Kitanda da Miranda: a trajetória e o brilhantismo do empreendedorismo da mulher amapaense

Ao longo de cinco anos de existência, a empresa que foi criada pela jovem Anna Carolina foi do delivery de salada de frutas, crescimento, crise na pandemia a um ponto privilegiado na orla da cidade com um dos cardápios mais queridos pelos amapaenses.

Por Lívia Almeida*

Há cinco anos, na cozinha de uma casa no residencial São José, no bairro Buritizal, nascia a Kitanda da Miranda. O sonho de empreender da jovem Anna Carolina Gomes, que na época tinha apenas 20 anos, começava ali. O pequeno negócio começou com a venda de salada de frutas e sorvetes através de delivery e aos poucos, sentiu-se a necessidade de ampliar os produtos, então deu-se início a venda de lanches, a exemplo da tapioquinha.

Segundo relembra Anna Carolina: “A Kitanda surgiu há cinco anos, no dia 10 de abril de 2016, com a ideia de montar um espaço que trabalhasse com produtos 100% naturais. E ela surgiu primeiramente como uma salada de frutas e aí nós éramos um delivery que trabalhava com salada de frutas, sorvete 100% natural, como a gente trabalha até hoje e daí foi só crescendo. Depois fomos pros lanches e depois viramos gelateria. Hoje nós somos gelateria, mas permanecemos com a salada de frutas e os lanches, além de drinks, que são todos nessa pegada natural, amazônica”.

Anna Carolina, proprietária da Kitanda da Miranda.

No começo, Carolina conta que passou por muitos desafios, como improvisar a casa onde morava, devido à necessidade de espaço: “Nós começamos na cozinha de casa, eu transformei o meu apartamento na sede da Kitanda. Eu já não tinha mais casa, só usava o meu quarto e o restante da casa, a sala era escritório, a sala e a cozinha eram aonde a gente produzia tudo”. Além disso, por contar com a ajuda de apenas uma pessoa além dela, a dupla precisava se equilibrar entre fazer os produtos, divulgar o negócio e entregar. “Além de fazer a venda na rede social, produzir, a gente ainda tinha que fazer a entrega. E foi bem difícil, tivemos que ir engatinhando”, destaca a empreendedora. No entanto, mesmo no começo, a Kitanda já contava com uma clientela generosa, devido a qualidade dos produtos, de acordo com Carolina: “Como o produto sempre foi com uma qualidade muito boa, a gente sempre teve muitos clientes e a demanda ia só aumentando”.


No ano de 2017, a Kitanda da Miranda recebeu um convite inesperado, que marca até hoje a proprietária. “A gente recebeu a proposta de ter um ponto fixo, que era uma parceria com o Sankofa e eles cediam, durante o dia, o espaço pra gente montar a Kitanda. Então, o primeiro espaço físico da Kitanda aconteceu no Sankofa, que era orla do Santa Inês e bem localizado. E essa foi uma das coisas que mais marcou, esse primeiro passo de ter um ponto físico”. Com a mudança, os clientes de longa data puderam conhecer de perto o empreendimento e vice-versa: “Foi a primeira vez que a gente teve a oportunidade de conhecer os nossos clientes pessoalmente, quando a gente divulgou que a gente tinha um ponto fixo foi o boom, os clientes começaram a procurar, começaram a ir, conhecer”, relata Carol.


Quando perguntada como avalia o crescimento da Kitanda, Carolina declara que a empresa sempre esteve em crescimento e ainda enxerga potencial em seu negócio. “Eu vejo a Kitanda como uma empresa com um potencial imenso. Ela é uma empresa que sempre se pagou, sempre foi crescendo. Começou com salada de frutas e deu muito certo, veio os lanches e deu muito certo, nós colocamos o sorvete e deu muito certo. Então, ela sempre vem com essa crescente desde o início, desde a salada de frutas até hoje com os lanches, os drinks”.

Drinks estão entre os mais pedidos do cardápio.

Crise
Quando a Kitanda estava em pleno funcionamento, com grande movimento de clientes, ponto próprio, veio o apagão, que trouxe danos irreparáveis à população amapaense, e em seguida, a pandemia de covid-19, que fez todo o comércio local fechar as portas. A Kitanda teve um grande prejuízo, além de perda de material, eletrodomésticos queimaram, a empresa se viu em um momento de crise. “Durante o apagão a gente perdeu absolutamente tudo. Sorvetes, picolés. A gente tava com uma ação pra distribuir sorvetes pra crianças carentes e dos nossos sorvetes que iam pra doação, a gente perdeu tudo. Perdemos mais de R$ 8 mil reais em produtos”, lamenta Anna Carolina.

Na época, a empresa contava com oito colaboradores, a maioria foi dispensada, devido as perdas financeiras, que até hoje afetam a Kitanda, afima Carol: “Apesar do crescimento da Kitanda, nesses últimos anos a gente vem enfrentando uma dificuldade, que é a pandemia (de covid-19), o apagão. Então foram crises que até hoje a gente ainda tá se recuperando e que agora com a vacinação, com as pessoas retomando essa confiança de frequentar os lugares, é que a gente retomando também a confiança dos nossos clientes. Mas até então tava indo tudo muito bem e quando teve esse período de pandemia, mais o apagão, que a gente perdeu tudo, foi bem difícil pra gente se restabelecer dentro dessas dificuldades que a gente passou e que aconteceram não só com a gente, mas com vários outros empreendimentos”.

