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Rock e política: o laço que deu certo

Historicamente o rock nasceu e cresceu como um instrumento de protesto, de resistência, uma vez que sua origem vem da mistura de outros gêneros musicais como o blues e o soul music, fazendo com que uma sociedade segregacionista dos anos 50 conhecesse a música negra e a luta pela igualdade, pelo direito de existir.

Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis foram ícones da música negra que embalada pelo som da barulhenta guitarra, naturalmente trouxe estranhamento, mas ao mesmo tempo a descoberta de um som singular. Claro, não esqueçamos de Elvis, que fez do seu gingado aliado a voz, a marca de um ídolo polêmico, censurado pelos pais da época.

As marcas da guerra

O mundo também havia saído de uma guerra mundial que deixara suas feridas abertas e os jovens da época se opunham, se rebelavam contra um sistema que oprimia o ser humano, que como nunca teve que lidar com a opressão da polícia e uma vida resumida ao trabalho.

A exemplo disso temos a banda punk “The Clash” que escancarava tais temas em suas letras como um grito. Na letra da música “Police on my back”, que significa “Polícia atrás de mim” Eddy Grant questionava o comportamento da polícia com os jovens:

“Well i’m running police on my back

I’ve been hiding police on my back

There was a shooting police on my back

And the victim well he wont come back

I’ve been running monday tuesday wednesday

Thursday friday saturday sunday

Running monday tuesday wednesday

Thursday friday saturday sunday

What have i done?

What have i done?”

Tradução

“Bem estou correndo com a polícia atrás de mim

Fui me escondendo com a polícia atrás de mim

Houve um tiroteio policial nas minhas costas

E a vítima, bem, ele não vai voltar

Fui correndo Segunda Terça Quarta

Quinta Sexta Sábado Domingo

Correndo Segunda Terça Quarta

Quinta Sexta Sábado Domingo

O que eu fiz?

O que eu fiz?”

Rebeldes com causa

E como bem sabemos o punk é um movimento que se opõe a repressão, ao autoritarismo e muitos jovens viram no movimento uma válvula de escape que acabara por se aliar às drogas tempos depois. E já nos anos 70 o trio “sexo, drogas e rock’n’roll” era comum e vários artistas como Janis Joplin e Jimi Hendrix utilizavam-se dessa fórmula para criar e viver de maneira rebelde e fugir de uma realidade que se mostrava cada vez mais difícil.

O Woodstock, festival de música, mostrou ao mundo a efervescência de mentes criativas que utilizavam sua arte para exprimir o que a juventude queria gritar: nós não somos obrigados, nós temos direitos.

Uma arma contra o autoritarismo

Em outro contexto, a banda Pink Floyd chegou com seu rock progressivo e no álbum “The Wall”, já em 1979 criticava a Guerra Fria ao mesmo tempo que fazia uma alusão a queda do muro de Berlim. Até hoje as canções de Roger Waters ecoam fortemente como um símbolo contra sistemas fascistas, que pregam a repressão da sociedade e a ideia de que somos massa de manobra.

No Brasil

Já no Brasil, o rock chegou mais tarde com as bandas da jovem guarda. No entanto, as letras carregadas de críticas sociais e ao governo chegaram pra valer nos anos 80. Bandas como Barão Vermelho, Aborto Elétrico, Titãs, Legião Urbana e Raul Seixas criticavam abertamente a ditadura militar. Exemplo disso é a música “Aluga-se” de Raul que foi censurada na época por condenar a invasão do capital estrangeiro no país, que facilitou a entrada de multinacionais no mercado brasileiro, levando diversas empresas brasileiras à falência, inclusive. A música também foi regravada pelas bandas Camisa de Vênus e Titãs.

“A solução pro nosso povo

Eu vou dar

Negócio bom assim

Ninguém nunca viu

Tá tudo pronto aqui

É só vir pegar

A solução é alugar o Brasil.”

A banda Plebe Rude conseguiu um sucesso icônico com a letra “Até quando esperar” que questionava o governo por problemas como a corrupção e desigualdades sociais.

“Com tanta riqueza por aí

Onde é que está

Cadê sua fração?…

Até quando esperar/

A plebe ajoelhar

Esperando a ajuda de Deus”

Esse mesmo movimento evoluiu nos anos 90 trazendo um boom de bandas comerciais e underground que mostravam o cenário estarrecedor de um país pobre que matava inocentes e protegia corruptos. Com a chegada de Collor ao poder e sua rápida decadência com o famoso Plano Collor, os jovens e famílias da época viam no rock a única saída para protestar.

As “Diretas Já!” vieram e toda a população se uniu entoando gritos de guerra e letras como “Que país é este?” e os hinos do poeta Cazuza.

Ainda podemos citar bandas como Garotos Podres, Capital Inicial, Os Paralamas do Sucesso dentre muitas outras que trouxeram à tona uma realidade que parte da mídia queria esconder.

Era 2000

Nos dias de hoje vemos muitas releituras de clássicos, mas mais do que isso é possível perceber o quanto letras dos anos 70, 80, 90 continuam sendo atuais. Prova de que nada mudou ou que muito pouco se avançou em relação a política? Talvez. Mas também podemos considerar que mesmo em contextos diferentes o rock e sua carga política, militante tem um peso cada vez maior.

Que mais letras, compositores e bandas possam surgir em um cenário que pede um cidadão menos passivo e mais questionador, informado e que represente a resistência.

Via Site Espaço Caos

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