apenas R$ 24 milhões foram investidos no setor e, no último ano, nenhum real foi aportado. O valor equivale a R$ 30,44 investido por habitante, ou 16% da média nacional no período.

Todos os indicadores amapaenses relacionados à área de saneamento básico estão abaixo da média nacional e, em face dos investimentos previstos, as metas de universalização dificilmente serão alcançadas em 2033, como estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). “Há uma grande demanda potencial para a ampliação dos serviços e não há dúvida que o setor privado seria um grande parceiro para melhorar o quadro estadual”, afirma a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg.

Principais números do saneamento no Amapá

Abastecimento de água35,9%
Coleta de esgoto5,9%
Tratamento do esgoto coletado85,0%
Investimentos per capita – 2014-2016 (por habitante)R$ 30,44
Municípios com Plano de Saneamento3 de 16
Municípios com ocorrências de endemias ou epidemias15 de 16
Existe participação privada no estado?Não
Em quantos municípios?
Previsão de investimentos privados  – 2017-2021

Fontes: SNIS (2018), CNI (2018), ABCON (2018) e IBGE Pesquisa de Informações Básicas Municipais 2017

Municípios com ocorrência de endemias ou epidemias

DoençaMunicípios com ocorrências
Diarreia14
Leptospirose5
Verminoses15
Cólera1
Difteria1
Dengue12
Zika1
Chikungunya1
Tifo1
Malária14
Hepatite4
Febre Amarela2
Dermatite2
Doença do aparelho respiratório6
Outras1
Sem ocorrência1 de 16

Fontes: IBGE Pesquisa de Informações Básicas Municipais 2017

PRIORIDADE – Em 7 de novembro, a CNI realizará o Seminário Saneamento 2019-2022 para discutir propostas e caminhos para o Brasil dar o necessário salto em investimentos para reduzir o atraso no setor e cumprir, o quanto antes, as metas de universalização dos serviços de água e esgoto. O evento será organizado em parceria com a Associação Brasileira das Concessionárias de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON), a Associação Brasileira das Infraestrutura e da Indústria de Base (ABDIB) e a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM).

Para as entidades, o saneamento básico precisa estar entre as prioridades do governo eleito, como agenda tanto da área de infraestrutura como de saúde pública. Nesse sentido, a ampliação de parcerias com o setor privado é fundamental para ampliar o volume de investimentos, especialmente diante das dificuldades fiscais da União e dos estados. “A experiência mostra que, nas cidades onde foram firmadas parcerias com a iniciativa privada, houve incremento relevante na cobertura e na qualidade dos serviços. Quem ganha com isso é a população”, afirma a diretora.

INVESTIMENTO MAIOR – A CNI considera que a gestão de companhias pelo setor privado levará mais investimentos, melhorará a qualidade da água e expandirá as redes de esgoto nas pequenas e médias cidades. Ao contrário do que vem sendo pregado por correntes contrárias à Medida Provisória 844/2018 de que a atuação do setor privado beneficiará somente grandes municípios, os números mostram o contrário. Atualmente, 72% das cidades brasileiras com companhias privadas têm até 50 mil habitantes.

Dados oficiais mostram que apenas 6% das companhias de água e esgoto do país são privadas. No entanto, elas atendem 9% da população nacional e são responsáveis por 20% dos investimentos no setor. “Essas diferenças no volume de investimentos são refletidas nos níveis de atendimento das localidades atendidas por prestadores de serviços privados, onde tanto o fornecimento de água como a coleta e tratamento de esgoto apresentam indicadores acima da média nacional”, destaca a diretora.

 

UNIVERSALIZAÇÃO DISTANTE – A área de saneamento básico é a mais atrasada da infraestrutura brasileira. De acordo com os dados mais atuais, apenas 51,9% da população dispõem de serviço de coleta de esgoto e menos da metade do que é produzido recebe tratamento. Segundo o estudo Saneamento Básico: Uma agenda regulatória e institucional, da CNI, para reverter esse quadro e atingir as metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), o Brasil precisa ampliar em 62% os investimentos no setor, o que significa aumentar a média anual de recursos para o setor dos atuais R$ 13,6 bilhões para R$ 21,6 bilhões.

O setor produtivo aposta no aumento da participação privada na gestão de companhias de água e esgoto como o instrumento mais viável para universalizar o saneamento básico no Brasil. Nesse sentido, é fundamental que o Poder Legislativo converta em lei a MP 844/2018, que institui o novo marco legal do saneamento no país, e aprimora as normas para o setor privado operar na área de maior déficit de atendimento da infraestrutura brasileira.

 

 

 

CONHEÇA ESTUDOS DA CNI SOBRE SANEAMENTO

Saneamento Básico: Uma agenda regulatória e institucional

Comparações internacionais: uma agenda de soluções para os desafios do saneamento

Burocracia e entraves no setor de saneamento

Saneamento: oportunidades e ações para a universalização

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