Para superintendente da FAS, enchente histórica no Amazonas é consequência das mudanças climáticas

A cheia que atinge a região da Amazônia e chegou em Manaus deve ser uma das maiores registradas na história do Estado, conforme especialistas em mudanças climáticas. As cheias recentes do rio Negro superam o recorde anterior dos últimos 118 anos, alcançado em 2012.

Virgílio Viana

Segundo Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que atua na região há mais de 13 anos em apoio às populações ribeirinhas e indígenas, o Amazonas “está sendo vítima das mudanças climáticas, como pode ser constatado pelo aumento recorrente na frequência de grandes cheias nos últimos anos”. 

A série histórica do nível do rio Negro em Manaus mostra que, ao comparar os primeiros 20 anos de registros (1903 a 1923) com os últimos 20 anos (2001 a 2021), há um claro aumento na frequência de grandes cheias.

“O impacto desses eventos extremos é especialmente forte na Amazônia profunda, marcada pelas enormes distâncias e o isolamento de comunidades e aldeias. Alguns municípios do interior ficam a mais de 15 dias de viagem de barco a partir de Manaus e algumas localidades estão a mais de quatro dias de viagem a partir das sedes municipais. Essa é uma realidade totalmente distinta do restante do Brasil. É necessário investir mais em ações de adaptação às mudanças climáticas”, diz Virgílio Viana.

Pelo menos dois terços dos municípios do Amazonas já sofrem as consequências da cheia, segundo boletim divulgado no início de maio pela Defesa Civil. Parte dos municípios está em situação de atenção, enquanto outros estão em estado de emergência. Em Nova Olinda do Norte, o rio Madeira já superou a cheia de 2014, que era a maior da história, e mais de três mil famílias já foram afetadas. Em Carauari, o rio Juruá também já alcançou um novo recorde histórico e o município está em situação de emergência.

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