Estudo aponta: municípios que mais desmatam têm pior qualidade de vida na Amazônia

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Publicação do Índice de Progresso Social (IPS) dos 772 municípios da Amazônia Legal mostra que com aumento do desmatamento, o baixo desenvolvimento e as más condições de vida ganharam o novo destaque. De acordo com o estudo, coordenado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), os locais que mais desmatam apresentam um pior cenário, além de contar com a média de 16% ser a menor que a nacional.

O Imazon lidera a publicação, no Brasil, do IPS para os municípios da Amazônia Legal e, no ano passado, chegou a sua terceira edição e foi analisado por 45 profissionais de saúde, moradia, educação, meio ambiente e outros. O índice estudado tem conhecimento internacional, pois analisou condições sociais e ambientais de países, Estados e municípios.

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Vista aérea de desmatamento na Amazônia para expansão da pecuária, em Lábrea (AM). (Victor Moriyama/ Amazônia em Chamas)

Ainda de acordo com o estudo, em 2021, o desmatamento é prejudicial para o desenvolvimento social. Os 20 municípios que apresentaram áreas de floresta destruídas, em pelo menos três anos, apresentaram IPS de 52,38 com 21% do índice do Brasil. Dentre os municípios que estão na liderança do desmatamento, o local mais devastado é o município de Pacajá, no Pará, com o menor IPS e o segundo pior da Amazônia.

Outros seis municípios que compõem a lista dos maiores desmatadores também conseguiram atingir 50 pontos no IPS, entre eles estão: Portel (PA), Apuí (AM), Senador José Porfírio (PA), Novo Repartimento (PA), Uruará (PA) e Anapu (PA). Os dois municípios líderes no ranking do desmatamento, Altamira e São Félix do Xingu, ambos paraenses, tiveram IPS de 52,95 e 52,94, respectivamente, também abaixo das médias da Amazônia Legal e do Brasil.

Outra informação referente ao desmatamento e ao progresso social é que aproximadamente 15 municípios com os piores IPS estão associados à destruição da floresta, como o garimpo ilegal, a retirada ilegal de madeira, além dos conflitos sociais, como Jacareacanga, Nova Ipixuna, Nova Conceição do Piriá e Pau D’Arco, todos no Pará. Segundo o cofundador do Imazon e um dos representantes do estudo, Beto Veríssimo, “o IPS atesta, mais uma vez, que o desmatamento só tem gerado pobreza, conflitos sociais e inibido o desenvolvimento econômico da Amazônia”.

Foram 810 km² desmatados da Amazônia Legal, área equivalente à cidade de Goiânia. (Florian Plaucheur/ AFP)

Em comparação ao último ano em que o IPS foi realizado, o índice passou de 54,64 para 54,59. E entre os 772 municípios estudados, quase metade deles apresentou redução no índice e outros 21% apresentaram estabilidade em comparação ao último ano do estudo. Veríssimo conta ainda que a “Amazônia enfrenta a tempestade perfeita de problemas: destruição do seu patrimônio natural pelo desmatamento, baixo progresso social e subdesenvolvimento econômico”.

Já em relação aos nove Estados da Amazônia Legal, apenas três superam o IPS da região, são eles: Mato Grosso, com 57,94, Rondônia com 57,20 e Amapá com 54,96. Com o histórico do Estado que mais desmata, o Pará foi o que apresentou o segundo pior índice com 52,94, ficando atrás apenas de Roraima, com 52,37.

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