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Buscando emprego? Confira dicas para se recolocar no mercado de trabalho

Somente no Rio, mais de 1,3 milhão de pessoas tentam uma ocupação

MARTHA IMENES

Rio – Os desempregados enfrentam uma verdadeira via crucis em busca de uma oportunidade de trabalho: são filas intermináveis, exigências surreais, salários baixos, espertinhos que cobram para preenchimento de cadastro, mas na verdade não existe a vaga, e por aí vai. A situação no Rio é crítica: o desemprego atingiu 1,358 milhão de pessoas no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do IBGE. O número bateu o recorde da série histórica, iniciada em 2012. A taxa de desemprego no estado foi de 15,3% no primeiro trimestre de 2019. Em todo país, o desemprego atinge 13,2 milhões de pessoas. As incertezas que rondam a economia brasileira impactam diretamente a vida de um contingente de 21,6 milhões de cidadãos que, pela fragilidade do mercado, estão desocupados ou desalentados. Ou seja, desistiram de procurar emprego.

Para dar uma mãozinha para quem está sentindo na pele os efeitos dessa situação, O DIA fará uma série de reportagens dando dicas para aumentar as chances de quem está em busca de uma vaga de trabalho. E desde já, toda equipe de O DIA deseja aos futuros candidatos boa sorte.

O desemprego no país, de 12,3%, é maior do que em qualquer momento da recessão que abalou o país entre 2015 e 2016 e fez a economia encolher mais de 7%. Um crescimento letárgico desde então – a economia se expandiu 1,1% em 2017 e 2018, e analistas apontando para um crescimento ainda mais lento este ano – desencoraja as empresas a aumentar sua folha de pagamento, apesar do governo de viés liberal empossado em janeiro.

Com a pouca ajuda formal disponível, muitos desempregados dependem do apoio da família ou aceitam empregos informais, apesar disto significar ganhar menos e abrir mão de benefícios, como seguro de saúde e INSS. E essa realidade faz parte do dia a dia de quem, apesar de qualificado, aceita emprego “de qualquer coisa” para levar o que comer pra casa e pagar alguma conta atrasada.

Esse é o caso de Thaysa dos Santos, que enfrentando fila em frente a uma agência de emprego no Rio de Janeiro, se diz disposta a aceitar qualquer oferta de emprego. Como os mais de 13 milhões de desempregados no país, ela não pode se dar ao luxo de ser exigente.

Hoje em dia é muito difícil”, diz a jovem de 27 anos, auxiliar administrativa há três meses em busca de um emprego em tempo integral. “A gente não pode escolher segundo nosso currículo. Tem que pegar qualquer vaga”, explica.

Pedro Nery, de 22 anos, tem Ensino Superior em Jornalismo incompleto. O último emprego com carteira assinada foi de professor de inglês em um curso de idiomas. “Dada a conjuntura, aceitaria outros empregos, mas depende muito. Preciso ter o mínimo de relação com a atividade exercida. Do contrário, não seria satisfatório nem para mim e nem para o empregador”, relata.

Já Wanderson César, de 32 anos, está em busca de um trabalho permanente de segurança há mais de quatro anos. Ele se considera afortunado pela esposa trabalhar como recepcionista. Com o dinheiro que ganha fazendo bicos, o casal consegue sobreviver. “Sou homem, então preciso trabalhar para levar alimento para minha casa, preciso ajudar”, conta César, enquanto espera para entrar na agência de empregos.

Mudar de área de atuação para sobreviver à crise

A alternativa para muitos que não conseguem emprego tem sido empreender ou se reinventar. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do instituto, dos 91,9 milhões de empregados entre janeiro e março, 25,9% trabalhavam de maneira independente.

Na prática, significa que quase 24 milhões de brasileiros arregaçaram as mangas e tomaram a decisão de investir em alternativas fora do mercado formal para ter a própria renda e sobreviver em meio à crise.

Marcus Vinícius de Aragão, de 50 anos, tem o Ensino Médio completo. Era corretor de imóveis, mas em 2014 perdeu o emprego. “A bolha imobiliária promoveu o aumento dos preços dos imóveis, o que originou uma queda muito acentuada nas vendas. As imobiliárias pequenas não resistiram e começaram a fechar”, conta. Desde então, está à procura de qualquer tipo de emprego. “O que aparecer, eu quero”, diz.
No entanto, Marcus não está confiante e explica o porque: “O mercado de trabalho está parado.

A construção civil está parada e as construtoras não fazem mais lançamentos. E mesmo com todos os investimentos que a Caixa tem feito, a nível de financiamento, a inadimplência é muito grande!”. Para não ficar parado, ele ajuda a esposa Simone na venda de marmitas fitness.

Sem oportunidades, depressão pode aumentar
O desemprego crônico está piorando no país. O número de pessoas sem trabalho há mais de dois anos alcançou 3,3 milhões de pessoas no primeiro trimestre – um aumento de 42,4% em quatro anos, informou em pesquisa recente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O desemprego prolongado pesa sobre quem procura emprego, explica Paulo Vasconcelos, coordenador do grupo de voluntários Comunidade Católica Gerando Vidas, que administra a agência de emprego. “Temos gente com um ano, um ano e meio, dois anos desempregada”, diz Vasconcelos, reportando um aumento nos casos de depressão e desamparo entre aqueles que procuram trabalho.

“Este ano a gente começou a perceber que muitas pessoas que vêm procurar oportunidades de trabalho não têm nada em casa para comer”, acrescenta.
Alguns meses atrás, Yanca Castro, de 22 anos, viajou milhares de quilômetros de Manaus para o Rio em busca de uma oportunidade, que ela ainda está procurando.

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