Amazônia, A Nova Minamata? novo filme de Jorge Bodanzky denuncia poluição de mercúrio na Amazônia brasileira
Longa-metragem revela o impacto deste metal pesado na saúde do povo Munduruku, ao resgatar o caso de Minamata, no Japão, em que a população enfrentou os efeitos de uma dramática contaminação ao longo do século passado; documentário, produzido pela Ocean FIlms, chega aos cinemas no dia 4 de setembro, com distribuição da O2 Play
São Paulo, agosto de 2025 – O novo documentário de Jorge Bodanzky (Iracema, Uma Transa Amazônica), Amazônia, A Nova Minamata? chega aos cinemas em 4 de setembro, com distribuição da O2 Play. O filme acompanha a saga do povo Munduruku para conter o impacto destrutivo do garimpo de ouro em seu território, e ao mesmo tempo revela como a Doença de Minamata, decorrente da contaminação por mercúrio, ameaça os habitantes de toda a Amazônia hoje. Com coprodução da Globo Filmes e Globonews, e realização da Ocean Films, o longa foi produzido por Nuno Godolphim e João Roni, tendo Walter Salles e a VideoFilmes como produtores associados.
“Fiz muitos filmes sobre a região, mas este é seguramente um dos mais importantes e difíceis da minha vida, pois alerta para os riscos que a contaminação de mercúrio significa para as novas gerações da região amazônica”, comenta Jorge Bodanzky.
O documentário relata a dramática realidade que está hoje em curso na Amazônia. Invadida criminosamente pela mineração ilegal, que destroi a floresta enquanto deposita toneladas de mercúrio nos seus rios, a Amazônia percorre o mesmo processo de contaminação silenciosa que aconteceu em Minamata no século passado.
Bodanzky, gravando entre os Mundurukus em 2016, ouve o relato de um médico de que haviam quase 200 pedidos de cadeiras de roda para crianças com problemas neurológicos e resolve começar a filmar as pesquisas que se seguem.
Após levantar a questão do que está ocorrendo no território Munduruku, no Pará, Bodanzky vai ao Japão para resgatar a história de Minamata, cidade cujos habitantes sofreram graves sequelas de contaminação do mercúrio despejados por uma indústria no mar da região ao longo de vários anos. Cenas que chocaram o mundo na época revelam o efeito deste metal pesado no sistema nervoso central de seres humanos. Muitas pessoas foram levadas à morte e uma geração de crianças com má formação congênita despertou a atenção da Organização Mundial da Saúde e da imprensa internacional.
Durante as filmagens, em 2021, os sobreviventes de Minamata, ao descobrirem a situação na Amazônia nos dias atuais, enviaram uma mensagem contando a história de sua luta para acabar com a contaminação e recuperar a baía de Minamata. Esta mensagem virou um curta, que foi dublado em Munduruku e apresentado às comunidades indígenas para informar a população sobre as consequências do garimpo em suas terras.
Lideranças Munduruku, como Alessandra Korap, que haviam convidado médicos e pesquisadores para investigar os problemas de saúde da sua comunidade, começam a se mobilizar para conter a atividade garimpeira em seu território, enfrentando ameaças de todas as formas, incluindo a tomada da cidade de Jacareacanga por garimpeiros.
O documentário equilibra um conteúdo científico muito complexo com o drama humano dos indígenas que se veem ameaçados por uma doença que compromete a saúde dos adultos de forma silenciosa, mas tem consequências desastrosas nas novas gerações.
Amazônia, A Nova Minamata? conduz sua narrativa de forma delicada ao acompanhar as investigações do neurologista paraense Erick Jennings e cientistas da FIOCRUZ, em busca da razão de haver tantas crianças com problemas neurológicos na região, para então ouvir o brado de Alessandra Korap e do povo Munduruku em defesa do futuro de seus filhos.
Cena do documentário Amazônia, A Nova Minamata?, dirigido por Jorge Bodanzky | Divulgação: O2 Play
Para Bodanzky, o filme, sem ser apelativo, é uma denuncia de como a atividade garimpeira, principal responsável pelo desmatamento e degradação dos territórios indígenas e de áreas protegidas nesta década, está deixando um rastro de contaminação por mercúrio, o que vai afetar drasticamente a saúde das populações amazônicas por dezenas de anos.
“As pessoas sabem que o peixe está envenenado, mas é difícil enxergar o que está por trás disso e quais são as consequências. Resultados só serão visíveis nos próximos 20, 30 anos, pois os sintomas demoram muito para aparecer e esse filme é uma forma de alerta”, destaca Bodanzky
Sobre a Personagem
Alessandra Korap é reconhecida internacionalmente por seu trabalho em defesa de seu território. Em 2020 recebeu o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos, nos Estados Unidos. Em 2023 ganhou o Goldman Prize (considerado o Nobel do Meio Ambiente) por sua luta contra mineradoras. Atualmente é presidente da Associação Pariri, que representa as 13 aldeias do Médio Tapajós na região de Itaituba (PA).
