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 Em resposta a incêndios criminosos, Fundo Aceiro viabiliza brigadas e manejo do fogo no Tocantins 

Disponibilizar recursos diretamente às comunidades afetadas pelo fogo criminoso. Assim nasceu o Fundo de Combate e Prevenção aos Incêndios nos Territórios (Fundo Aceiro), lançado em 2026 pela Articulação Agro é Fogo em parceria com a Organização Não Governamental (ONG) alemã Salve a Floresta. fundo, que busca impulsionar ações de prevenção, combate e restauração, em poucos meses já viabilizou o fortalecimento de comunidades para enfrentar o período de estiagem, que nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil compreende os meses entre julho e dezembro. 

Uma das primeiras frentes de apoio teve início em maio em Nova Olinda, no Tocantins, Centro-Oeste do país, por meio do projeto “Prevenir é Viver – Proteja a Terra, Proteja a Comunidade”. Também em maio, no Tocantins, territórios em busca da reforma agrária contaram com suporte para a capacitação técnica em um curso de Brigadista Rural.  

Só neste ano, o estado do Tocantins teve mais de 316 mil hectares de sua área queimada, conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). No topo dos estados mais incendiados no Brasil neste ano, até agora, o Tocantins só está atrás do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, regiões também localizadas no Centro-Oeste brasileiro, com grande concentração de vegetação nativa do Cerrado, bioma responsável por abastecer oito das 12 principais bacias hidrográficas do país.  

Diante deste cenário, o investimento do Fundo Aceiro é um reconhecimento de que o apoio direto às comunidades é essencial, especialmente diante da ausência histórica do Estado no socorro a territórios tradicionais isolados. 

Conheça detalhes das duas ações que já estão sendo realizadas pelas comunidades. 

Prevenir é Viver 

Uma das primeiras atividades do projeto Prevenir é Viver, apoiado pelo Fundo Aceiro, foi uma reunião com moradoras e moradores dos assentamentos Remansão e Água Branca no Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STR) local, na cidade tocantinense de Nova Olinda. Na ocasião, a comunidade conheceu detalhes das ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF) e de fortalecimento das práticas agroecológicas nos territórios, visando proteger roças, quintais produtivos e áreas de extrativismo de frutos nativos, como o pequi e buriti. Com duração de seis meses, o projeto foca no conhecimento tradicional do uso do fogo ancestral para o preparo de áreas de segurança com planejamento coletivo, essencial para evitar que incêndios possam se alastrar pela região. 

Comunidade do Cerrado tocantinense em reunião para apresentação do projeto Prevenir é Viver
Fotos: Valéria dos Santos 

Conforme dados do Lasa/UFRJ, os dois assentamentos já tiveram mais de 150 hectares de sua área queimada em incêndios, prática que grileiros também usam para expulsar as famílias e se apropriar dos territórios tradicionais. 

Capacitação técnica de brigadistas rurais 

Outro investimento fundamental do Fundo Aceiro ocorreu no apoio à primeira etapa do Curso de Brigadista Rural, que atendeu às comunidades dos projetos de assentamento Nova Canaã e Muiraquitã, do município de Araguacema. O recurso foi decisivo para custear o acesso dessas comunidades rurais a uma capacitação técnica especializada que, de outra forma, seria inacessível devido à distância e aos altos custos envolvidos. O município de Araguacema já teve mais de 250 hectares queimados desde o início de 2026 até agora.  

A primeira fase da capacitação formou 20 pessoas dos dois territórios, incluindo agricultoras e agricultores familiares, apicultoras e apicultores, jovens e lideranças locais. As atividades realizadas incluíam aulas teóricas e atividades práticas de campo. A formação proporcionou à comunidade o fortalecimento de técnicas de construção e manutenção de aceiros, manejo de vegetação seca e planejamento do uso do fogo. 

Nos dias de formação durante o mês de maio, foram realizadas simulações de combate direto, garantindo que as comunidades pudessem interagir com equipamentos e agir com segurança pessoal em áreas de risco. Ao final da formação, as pessoas participantes da iniciativa foram certificadas pelas instituições responsáveis. Para além da formação, o financiamento garantiu autonomia para as comunidades, que agora contam com brigadistas voluntários capacitados para atuar na prevenção, no monitoramento e nos primeiros combates a focos de incêndio.  

“Antes da formação, já enfrentei situações de incêndio próximas às áreas de produção e às colmeias. Foi bem preocupante porque não sabíamos exatamente como agir de forma segura. Depois do curso me sinto mais preparado para prevenir e enfrentar incêndios porque aprendi técnicas corretas de combate, segurança pessoal e formas de evitar que o fogo se espalhe”, contou um apicultor da região. “Eu diria que todos deveriam participar. O conhecimento adquirido pode proteger vidas, propriedades, plantações, colmeias e o meio ambiente”, acrescentou.

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