Primeira cirurgia por endoscopia para retirada de câncer de estômago é realizada pelo SUS no Amapá
Procedimento foi realizado no Hospital de Clínicas Alberto Lima e permite tratamento menos invasivo para pacientes com câncer gástrico em estágio inicial
Pela primeira vez, um paciente com câncer de estômago foi submetido a uma ressecção endoscópica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Amapá. O procedimento foi realizado na quinta-feira (15), no Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), em Macapá, e é considerado uma alternativa menos invasiva para casos diagnosticados em estágio inicial da doença.
A técnica consiste na retirada do tumor por meio de um endoscópio introduzido pela boca, sem a necessidade de grandes incisões cirúrgicas. Segundo especialistas, o método pode reduzir o tempo de internação, diminuir o risco de complicações pós-operatórias e acelerar a recuperação do paciente.
Procedimento foi realizado em paciente de Tartarugalzinho

O beneficiado foi José Correa, de 71 anos, morador de Tartarugalzinho. Diagnosticado com câncer gástrico há cerca de um ano, ele pôde ser submetido ao procedimento devido à identificação precoce da doença, condição necessária para a indicação da técnica.
A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião geral e endoscopista Kelson Ribeiro, profissional habilitado para o uso de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), dispositivos utilizados em procedimentos de maior complexidade. Nesta primeira intervenção, os materiais necessários foram obtidos por meio de parcerias institucionais.
De acordo com o médico, a detecção do câncer em fase inicial foi determinante para a realização da ressecção endoscópica.
“Esse procedimento só é possível porque o câncer foi identificado em estágio inicial. Com isso, conseguimos retirar completamente o tumor por via endoscópica, preservando o estômago do paciente e evitando uma cirurgia de grande porte”, explicou.
O que é a ressecção endoscópica?
A ressecção endoscópica é indicada para pacientes com câncer gástrico inicial, quando o tumor permanece restrito às camadas superficiais do estômago e não apresenta sinais de disseminação para outros órgãos ou tecidos.
Diferentemente da cirurgia convencional, o procedimento utiliza um equipamento flexível equipado com câmera e instrumentos cirúrgicos, permitindo a remoção da lesão sem abertura do abdômen.
Entre os principais benefícios apontados pela literatura médica estão:
- Menor risco de complicações cirúrgicas;
- Redução da dor pós-operatória;
- Preservação do estômago;
- Menor tempo de internação hospitalar;
- Recuperação mais rápida;
- Retorno antecipado às atividades diárias.
Diagnóstico precoce é fundamental
Especialistas destacam que a eficácia da técnica depende diretamente do diagnóstico precoce do câncer de estômago. Em muitos casos, a doença pode apresentar sintomas discretos ou inespecíficos nos estágios iniciais.
Entre os sinais que merecem atenção estão dores persistentes na região do estômago, perda de peso sem causa aparente, dificuldade para se alimentar, sensação frequente de estômago cheio e episódios de sangramento digestivo.
A orientação é procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes e realizar exames de investigação quando houver indicação profissional.
Ampliação de alternativas terapêuticas
A realização da primeira ressecção endoscópica de câncer gástrico pelo SUS no Amapá amplia as opções de tratamento disponíveis para pacientes diagnosticados precocemente. A expectativa é que a experiência contribua para a consolidação da técnica na rede pública de saúde estadual, ampliando o acesso a procedimentos menos invasivos para casos específicos da doença.
Fotos: Rodrigo Abreu
Com informações da Sesa

