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Moradores da Ilha de Marajó recebem cestas básicas e navio da Caixa

Em Chaves, beneficiários puderam sacar auxílio em navio atracado

Demorou, mas elas chegaram ao seu destino. Depois de dois dias de navio e mais um domingo inteiro para descarregá-las e desinfectá-las, as mais de 15 mil cestas básicas doadas pela rede Carrefour a famílias pobres dos municípios paraenses de Afuá (40 mil habitantes) e Chaves (23 mil habitantes) começaram a ser entregues na tarde desta segunda-feira (15).

Foi difícil, mas ela também veio. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, era esperada desde as primeiras horas da manhã para dar o pontapé inicial às entregas. Uma tempestade impediu o pouso em Afuá nas primeiras horas do dia. À tarde, com segurança, a ministra aterrizou no pequeno município ao norte da Ilha do Marajó, porém, teve que cancelar as visitas que faria a Chaves e a Muaná (40 mil habitantes).

Afuá recebeu pela primeira vez a visita de um ministro de estado. Recebida com fogos e faixas, a ministra foi de bicitáxi (na cidade não é permitido veículos motorizados) do aeródromo até o Navio Auxiliar Pará, que cruzou a bacia amazônica com as cestas básicas.

“Construímos um grande projeto para Chaves e Afuá. O coronavírus apenas interrompeu por um tempo o sonho que temos de transformar o Marajó numa região mais próspera. Estar aqui é uma obrigação do governo federal. Não estamos fazendo politicagem. O projeto ‘Abrace o Marajó’ vem para realizar o sonho desse povo” , enfatizou a ministra em seu discurso, ao citar o programa que visa melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano dos marajoaras.

Navio da Caixa
Em Chaves, cidade vizinha a Afuá, nesta segunda-feira, um navio da Caixa Econômica Federal atracou temporariamente, já que no local não há sequer agências lotéricas, o que impossibilita o saque de qualquer benefício social. E nesta terça-feira (16), as cestas básicas serão descarregas pela Marinha no município que tem o sexto pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil.

Entre 3 e 10 de agosto, um navio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegará a Afuá. Segundo Leonardo Rolim, presidente do instituto, os postos flutuantes do INSS percorrem 11 das 16 cidades da Ilha do Marajó, ficando uma semana em cada uma.

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Coletes
Além disso, a capitania dos portos do Amapá fez a entrega de 150 coletes salva-vidas, item de segurança fundamental para quem mora na região. A maioria das rabetas (barcos com motor na popa) passa pelos trapiches de Afuá sem que ninguém esteja vestindo o colete. “Um colete dura em torno de dois a três anos, depois tem que trocá-lo, e o preço médio varia de R$ 40 a R$ 80. Eles não compram. Então, além da doação, a Marinha faz a conscientização da sua importância” – explicou o capitão-tenente Ícaro de Jesus.

Palafitas
No bairro mais pobre de Afuá, Capim Marinho, bem ao lado do aeródromo onde a ministra desembarcou, foi um dia normal. As crianças – sem aulas há três meses por causa da pandemia do novo coronavírus – saltavam das pontes para nadar nos igarapés. Brincadeira normal, não fosse o fato de os igarapés serem o local onde todas os banheiros (casinhas de madeira com um buraco no chão) despejam livremente os dejetos dos moradores.

A maioria dos 8.000 beneficiários do Bolsa Família da cidade está situada neste bairro. Com o dinheiro, os ribeirinhos alugam um cômodo de madeira, que serve de quarto, sala e cozinha, por 350 reais e, todas as casas de um mesmo terreno, dividem o único banheiro. “Aqui é tipo uma invasão, mesmo assim pagamos um horror de energia elétrica. Ainda bem que consegui o auxílio emergencial de 1.200 reais, a cesta básica e um kit de alimentação” – conta Maria Darléia Pantoja, que vive com os três filhos e o marido na palafita.

O marido de 35 anos, Abinaal Souza de Freitas, pegou covid-19. “Já peguei o corona, mas graças a Deus não deu muito forte. Já estava há 15 dias sentindo sintomas, mas continuei trabalhando [numa madeireira] até não aguentar mais” – diz, acrescentando que na sua palafita de um único cômodo, por questões óbvias, não fez isolamento. “Se tiver que pegar, nós já pegamos, não vai ter esse negócio aqui em casa não”, resumiu.

Na região do Brasil onde a produção de açaí, a pesca do camarão, a extração de palmito e as serrarias são as principais atividades econômicas, o povo sonha com a implantação das ações do programa “Abrace o Marajó”, interrompido por uma pandemia que, fora os agentes da prefeitura, ninguém leva muito a sério na cidade.

EBC

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