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Meio-Dia da Imperatriz morre aos 55 anos e deixa legado histórico no samba brasileiro

Tricampeão na Sapucaí pela Imperatriz Leopoldinense, Orlandino Barbosa construiu ponte cultural entre a Amazônia e o Carnaval carioca

O samba amanheceu de luto nesta segunda-feira (16). Morreu, em Macapá, o cantor e intérprete Orlandino Barbosa, conhecido nacionalmente como Meio-Dia da Imperatriz. Aos 55 anos, o artista enfrentava complicações de saúde desde 2024, após sofrer um AVC isquêmico que deixou sequelas motoras.

Desde então, seguia tratamento médico contínuo, com acompanhamento especializado, sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e uso regular de medicamentos. O quadro exigia cuidados constantes e limitou sua rotina nos últimos meses.

Natural de Belém, no Pará, Meio-Dia iniciou sua trajetória nas manifestações culturais da Amazônia urbana, onde o samba se mistura às influências afro-amazônicas. Ainda jovem, destacou-se como ritmista disciplinado e apaixonado pelo carnaval, demonstrando talento que o levaria a novos horizontes.

Na década de 1980, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades. Foi na tradicional Imperatriz Leopoldinense que consolidou sua carreira, participando de desfiles históricos e integrando uma geração vitoriosa da escola de Ramos. Tornou-se o único sambista paraense tricampeão na Marquês de Sapucaí, com títulos conquistados nos carnavais de 1999, 2000 e 2001, feito que o eternizou entre os grandes intérpretes do samba-enredo.

Relação com o Amapá

Embora tenha construído projeção nacional no Rio de Janeiro, Meio-Dia mantinha forte ligação com o Amapá. Nos últimos anos, dividia sua rotina entre Belém e Macapá, onde acompanhava de perto o carnaval local, participava de rodas de samba e incentivava jovens ritmistas e intérpretes.

No estado, era reconhecido como referência técnica e símbolo de superação. Sua trajetória inspirava sambistas amapaenses que viam nele a prova de que o talento amazônico pode alcançar o maior palco do carnaval brasileiro. Mesmo após o AVC, continuou sendo presença respeitada nos bastidores da folia e mantinha diálogo com agremiações e músicos da cena local.

Discreto, pouco afeito a holofotes, Meio-Dia era admirado pela liderança silenciosa, pela precisão rítmica e pelo compromisso coletivo: características que marcaram tanto sua atuação na Sapucaí quanto sua convivência com escolas e sambistas do Norte.

Com sua partida, o Carnaval brasileiro perde um representante ímpar do samba. Fica o legado de um artista que ajudou a fortalecer a presença amazônica na maior festa popular do país, e cuja batida seguirá ecoando na memória da Sapucaí e nos barracões do Norte.

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