Boêmios do Laguinho ganha festa na Mãe Luzia para celebrar seus 66 anos

A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho completa hoje, 2 de janeiro, 66 anos, e ganha homenagem de um dos fundadores e amigos. Francisco Lino da Silva, o presidente de honra da Nação Negra vai reunir carnavalescos e  boemistas em sua casa, para uma festa ao redor de uma roda de samba com vários sambistas para prestar a homenagem à agremiação. A programação inicia às 17h, na avenida Mãe Luzia, no bairro Laguinho. A entrada é franca, apenas a cerveja será comercializada para arrecadar recursos para o pagamento de débitos em nome de Boêmios do Laguinho

Francisco Lino é um dos boêmios que no ano de 1954, no pátio da casa de Benedito  Silva, o seu Biluca, que hoje está com 104 anos, reuniu para fundar a primeira  escola de samba de Macapá. Cabecinha, Mestre Falconery, Joaquim Ramos, Chicão Ramos, Ubiraci Picanço, Nonato Sena, Matapi, Martinho Ramos, elegeram Benendito dos Passos, Mestre Bené, para ser o primeiro presidente. O nome escolhido identificava os pioneiros, que gostavam de dedicar as noites para as rodas de samba, e de sair batucando pelas ruas do bairro, o que deu origem do carnaval organizado no Amapá.

Celeiro de sambistas e profissionais do carnaval amapaense, Boêmios do Laguinho foi o berço de celebridades como Tia Fé, a primeira costureira da agremiação, Falconery, mestre sala, Raimunda Lina, porta bandeira, Alemão, carnavalesco, entre outras personalidades a exemplo de Raimundinha Ramos, Alice Gorda, Amujaci, Leonai Garcia, Darcimam, Paulino Ramos, já imortalizados por seus talentos e paixão pela Nação Negra. Campeã de títulos no carnaval tucuju, Boêmios caminha há mais de seis décadas ainda como referência em inovações e valorização, e Francisco Lino, aos 84 anos é um dos boemistas que incentiva o respeito por quem tem trajetória na Universidade de Samba e ajudou a escrever sua história.

A ideia de fazer a homenagem surgiu do Menestrel Francisco Lino, e foi apoiada por amigos e companheiros que hoje trabalham para pagar uma dívida trabalhista de Boêmios do Laguinho, que foi parar na justiça. Eles promovem bingos e festas para arrecadar recursos e saldar o acordo assumido por Lino, que evitou que a sede da agremiação fosse à leilão. Grupos de samba, carnavalescos, sambistas, escolas de samba, intérpretes, passistas, confirmaram presença neste fim de tarde, para a homenagem à Boêmios do Laguinho, em que o valor arrecadado será utilizado para quitar mais uma parcela do acordo.

“Vamos festejar onde tudo começou, na avenida Mãe Luzia, que era minha avó, parteira de Macapá, que foi homenageada com o nome desta rua, onde ainda hoje moro com minha família. O encontro é para homenagear nossa Universidade com uma grande tarde e noite de muito samba, mas tem também o objetivo de limpar o nome de Boêmios do Laguinho. Qualquer pessoa é bem-vinda nesta festa popular, que resgata o início de Boêmios, nascido nas ruas do bairro do Laguinho e fundado em um pátio na Mãe Luzia”, disse Francisco Lino.

Mariléia Maciel

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