Agosto Lilás: Estudo indica que 99% das médias e grandes cidades brasileiras têm taxas de feminicídio muito altas
Relatório produzido pela Tewá 225 analisou 319 municípios acima de 100 mil habitantes e elaborou o primeiro ranking nacional sobre igualdade de gênero nas grandes cidades brasileiras
São Paulo – No mês em que a Lei Maria da Penha completa 19 anos e marcado pela campanha nacional contra a violência de gênero “Agosto Lilás”, os dados reunidos pelo estudo Piores Cidades Para Ser Mulher, produzido pela Tewá 225 – consultoria que realiza estudos e projetos para enfrentar problemas socioambientais das empresas, organizações e governos – escancaram um alerta: em quase todas as médias e grandes cidades brasileiras, o Estado falha em proteger a vida das mulheres. Entre os 319 municípios com mais de 100 mil habitantes analisados pela Tewá 225, 99% já ultrapassaram a taxa de 3 mortes violentas por 100 mil mulheres, limite considerado inaceitável pelo Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR).
A constatação converge com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que registrou 1.492 feminicídios no país em 2024 – o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Segundo o Anuário, a maioria das vítimas era mulher negra (64%), com idades entre 18 e 44 anos (70%), morta dentro de casa (64%), com uso de arma branca (48%), por companheiros ou ex-companheiros (80%).
“O feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo persistente de violência de gênero. Os dados revelam que a maioria das cidades brasileiras falha na prevenção e no enfrentamento dessas violências. Mesmo onde existem políticas públicas, faltam mecanismos eficazes de proteção, monitoramento e acesso. É um sinal claro da da falta de respostas efetivas à altura da gravidade do problema”, afirma Luciana Sonck, CEO da Tewá 225 e coordenadora executiva do estudo.
Lançado em 2025 pela Tewá 225, o objetivo do estudo e ranking Piores Cidades Para Ser Mulher foi avaliar o desempenho de cada cidade em proporcionar no atingimento de metas do ODS 5 de igualdade de gênero, a partir da análise de 319 municípios com mais de 100 mil habitantes (que representam cerca de 60% da população urbana brasileira).
Em nível global, o ODS 5 está longe de ser alcançado. O relatório mais recente das Nações Unidas (The Sustainable Development Goals Report, julho/2025) revela que nenhuma nação atingiu plena igualdade nos principais indicadores. No Brasil, cerca de 85% das 319 cidades analisadas no estudo Piores Cidades Para Ser Mulher apresentam níveis “muito baixos” de igualdade de gênero segundo o ODS 5. O cenário é ainda mais grave na Amazônia, onde 97% dos municípios alcançaram a pior classificação.
As mulheres ocupam somente 27% dos assentos parlamentares e menos de um terço dos cargos gerenciais no mundo. No Brasil, o estudo da Tewá 225 revela que apesar do aumento nas candidaturas femininas, 96% dos municípios analisados possuem menos de 30% de mulheres na câmara.
O levantamento foi realizado por meio de dados do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR) de 2024 e com foco nos indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da ONU: taxa de feminicídio a cada 100 mil mulheres; desigualdade salarial por sexo, percentual de mulheres na câmara de vereadores; taxa de mulheres jovens de 15 a 24 anos que não estudam e nem trabalham; diferença percentual entre homens e mulheres que não estudam e nem trabalham. Cada indicador foi pontuado de 0 a 100, considerando recortes como raça, regionalidade, biomas e economia que impactam as oportunidades disponíveis para as mulheres.
“Com apenas cinco anos restantes para a conclusão da Agenda 2030, as nove metas do ODS 5 estão estagnadas ou retrocedem. No contexto do agosto lilás, é urgente ir além dos números de violência de gênero e desenvolver novas métricas sejam desenvolvidas, como indicadores de vulnerabilidade climática, saúde da mulher, direitos reprodutivos e acesso à mobilidade urbana, entre outros. Esses indicadores precisam refletir a complexidade das condições de vida das mulheres nas cidades brasileiras para que os gestores municipais construam políticas e orçamentos específicos”, finaliza Luciana Sonck
Conheça o ranking:
No ranking das piores cidades brasileiras, Paranaguá (PR), São Pedro da Aldeia (RJ) e Camaçari (BA) destacam-se como as cidades mais desafiadoras para as mulheres, com altas taxas de feminicídio, baixa representação política feminina e economias fortemente voltadas aos setores agropecuário e industrial, onde historicamente as oportunidades para mulheres são mais limitadas e as condições de trabalho são menos favoráveis.
Paranaguá, que recebe o título de “pior cidade” nesta edição 2024, tem uma economia dominada pelas atividades portuárias e agroindustriais. Nessas áreas, o mercado de trabalho é predominantemente masculino: as mulheres representam apenas 35,3% dos cargos formais e ainda recebem salários mais baixos que os homens.
Na lista das piores cidades integram 50% dos municípios das regiões Norte e Nordeste e 50% no eixo Sul-Sudeste. O top 10 piores cidades para mulheres no Brasil é composto por: 1º Paranaguá (PR); 2º São Pedro da Aldeia (RJ); 3º Camaçari (BA); 4º Macaé (RJ); 5º Parauapebas (PA); 6º Cabo de Santo Agostinho (PE); 7º Pindamonhangaba (SP); 8º Açailândia (MA); 9º Santana (AP); 10º Ponta Grossa (PR).
Já entre o top 10 melhores cidades para mulheres no Brasil, 80% encontram-se no eixo Sul-Sudeste e se destacam: 1º Araras (SP); 2º São Caetano do Sul (SP); 3º Brasília (DF); 4º Nova Serrana (MG); 5º Balneário Camboriú (SC); 6º Nova Friburgo (RJ); 7º Londrina (PR); 8º Birigui (SP); 9º Sobral (CE); 10º Brusque (SC).
Para ler o estudo completo acesse o link.
Sobre a Tewá 225
A Tewá 225 é uma consultoria que realiza estudos e projetos para enfrentar problemas socioambientais das empresas, organizações e governos. Desde 2013, emprega uma metodologia própria de escuta e participação social na construção de estudos e soluções com recortes de gênero, raça, territorialidade e gestão do conhecimento, sendo responsável pelo estudo Piores Cidades para Ser Mulher, que mapeia municípios e capitais brasileiras nas metas do ODS 5 (Igualdade de Gênero). A empresa já atuou com mais de 50 empresas e organizações, como Unesco, ONU Mulheres, GIZ, WRI, OIT, Unicef, reNature, Auren Energia, Tereos, Fundação Tide Setubal e Instituto Votorantim, em mais de 50 cidades de todas as regiões do país. A Tewá 225 é composta 100% por mulheres, certificada pela Rede Mulher Empreendedora, membro da rede Parceiros Pela Amazônia (PPA) e signatária do acordo “Race to zero” (compromissos de redução de emissões de carbono ou neutralização de suas emissões), pelo qual também integra a rede SME Climate Hub.
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