Ingestão de antibióticos na gravidez ou no início da infância pode afetar cérebro

O contato com esses medicamentos na fase fetal e na infância é relacionado a alterações no desenvolvimento de áreas ligadas à memória e a reações emocionais. Há o risco de o efeito observado em ratos acometer também os humanos, segundo cientistas americanos

A ingestão de antibióticos na gravidez ou bem no começo da infância, o que acontece, por exemplo, com prematuros, pode afetar o desenvolvimento do cérebro, segundo pesquisadores americanos. Em um estudo feito com ratos, os especialistas observaram que a exposição a essa classe de medicamentos ainda no útero ou após o nascimento está ligada ao desencadeamento de distúrbios cerebrais na infância. As descobertas foram apresentadas na última edição da revista especializada EScience e corroboram a necessidade de reduzir o uso generalizado desses remédios e a importância de investir em alternativas viáveis para prevenir problemas de neurodesenvolvimento.

“Em trabalhos anteriores, observamos que a exposição de animais jovens a antibióticos alterava o metabolismo e a imunidade. Foi o que nos motivou a avaliar esse tema mais a fundo e a realizar uma análise com foco no início da vida”, relata, em comunicado, Martin Blaser, autor principal da pesquisa e diretor do Centro de Biotecnologia e Medicina Avançada da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.

Para avaliar melhor o tema, Blaser e sua equipe compararam ratos que foram expostos a baixas doses de penicilina no útero ou imediatamente após o nascimento com cobaias que não tiveram contato com a medicação. A penicilina está entre os antibióticos mais usadas na infância no mundo, junto com a ampicilina e a amoxicilina. “Nos Estados Unidos, uma criança recebe, em média, quase três ciclos (tratamento contínuo por semanas ou meses) de uso de antibióticos antes dos 2 anos de idade. Taxas de exposição semelhantes ou maiores ocorrem em muitos outros países”, diz Blaser.

Veja também:
Métodos eficazes Como Ganhar Seguidores no Instagram
Sine Amapá oferta vagas de emprego em mais de 10 áreas para o dia 20 de julho
Novo ensino médio será adotado a partir de 2022

Nas análises das cobaias, a equipe descobriu que os camundongos que receberam penicilina experimentaram mudanças substanciais na microbiota intestinal e apresentaram alterações na expressão gênica (alterações de DNA) no córtex frontal e na amígdala, duas áreas-chave do cérebro, responsáveis pelo desenvolvimento da memória e pelas respostas ao medo e ao estresse, entre outras funções. “O estudo sugere que a penicilina muda o microbioma, os trilhões de micro-organismos benéficos que vivem dentro do nosso corpo, bem como a expressão gênica de áreas cerebrais essenciais para o desenvolvimento da criança”, enfatiza a equipe.

Os autores relatam que, nos últimos anos, surgiram diversas evidências que relacionam alterações no trato intestinal com mudanças no cérebro, um campo de estudo conhecido como “eixo intestino-cérebro”. Para eles, se essa via for perturbada, pode haver alteração permanente da estrutura e da função do cérebro e, possivelmente, gerar distúrbios neuropsiquiátricos ou neurodegenerativos no fim da infância e na idade adulta.

“O início da vida é um período crítico para o neurodesenvolvimento. Nas últimas décadas, tem havido um aumento na incidência de problemas do neurodesenvolvimento infantil, incluindo o transtorno do espectro do autismo, o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dificuldades de aprendizagem. Embora tenhamos registrado um aumento de atenção dos pais quanto a esses problemas de saúde e melhores diagnósticos, que, provavelmente, são fatores contribuintes para esse novo cenário, interrupções na expressão dos genes cerebrais no início do desenvolvimento também podem ser responsáveis por essas mudanças”, avalia Blaser.

Veja mais no Estado de Minas

Para adquirir o e-book "Fotografia da Amazônia" basta contactar o fotógrafo pelo WhatsApp no (96) 3333-4579. A coletânea está no valor de R$ 30.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: