Criador da internet expressa preocupações quanto ao futuro da rede

Berners-Lee criou a estrutura da internet como a conhecemos. Foto: Reprodução

No último sábado (11), data que marcou o vigésimo oitavo aniversário do dia em que Tim Berners-Lee submeteu sua proposta para o que viraria a World Wide Web, o “pai” da rede divulgou uma carta em que demonstra preocupações quanto ao futuro da tecnologia. No entanto, ele não é totalmente pessimista e também sugere soluções para aquilo que vê como problemas.

Berners-Lee ainda é um dos dirigentes do World Wide Web Consortium, o que significa que ele tem grande influência sobre os padrões comuns adotados pela internet. Embora algumas das questões apontadas não sejam novas, ele afirma que está “especialmente preocupado com três novas tendências”.

Entre os pontos que o preocupam está a perda de controle sobre dados pessoais, que podem ser usados tanto por governos quanto empresas privadas de maneiras que não ficam claras. Ele também acredita que a facilidade de espalhar notícias falsas graças à existência de “bolhas sociais” e de “exércitos de bots” é algo que merece bastante atenção.

Em um campo associado, ele também se preocupa com a capacidade que políticos têm em criar narrativas específicas para cada grupo, sem que fique claro que esses conteúdos se tratam de propagandas. Ele acredita que a falta de transparência é algo que pode ameaçar instituições democráticas e esconder qual a mensagem real de uma pessoa em cargo de poder.

Soluções

Berners-Lee reconhece que todas essas questões são bastante complexas e que não há uma “resposta pronta” para nenhuma delas. No entanto, isso não o impediu de pensar em algumas soluções, como “Pods de dados” que permitiram a pessoas ter mais controle sobre seus dados e revogar o acesso de corporações como o Facebook a eles.

Além disso, ele vê o uso de sistemas de assinatura e de micropagamentos como soluções para a sustentabilidade de publicações e meios dependentes da publicidade. Ele acredita que isso permitiria diminuir um pouco a dependência de grandes quantidades de acesso e do uso de dados de assinantes como ferramentas de marketing.

Berners-Lee também defende o uso de processos judiciários contra entidades governamentais e que usuários cobrem empresas como o Google e o Facebook a reforçar a luta contra notícias falsas. Por fim, ele acredita que uma maior transparência sobre a maneira como algoritmos afetam nossa vida e uma maior quantidade de regulações sobre campanhas políticas podem ajudar a termos uma internet mais democrática.

 

TecMundo

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