Chapada dos Guimarães se mobiliza para se tornar um Geoparque UNESCO

Um Geoparque não trata apenas da geologia, ele tem o objetivo de explorar, desenvolver e celebrar as ligações entre o patrimônio geológico e todos os outros aspectos do patrimônio natural, cultural e imaterial da área. São locais baseados no geoturismo, educação e geoproteção. O município de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, se enquadra em todos os requisitos para se tornar um Geoparque. Sua diversificada oferta turística e seu patrimônio natural e cultural propiciam uma vocação para o segmento de turismo de natureza, ecoturismo e turismo de experiência. As rochas da região contam a história das antigas cadeias de montanhas, mares, desertos, vulcanismos e antigos sistemas de rios que, hoje, guardam importantes aquíferos como o do Guarani. Na região também existem fósseis de animais marinhos como os braquiópodes e trilobitas, e animais terrestres como os dinossauros. Além disso, o município possui diversas cavernas, cachoeiras, mirantes, saborosa gastronomia, histórias que marcaram a mineração de diamantes nos séculos passados e povo acolhedor. 

Os Geoparques Globais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) são áreas geográficas unificadas, onde locais e paisagens de importância geológica internacional são gerenciados com base em um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. O conceito de Geoparque vem avançando desde 2004 quando foi criada a Rede Mundial de Geoparques e, a cada ano, tem se tornado mais popular. Atualmente, existem 169 Geoparques Globais da UNESCO, em 44 países, sendo apenas um deles no brasil, o Geoparque do Araripe, no Ceará.

Desde 2016 tem se discutido sobre a criação do Geoparque de Chapada dos Guimarães. No último mês de setembro foi realizada uma audiência pública pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para debater a geodiversidade e geoturismo no Projeto Geoparque de Chapada dos Guimarães, com a participação de deputados estaduais, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e representantes do município, onde foi apresentado parte de um dossiê acerca das riquezas naturais da cidade. A audiência foi seguida de uma reunião entre a equipe do Projeto Geoparque e a prefeitura de Chapada dos Guimarães. 

Segundo a professora da UFMT, Flávia Santos, o relatório produzido pela UFMT e pelo IFMT apresenta um inventário de várias áreas científicas sobre a geologia, biodiversidade, clima, relevo, arqueologia e história, onde foram estabelecidos 28 geossítios com potencial para serem trabalhados. Para Caiubi Kuhn, professor da UFMT e Diretor da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), a proposta do Geoparque contribui para o fomento à educação, a proteção de locais com relevância para a ciência e para a geração de emprego e renda, por meio do fortalecimento do geoturismo e artesanatos locais.

Daniel Martins, professor do IFMT afirma que o Geoparque é uma oportunidade de ampliar o turismo para o centro-oeste. “É necessário que tenha a união de políticas públicas entre o poder público municipal, estadual e federal, com o Ministério do Turismo, e a vontade do chapadense e dos empreendedores do município”. A professora do IFMT, Ângela Carrión, ressalta que o inventário produzido pelas instituições é um importante passo para que seja apresentada à candidatura a UNESCO. 

O prefeito de Chapada dos Guimarães, Osmar Froner, destacou a importância de debater com a população de Chapada dos Guimarães e definir o produto turístico do município já que a região possui uma beleza encantadora das formações rochosas, lembranças dos dinossauros e dos fósseis, rica fauna e flora, rios e cachoeiras, neblina e a riqueza do parque nacional. “É uma oportunidade de visitar um museu e relembrar essa história”, afirma. 

Para o deputado estadual Wilson Santos, o Projeto Geoparque de Chapada dos Guimarães leva tempo, mas já teve avanços importantes como a instalação da câmara setorial temática que tratou sobre o tema e, a partir daí, foi possível avançar no inventário, que agora exige o envolvimento total da população de Chapada dos Guimarães para conseguir alcançar o título UNESCO. 

Quem também valorizou o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores foi o deputado Allan Kardec que pontuou quais devem ser os próximos passos no desenvolvimento do Geoparque. “Em dezembro teremos um dia de campo em Chapada dos Guimarães aonde iremos nos principais geossítios e, ao final desse dia, faremos uma audiência pública com a participação da população chapadense. Acredito que em 2022 teremos condições de começar a pleitear a saída da aspirância do Geoparque, para o reconhecimento do Geoparque de Chapada dos Guimarães pela UNESCO”. 

Texto: Radharani Kuhn

Fotografia: equipe Projeto Geoparque

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