Ficha Técnica
Diretor: Jorge BODANZKY
Produtores: Nuno GODOLPHIM e João RONI
Diretor Assistente: Tiago CARVALHO
Roteiro: Nuno GODOLPHIM e Tiago CARVALHO
Fotografia: Paulo Gambale MAKÁ
Edição: Bruna CALLEGARI
Som: Marcelo PELLEGRINI e Ricardo ZOLLNER
Trilha: David MARANHA
Personagens principais: ALESSANDRA KORAP Munduruku e Erik JENNINGS
Supervisão Científica: ENSP-Fiocruz.
Consultoria de comunicação: Uma Gota no Oceano.
Distribuidor Nacional: O2Play
Produtora Associada (Brasil): VIDEOFILMES
Produtor Associado (Japão): IMAGO MACHINA
Coprodução: GLOBO FILMES e GLOBO NEWS
Produção: OCEAN FILMS
Sobre a distribuidora O2 Play
A O2 Play é dirigida por Igor Kupstas sob a tutela de Paulo Morelli, sócio da O2 Filmes. A distribuidora faz parte do grupo O2, que também tem como sócios o cineasta Fernando Meirelles e a produtora Andrea Barata Ribeiro.
Em atividade desde 2013, a O2 Play se diferencia das demais distribuidoras por trabalhar, além do cinema, TV e vendas internacionais, o VOD (Video on Demand) – licenciando conteúdo para além de 30 plataformas digitais.
Já foram mais de 80 filmes lançados em cinemas, entre títulos brasileiros premiados, como Sócrates e Chorão – Marginal Alado, e internacionais, em parceria com a Netflix, como O Irlandês, Dois Papas, Não Olhe Para Cima, Bardo, Pinóquio por Guillermo Del Toro – estes dois últimos indicados ao Oscar® 2023, Priscilla e Elis & Tom, Só Tinha de Ser com Você.
A lista de longas ainda inclui parcerias com a MUBI: Annette, que abriu o Festival de Cannes 2021 e conquistou o Prêmio de Melhor Direção, Crimes of the Future, que estreou no Festival de Cannes 2022, o vencedor do Oscar® 2022 de Melhor Filme Internacional Drive My Car, o vencedor do Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes 2022 Holy Spider, o indicado ao Oscar® 2023 de Melhor Ator Aftersun, o indicado ao Oscar® 2023 de Melhor Filme Internacional Close e o indicado ao Oscar® 2024 de Melhor Filme Internacional Dias Perfeitos. Mais informações no site da O2 Play.
Sobre a produtora Ocean Films
Ocean Films é uma produtora brasileira com mais de 20 anos de experiência e já colaborou com diversos canais e plataformas, como: Netflix, Globoplay, HBO, entre outros. Nosso primeiro longa-metragem, “Pequeno Segredo”, foi selecionado para representar o Brasil no Oscar de 2017 na categoria de Melhor Filme Internacional.
Dentre nossas produções de maior relevância estão a série de doc-reality “Por Um Respiro” (Globoplay), a série de ficção “Temporada de Verão” (Netflix), a qual criou e coproduziu, e a série documental “Transamazônica – Uma Estrada Para o Passado” (HBO), vencedora do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2022, na categoria Melhor Série de Documentário. João Roni, sócio da Ocean, é produtor executivo do longa-metragem de ficção “Meu Amigo Pinguim”, protagonizado pelo astro francês Jean Reno e lançado em 2024.
Nossos filmes mais recentes são o documentário “Amazônia, a Nova Minamata?”, filmado no Brasil e no Japão; o longa documental “No Céu da Pátria Nesse Instante”, que foi exibido em festivais de cinema no Brasil, Holanda, Espanha, Coréia, França e Alemanha; e o longa-metragem “Homem de Ouro”, dirigido por Mauro Lima – todos com estreias em 2025.
COPRODUÇÕES GLOBO FILMES & GLOBONEWS
Globo Filmes e GloboNews assinam juntas a coprodução de mais de 100 documentários. São projetos artisticamente contundentes, diversos, atuais e que geram debates essenciais para sociedade brasileira. Com linguagens e olhares que atravessam tempos e fronteiras, a parceria já alcançou mais de 15 milhões de pessoas em audiência e esteve em mais de 300 festivais no Brasil e no mundo, como Cannes, Hot Docs e IDFA, maior festival de docs do mundo. E ganhou prêmios em Veneza, na Berlinale e no É Tudo Verdade (ÉTV), maior festival de documentários do Brasil, que habilita o filme para o Oscar.
Alguns destaques: “Sinfonia de um homem comum”, de José Joffily (único brasileiro na mostra Frontlight do IDFA 2022, exibido no Hot Docs e Menção Honrosa do ÉTV 2022); “Marinheiro das Montanhas”, Karim Aïnouz (aplaudido de pé por 15 minutos no Festival de Cannes 2021); “Espero tua (Re)volta”, de Eliza Capai (vencedor de dois prêmios no Festival de Berlim 2019); “Menino 23”, de Belisário Franca (pré-lista do Oscar 2017); “Babenco – Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, de Bárbara Paz (Melhor Documentário sobre cinema da Venice Classics no Festival de Veneza 2019); “Libelu – Abaixo a Ditadura”, de Diógenes Muniz (vencedor ÉTV 2020); “Cine Marrocos”, de Ricardo Calil (vencedor do ÉTV 2019).

