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Sapo Tarô Bequê leva mitologia Tukano ao palco em turnê pela Amazônia

Projeto ‘INFÂNCIAS’ apresenta peça teatral gratuita em três estados, unindo tradição oral, formação cultural e protagonismo indígena

Com apresentações gratuitas e ações formativas, o projeto “INFÂNCIAS – Nos beiradões do grande rio” continua sua circulação pela Amazônia com o espetáculo “A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê”, que une teatro e tradição oral em uma narrativa baseada na mitologia do povo Tukano, do alto Rio Negro.

A peça será apresentada nos estados do Amazonas, Pará e Roraima, com datas confirmadas em diferentes cidades. No Amazonas, já passou por Itacoatiara (20 de maio) e seguirá para Parintins (28 de julho, às 12h, no CETI Dep. Gláucio Gonçalves) e Manaus, com apresentação no Teatro Amazonas, no dia 3 de setembro, às 20h.

No Pará, o espetáculo chega a Santarém, no dia 2 de agosto, às 20h, no Auditório Maestro Wilson Fonseca, na UFOPA (Unidade Rondon). E em Roraima, será apresentado em Boa Vista, no dia 19 de agosto, no Teatro Municipal. O projeto foi contemplado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2023, concedido pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, com apoio do Ministério da Cultura.

O sapo que quer virar gente

Inspirado na oralidade tradicional, o espetáculo conta a trajetória do personagem Tarô Bequê, um sapo que deseja virar gente. A transformação acontece pelas mãos do Pai do Mato, Cainhamé, que também cria sua companheira, a Moça Juruti da folha do tajá. Mas a união só será aceita quando ela puder cozinhar, e para isso, Tarô Bequê precisa conseguir o fogo, enfrentando o temido feiticeiro Urubu-Rei, guardião desse elemento sagrado.

A narrativa atinge o ápice quando Tarô Bequê encontra sua própria tragédia na maloca dos mortos, revivendo umas das mais exploradas sequências da literatura universal: a jornada de Orfeu aos infernos em busca de Eurídice.

Ele falha na tentativa de resgatar sua amada. “Mesquinho, talvez, mas humano, demasiadamente humano. Terminava ali seu aprendizado de como é duro ser um homem”, diz o ator e diretor Douglas Rodrigues, diretor geral do espetáculo. Ao final da peça, a metáfora ressoa: “O sapo que vira homem; o homem que não suporta a dor de existir e volta a ser sapo, rastejando-se pela eternidade”.

O protagonista Tarô Bequê é descrito como “um dos personagens mais conhecidos da dramaturgia Amazônica”. “A peça surge do mergulho feito por Márcio Souza nas narrativas da etnia Tukano, levando ao palco todo conhecimento ancestral dos povos tradicionais”, afirma Douglas.

A temática do espetáculo é abordada como urgente e necessária. “Uma cultura que foi silenciada, quase extinta. Hoje, com os novos movimentos sociais, busca reconhecimento e protagonismo”, afirma Douglas, membro da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato, responsável pela montagem e circulação da obra.

Rodrigues ressalta que, desde sua fundação em 1999, antes mesmo das políticas afirmativas, a Cia. reconhece no território amazônico e nas suas populações a motivação da sua criação. “Isso se reflete tanto na escrita dramatúrgica, ou inserindo na equipe criativa, quanto no desejo constante de expandir os diálogos e estimular a equidade no mercado cultural”.

A Arte&Fato também se destaca por uma abordagem não estereotipada. “É uma Cia. reconhecida pela investigação aos povos da floresta, de forma técnica, fugindo sempre do exótico já explícito nas colonizações”, complementa o diretor.

Uma viagem cênica

O processo de criação está vinculado à proposta de interiorização do teatro. “O projeto, no Amazonas, parte de Manaus e faz escalas no Aldeamento Indígena Sateré Mawé, situado às margens do Rio Tarumã-Açu, além de passar por Itacoatiara e Parintins. No Pará, a navegação segue pelo Rio Tapajós até Santarém, e, finalmente, ancora em Boa Vista, capital de Roraima”, lembra Douglas.

Além das encenações, o projeto oferece oficinas, workshops, distribuição da coletânea dramatúrgica “O outro entre nós” (publicada pelo coletivo AACA/Arte & Fato), e atividades formativas voltadas ao público infanto-juvenil.

Tais ações fazem parte de uma estratégia de democratização do acesso à cultura e se alinham ao enfoque político-artístico do Programa de Difusão Cultural da edição presente da Bolsa Funarte de Teatro Myriam Muniz, em 25 anos de atividades no território amazônico.

Ficha técnica

Dramaturgia: Márcio Souza
Direção Geral: Douglas Rodrigues
Direção Musical: Jeferson Mariano e Regina Santos
Figurinos: Douglas Rodrigues e Dione Maciel
Confecção de Figurinos: Dione Maciel, Solange Ramos, Rosa Malagueta e Douglas Rodrigues.
Cenário: Douglas Rodrigues
Confecção: Dione Maciel, Assentamento Waimiri Atroari, Miguel Dessana, Ailton Esculturas.
Maquiagem: AACA – Arte&Fato
Esculturas: Ailton Esculturas.
Trilha Original
Espumas – Bell Esculturas
Produção: Bitta Catão e Dione Maciel.
Produção geral: Wesley Almeida.

Coro Coreográfico

Mário Jorgi
Sam Kelwen
Miro Messa
Eduardo Oliveira

Músicos

Alan Jones – Percussão
Jeferson Silva – Efeitos e flautas
Regina Santos – Efeitos e flautas.
Anderson Barreto – Flautas

Atores

Israel Castro – Sapo Tarô Bêque
Karol Medeiros – Juruti
Michel Guerreiro – Mucura e Missionária
Idelson Mouta – Urubu Rei
Acácia Mié – Cobra Surucucu
Leonel Worton – Cainhamé

Produtores nas localidades

Bosco Fonseca – Itacoatiara/Amazonas
Cristian Sound – Itacoatiara/Amazonas
Lygia Farias – Parintins/Amazonas.
Elder Aguiar – Santarém/Pará
Amaury Congalves – Santarém/Pará
Dyego Monzahho – Roraima/Boa Vista

Produção Executiva

AACA – Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato

Crédito das fotos

Bruno Lopes e Hamyle Nobre/Divulgação

Informações 

(92) 98166-5823 – Assessoria de imprensa

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