Amapá lança chamada de R$ 718,9 mil para compra de alimentos da agricultura familiar destinados a escolas indígenas e quilombolas
Investimento vai beneficiar mais de 7,4 mil estudantes da rede estadual, fortalecer produtores locais e ampliar a oferta de alimentos regionais nas comunidades tradicionais
O Governo do Amapá lançou uma chamada pública para a aquisição de alimentos da agricultura familiar que serão destinados à alimentação escolar de estudantes indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais da rede estadual de ensino. A iniciativa prevê um investimento de R$ 718.985,28 e deve beneficiar 7.411 estudantes de 77 escolas estaduais.
O lançamento ocorreu na sexta-feira (31), na Escola Quilombola Estadual Daniel de Carvalho, na comunidade Santo Antônio da Pedreira, em Macapá. A ação é coordenada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) e utiliza recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que não haviam sido executados em anos anteriores.
Além de ampliar a oferta de alimentos frescos e regionais nas escolas, a proposta busca fortalecer a agricultura familiar, gerar renda para produtores locais e valorizar os hábitos alimentares das comunidades tradicionais.
Alimentação escolar alinhada à cultura das comunidades
Segundo a Seed, a chamada pública pretende aproximar o cardápio escolar da realidade alimentar dos estudantes, incluindo produtos tradicionalmente consumidos nas regiões onde vivem.
Entre os alimentos previstos estão peixe regional, açaí, bacaba, farinha de mandioca, macaxeira, frutas, hortaliças, castanha-do-pará, ovos, galinha caipira e polpas de frutas.
De acordo com o secretário adjunto de Políticas de Educação, Cleiberton Souza, a iniciativa busca oferecer uma alimentação mais próxima da cultura local.
“Além de garantir uma alimentação saudável, estamos levando para a escola alimentos que fazem parte da rotina e da cultura dos alunos, como peixe, açaí, bacaba, farinha e frutas locais”, destacou.
Compra direta fortalece agricultores e reduz desperdícios
A compra direta da produção da agricultura familiar também pretende melhorar as condições de comercialização dos produtores, reduzindo a dependência de intermediários e evitando perdas de alimentos.
Presidente da Associação dos Moradores e Agricultores da Comunidade da Ressaca da Pedreira (Amacrep), João Décio Sousa Lima afirmou que muitos agricultores enfrentavam dificuldades para comercializar a produção.
Segundo ele, era comum que parte dos alimentos retornasse das feiras sem compradores, resultando em desperdício e prejuízos para as famílias produtoras. Com a chamada pública, a expectativa é ampliar a renda e dar mais segurança à produção.
O agricultor João Reginaldo, do Assentamento Santo Antônio da Pedreira, também considera a iniciativa uma oportunidade para fortalecer a economia das famílias que vivem da agricultura.
Mais de 100 toneladas de alimentos previstas
A chamada pública contempla a aquisição de 33 tipos de produtos, respeitando a sazonalidade e a disponibilidade de cada região.
Entre os volumes previstos estão:
- 38 toneladas de frutas;
- 22 toneladas de legumes;
- 21 mil maços de verduras;
- 9 toneladas de polpas de frutas;
- 15 mil litros de açaí e bacaba;
- 7 toneladas de farinhas;
- 1,8 tonelada de castanha-do-pará;
- 14,8 toneladas de proteínas;
- 37 mil ovos.
Escolas indígenas e quilombolas serão atendidas
Os alimentos serão distribuídos para 24 escolas quilombolas, localizadas em Macapá e Santana, e 53 escolas indígenas nos municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Oiapoque.
As unidades atendem estudantes das etnias Waiãpi, Tiriyó, Apalai, Palikur, Karipuna e Galibi Marworno.
Segundo o Governo do Amapá, além de garantir alimentos frescos e nutritivos, a iniciativa busca respeitar os costumes alimentares das comunidades atendidas e incentivar a produção local.
A chamada pública terá vigência de 12 meses, permitindo o fornecimento contínuo dos alimentos da agricultura familiar às escolas contempladas.
Com informações da Secom

