Museu Sacaca debate direito à cidade com uso de metodologias participativas e artísticas

O Museu Sacaca do Desenvolvimento Sustentável (MSDS) realiza amanhã, 9 de dezembro, quinta-feira, das 9 às 16 horas,  a Oficina de  Capacitação em Assistência Técnica para Melhorias Socioambientais, Habitacionais e Sanitárias. A atividade é uma parceira entre a instituição, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Amapá (CAU-AP), as universidades federais do Amapá e do Pará (Unifap), o Programa Morar, Conviver e Preservar a Amazônia (Rede Amazônia) e a Associação Amazônica Cultural Boi Marronzinho, que atua no bairro da Terra Firme, em Belém, no Pará, com o fomento à assistência técnica em habitação de interesse social com ênfase em melhorias habitacionais articulando reflexões sobre as (des)conformidades socioambientais e a regularização fundiária. A atividade envolverá professores, pesquisadores, discentes e coletivos de cultura locais.

Participam da abertura da Oficina, a partir das 9 horas, Welton Barreiros Alvino, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Amapá (CAU-AP),  Danielle Guimarães e Cristina Baddini, ambas integrantes da Unifap-AP, além de  Myrian Cardoso coordenadora do Programa Morar, Conviver e Preservar a Amazônia (Rede Amazônia) e Joélcio Ataíde, sociólogo e ativista cultural da Associação Amazônica Cultural Boi Marronzinho, que atua  transversalmente, dentro e fora dos muros das universidades, para desenvolver a  capacitação em assistência técnica para melhorias socioambientais, habitacionais e sanitárias  com metodologias participativas, inovadoras e populares.

 Dentro da Programação, pela parte da manhã, haverá a Oficina Quem Faz a Cidade? Será uma atividade sociocultural envolvendo arte, música e diálogos. Haverá o Monólogo Matei a Lei, ação artística utilizando as riquezas e os valores históricos do Marabaixo para desconstruir estigmas negativos e pejorativos contra os moradores das periferias urbanas, além contar a histórica da implantação da  Lei de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Lei Federal nº 11.888/2008), relatando a práticas de intervenções urbanas no uso e ocupação do solo nos bairros da Terra Firme, Guamá e Marco, em Belém, no Pará, para as famílias de baixa renda. “As melhorias habitacionais tornam as moradias mais saudáveis, estimulam a participação das comunidades e previnem inúmeras doenças, além de promover a inclusão e o resgate da cidadania”,  afirma Joélcio Ataíde, o ativista da Associação Amazônica Cultural Boi Marronzinho.

A partir das 13:30 horas,  ocorre a Exposição do Varal Técnico Poético com o lançamento do Álbum Diário de Campo,  com fotografias, poesias, músicas e relatos com os múltiplos olhares sobre a cidade popular. A atividade tem a participação do Coletivo MultiverCidades da Amazônia, que atua na capital paraense. Em seguida haverá discussões sobre as experiências urbanas de organizações territoriais, mapeamento das (des)conformidades e as orientações sobre as dinâmicas de mapeamento das desigualdades sociais para elaboração de  plano de ação  e construção de políticas públicas inclusivas.

Myrian Cardoso, coordenadora da Rede Amazônia, parceria entre a Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará (CRF-UFPA) e o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), informa que, encerrando as atividades, serão debatidos  na Roda de Ciência, Cultura e Cidadania o  Projeto Meu Endereço: Lugar de Paz e Segurança Social, uma ação de Athis desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica do Pará (Sectet-PA), assim como os trabalhos atuais de regularização fundiária e superação de conflitos socioambientais desenvolvidos com a Prefeitura Municipal de Ferreira Gomes.

Neste contexto, diz ela, articula-se, por um lado, interações com os segmentos públicos para discutir a regularização e as melhorias habitacionais, e por outro agrega a participação dos movimentos sociais que exercem, nas diferentes realidades dos territórios amazônicos, ações complementares ao ensino e à pesquisa na medida em que reforçam a superação dos conflitos com o uso de multilinguagens para além dos conhecimentos da sala de aula. “É um olhar mais amplo e participativo da extensão em defesa do direito à cidade com a participação das comunidades”, reflete.

Texto: Kid Reis – Ascom CRF-UFPA – Fotos: Cristiane Martins.

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