Iepa inicia estudos sobre aparecimento de animais fora do habitat na região do Amapá e ilhas do Pará
Pesquisadores vão investigar registros recentes de mamíferos aquáticos encontrados na foz do Rio Amazonas para compreender as possíveis causas do fenômeno.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) iniciaram estudos para investigar o aparecimento recorrente de animais considerados incomuns na região do Amapá e nas ilhas do Pará. O objetivo é compreender os fatores que podem estar relacionados aos registros recentes de espécies fora de seus habitats mais conhecidos.
O caso mais recente ocorreu no último domingo (20), quando uma fêmea de boto-cor-de-rosa e um filhote recém-nascido foram encontrados mortos às margens do rio Amazonas, entre os bairros Fazendinha e Vale Verde, na Zona Sul de Macapá.
A ocorrência foi atendida por equipes do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, acionadas após moradores informarem sobre a presença dos animais. Em seguida, pesquisadores do Iepa foram chamados para realizar a identificação e o resgate dos exemplares.
Necropsia deve apontar a causa da morte
Segundo o pesquisador Roginey Silva da Silva, cientista ambiental vinculado ao Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamam) do Iepa, a análise inicial não identificou sinais aparentes de interação com atividades humanas.
De acordo com o pesquisador, a fêmea media cerca de 2,25 metros de comprimento e o filhote havia nascido recentemente. A avaliação preliminar indica que os animais podem ter morrido durante o parto, já que não foram observadas evidências de emalhamento em redes de pesca nem sinais de colisão com embarcações.
A confirmação da causa da morte dependerá da necropsia, que será realizada por especialistas do instituto.
Investigação busca entender registros recentes
O médico-veterinário Luiz Sabioni, do Instituto Federal do Amapá (Ifap) e integrante da Rede de Encalhe e Informação de Mamíferos Aquáticos do Norte e Centro-Oeste (Remanor), também participou da ocorrência.
Segundo ele, os registros recentes reforçam a necessidade de estudos mais aprofundados para compreender por que espécies normalmente associadas a outras regiões têm sido encontradas com maior frequência na foz do rio Amazonas.
Os pesquisadores pretendem avaliar fatores ambientais, hidrológicos e biológicos que possam estar relacionados ao deslocamento desses animais.
Registros anteriores chamam a atenção dos pesquisadores
O aparecimento de mamíferos aquáticos de grande porte na região tem sido acompanhado pelo Iepa nos últimos anos.
Em fevereiro de 2026, uma baleia e seu filhote foram encontrados mortos na praia do Goiabal, no município de Calçoene.
Em março de 2026, pesquisadores resgataram um crânio de baleia-cachalote no arquipélago do Bailique. A peça, com aproximadamente 2,20 metros de comprimento, passou a integrar a coleção científica do Iepa para subsidiar pesquisas sobre a fauna marinha na foz do rio Amazonas.
No ano anterior, o instituto também realizou o resgate do esqueleto de uma baleia-sei, de cerca de 16 metros, encontrada na Ilha das Pacas, em Chaves (PA). Outro registro ocorreu na Ilha da Viçosa, também em Chaves, onde foi localizada uma ossada de baleia-de-bryde, com aproximadamente 14 metros de comprimento.
Segundo os pesquisadores, o conjunto desses registros poderá contribuir para ampliar o conhecimento científico sobre a ocorrência de mamíferos aquáticos na região amazônica e identificar possíveis mudanças ambientais que influenciem o deslocamento dessas espécies.
Com informações da Secom

