Adaptações na agropecuária podem ajudar a reduzir gases de efeito estufa

Adaptações na prática agropecuária e nos padrões alimentares podem ajudar a reduzir quase 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Esse é o prazo para se atingir a meta do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC

Embora considerado o principal vilão do aquecimento global, o dióxido de carbono não é o único responsável por absorver parte da radiação solar e redistribuí-la na atmosfera. De fato, o CO2 representa 55% das emissões, mas há outras substâncias que têm o mesmo impacto no aumento de calor no planeta. A agropecuária é a maior fonte mundial de lançamentos dos demais gases de efeito estufa e, agora, uma pesquisa do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) mostrou que mudanças nas práticas agropecuárias e alimentares poderiam reduzi-las em até 38% até 2050. Esse é o prazo para o mundo atingir a meta do Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura média a 2ºC e, preferencialmente, 1,5ºC.

O pesquisador Stefan Frank, do IIASA, liderou a equipe que realizou a primeira análise detalhada de mitigação do setor agropecuário, usando uma combinação de quatro diferentes modelos econômicos globais e avaliando o potencial de redução de lançamento de gases de efeito estufa. De acordo com Frank, sozinha, a agricultura poderia diminuir em até 15% as emissões de metano e óxido nitroso até 2050, um total estimado de 0,8-1,4 gigatonelada de dióxido de carbono equivalente por ano (GtCO2e/a), a um custo de US$ 20/t CO2e. Mudanças na dieta em países com consumo excessivo de carne e laticínios têm potencial de contribuir com diminuições adicionais de 0,6 GtCO2e/ano, uma redução total de 23%.

As emissões de metano e óxido nitroso vindas do setor agrícola representam atualmente de 10% a 12% dos lançamentos antropogênicos de gases de efeito estufa, e a porcentagem está crescendo, em grande parte, graças ao aumento do uso de fertilizantes sintéticos e do crescimento de rebanhos de ruminantes. Desde 1990, as emissões aumentaram em um terço, mas os dados mostram que a produção cresceu 70%, de modo que a agricultura está se tornando mais eficiente ao longo do tempo. Se o mundo quiser atingir a meta de estabilização climática do Acordo de Paris, no entanto, essas emissões terão de diminuir, segundo argumenta o artigo, publicado no Jornal do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados.

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