Ministério Público do Amapá lança campanha “Ela tem voz. Ela tem proteção”, contra o feminicídio
A morte de uma jovem de 19 anos, assassinada por estrangulamento dentro da loja onde trabalhava no município de Santana, nesta segunda-feira (9), reacende o alerta sobre a violência que ameaça a vida de mulheres no Amapá. O caso mostra a urgência de mobilização social e institucional para prevenir crimes motivados por violência de gênero. Ainda em fevereiro, o Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP) lançou a campanha “ELA TEM VOZ. ELA TEM PROTEÇÃO”, que busca chamar a atenção da sociedade para a gravidade do feminicídio e estimular a denúncia e a proteção das vítimas de violência.
Não é um caso isolado. O ano de 2026 começou sob impacto e dor para muitas famílias amapaenses. No mês de janeiro, mulheres perderam a vida em episódios brutais de violência doméstica e familiar motivada por sua condição de gênero.
No dia 25 de janeiro, Benedita de Jesus Barroso da Costa, conhecida como Paula Barroso (enfermeira, mãe e ex-miss) foi assassinada com um disparo de arma de fogo na zona rural de Macapá em um contexto de violência doméstica motivada por ciúmes e posse. O Ministério Público apresentou denúncia pelo crime de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo contra o principal suspeito, além de pedir a fixação de valor mínimo de indenização por danos morais à família da vítima.
Também em janeiro, outro caso emblemático chocou a população de Santana, quando uma mulher foi morta a facadas pelo companheiro dentro da própria residência, em um ato de violência que interrompeu a vida de mais uma mãe e reverberou na comunidade local.
Esses episódios são parte de uma realidade que exige ação imediata. Ao contabilizar os dados mais recentes, o Amapá registrou aumentos preocupantes nos casos de feminicídio nos últimos anos. Segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado do Amapá (Sejusp), em 2024 foram registrados dois feminicídios. Já em 2025 esse número mais que triplicou, chegando a nove mulheres assassinadas. Somente em janeiro deste ano, foram 3 mulheres assassinadas.
“ELA TEM VOZ. ELA TEM PROTEÇÃO”
A campanha foi pensada para ampliar a conscientização sobre os sinais de violência de gênero, reforçar que violência contra a mulher é crime e estimular a denúncia como ferramenta essencial de proteção. Será veiculada nas redes sociais e em plataformas digitais do Ministério Público do Estado do Amapá, com conteúdos informativos, vídeos, dados atualizados e chamadas de conscientização que reforçam a mensagem de proteção, acolhimento e responsabilização.
O MP-AP atua na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher, oferece acompanhamento institucional, apoio às vítimas e atuação firme na responsabilização dos agressores. A atuação do órgão inclui, sempre que necessário, o oferecimento de denúncias criminais, solicitação de medidas protetivas e articulação com outros órgãos do sistema de Justiça e de assistência social.
Sob a responsabilidade criativa da Assessoria de Comunicação da instituição, a campanha nasce da preocupação da Procuradoria-Geral de Justiça, sob o comando do procurador-geral de justiça Alexandre Monteiro, com os índices apresentados e das angústias dos promotores que lidam diretamente com esse tipo de crime.
“Queremos reforçar que o feminicídio não é tarefa apenas de instituições: toda a sociedade tem papel fundamental na acolhida, na escuta e na denúncia. Somente com união de esforços, atenção aos sinais de risco e acesso efetivo aos canais de apoio é possível salvar vidas. Precisamos nos unir numa corrente em favor da vida”, pontua o PGJ.
CAVINP – acolhimento e orientação às vítimas
O Centro de Atenção às Vítimas – “Nós Pertencemos” (Cavinp) é uma unidade especializada do MP-AP voltada ao acolhimento e acompanhamento de pessoas que sofreram crimes e graves violações de direitos, bem como de seus familiares. Entre as prioridades do centro estão vítimas de crimes contra a vida, violência doméstica e crimes sexuais, além de familiares de vítimas que necessitam de apoio institucional e informações sobre seus direitos e sobre o andamento dos processos.
O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de áreas como direito, psicologia e assistência social, que oferecem orientação jurídica, escuta qualificada, encaminhamentos à rede de serviços e acompanhamento de vítimas ao longo dos procedimentos institucionais e judiciais. Atua na articulação com órgãos da rede de proteção e assistência social. Somente neste início de 2026, a unidade já registrou mais de 100 atendimentos.
Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher
O MP-AP conta com Promotorias de Justiça que atuam diretamente na defesa dos direitos das mulheres, com orientação, acompanhamento e adoção de medidas legais para proteção das vítimas de violência doméstica e familiar.
*Em Macapá, quatro promotores de justiça exercem essa atuação especializada nas Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher, que funcionam no prédio do Complexo Cidadão da Zona Sul, localizado na Av. Padre Júlio Maria Lombaerd, 1585, no Centro. As unidades trabalham na análise de denúncias, no acompanhamento de processos e na adoção de providências como pedidos de medidas protetivas de urgência, responsabilização criminal de agressores e articulação com a rede de proteção.*
As promotorias são conduzidas pelos seguintes membros do MP-AP:
1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher – promotor de justiça Benjamin Lax
2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher – promotor de justiça Saullo Patrício Andrade, também coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Mulher
3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher – promotora de justiça Klisiomar Lopes Dias
4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher – promotora de justiça Clarisse Lindanor Alcantara Lax
*No município de Santana, a atuação ocorre no Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, tendo como promotor titular Igor Costa Coutinho, com o auxílio do promotor Hélio Paulo Santos Furtado. O Complexo da Promotoria de Justiça de Santana fica na Av. B1, nº 40, na Vila Amazonas. Também funciona das 8h às 14h*
Canais de ajuda e denúncia
Se você ou alguém que você conhece estiver em situação de violência, procure apoio imediatamente. Denunciar pode interromper um ciclo de abuso e salvar vidas.
– 127 – Ouvidoria do MP-AP
(96) 99187-3483
ouvidoria@mpap.mp.br
mpap.mp.br/ouvidoria
– Centro de Atenção às Vítimas (Cavinp/MP-AP) — WhatsApp: (96) 99119-3326
Recepção Cavinp: (96) 4009-1001
– 190 – Polícia Militar do Estado do Amapá
– 180 – Central de Atendimento à Mulher