Retomando a rotina
Como bem ressaltado por Carol, a Kitanda vem conseguindo se recuperar aos poucos e retomar a rotina a ponto de oferecer qualidade em seus produtos, além de um ambiente convidativo. Segundo Carol, a Kitanda tem seu diferencial: “Hoje a Kitanda é uma gelateria. Saímos do nosso ponto do Santa Inês, que era no Sankofa, e viemos pra um ponto nosso, um ponto que é público, cedido pela prefeitura e isso é muito importante ressaltar porque a gente trabalha em um ponto público e a gente tenta levar uma coisa de qualidade para as pessoas. Então (o local) fica na orla da cidade, num complexo de restaurantes e o nosso diferencial é a qualidade. Porque a gente entrega pros nossos clientes uma salada com um iogurte 100% natural, um sorvete 70% fruta sem gordura hidrogenada, de extrema qualidade. A gente entrega lanches e drinks que são feitos na hora. É por isso que a gente possui diferencial. A gente tem clientes que frequentam aqui que vieram lá do delivery, foram pro nosso ponto antigo e hoje frequentam aqui com a gente, então a gente consegue fidelizar os nossos clientes através do nosso excelente atendimento e qualidade.

Quinta Cultural

Projeto “Quinta Cultural”, que conta com programação cultural de forma gratuita.

Outro ponto alto da gelateria é uma programação gratuita que acontece às quintas-feiras, com apresentações de músicos, exposições, valorizando a cultura local e oferecendo mais uma opção de lazer aos amapaenses. “Além do cardápio e da vista maravilhosa que tem na orla da cidade, o rio Amazonas, a Kitanda toda quinta-feira oferece um projeto, que é o “Quinta Cultural”, que traz artistas locais, cantores, pintores, uma série de artistas, pra mostrar o seu trabalho nessa noite. Os artistas vêm, se apresentam e a gente entrega pra sociedade de forma gratuita. É a nossa contrapartida enquanto empresa, apesar de sermos uma empresa pequena, que não tem muito recurso pra investir, mas a gente faz questão de dar essa contrapartida”, explica Anna.

Os favoritos

Sundae, um dos mais pedidos pelos clientes da Kitanda.

Quando se trata de pratos favoritos pela clientela, a Kitanda da Miranda tem grande aceitação, mas segundo a proprietária, “os que fazem mais sucesso são: “a salada de frutas, que é com iogurte 100% natural, o cliente pode escolher as frutas que ele quer na salada dele, os adicionais que ele quer colocar e a gente monta numa cuia de barro, que é feita pelas louceiras do Maruanum e é servido de forma bem regional. E o segundo produto é o milk-shake que vem com um donuts em cima, recheado e é um dos nossos carros-chefe. E hoje o nosso mais novo produto, que tem recorde de vendas é o sundae, que é uma taça com borda de chocolate, com frutas, cascão em cima e três bolas de sorvete”. Carolina também aproveita pra lembrar que “além de ser um produto de qualidade, o valor é acessível”.

Valorização
Após passar pelo apagão e pela pandemia de covid-19, o empreendimento atualmente conta com cinco colaboradores. Segundo Anna Carolina, a empresa incentiva o crescimento profissional de todos que colabram na empresa através de cursos realizados pela Kitanda, a exemplo de produção de gelados, dentre outros. Para Anna Carolina, esta é uma forma de valorizar e somar na carreira profissional dos colaboradores da Kitanda. “Os nossos colaboradores entram aqui pra uma função e ao longo dos meses, a gente treina eles pra assumir outras demandas. Então, ás vezes a pessoa entra como atendente e a gente passa o curso de atendimento ao cliente, de marketing pessoal, marketing empresarial, curso de bartender, curso de produção de gelados. Os nossos funcionários entram aqui, ás vezes, sem nenhuma experiência e saem daqui podendo ser um bartender depois, ou podendo trabalhar em qualquer outra sorveteria da cidade, porque eles vão aprender no curso (de manipulação de gelados), dentro da Kitanda, a manipular o sorvete. E isso é muito importante também, ter essa responsabilidade com as pessoas que trabalham com a gente e a ideia é sempre expandir, sempre passar outros cursos e isso vai entrando pro currículo deles como experiência e quando eles saem daqui, sempre conseguem empregos bons em outrs lugares porque eles aprendem a fazer outras coisas porque a gente tem essa responsabilidade de sempre dar cursos e é o mínimo que a gente pode fazer por eles”.

Festival de Sorvete

Taça decorada.

Para comemorar os seis anos de existência da Kitanda da Miranda, está em curso um projeto para a execução do Festival de Sorvete, que deverá ser feito em parceria com outras empresas do ramo, como conta Anna Carolina: “Nós estamos trabalhando na organização de um festival de sorvete, que vai englobar todas as sorveterias que estão próximas a nós. Vamos sentar pra conversar, fortalecer essa ideia e a gente vai tentar jogar pra esse período do aniversário da Kitanda, que é pra mostrar pra sociedade que aqui na orla não tem só a Kitanda da Miranda, que tem outras sorveterias, que tem outros tipos de sorvetes que são vendidos aqui e que é importante que a sociedade descubra e venha ver. Isso sempre com muita música”.

Projetos para o futuro
Em face de todo sucesso que a Kitanda tem em Macapá, os planos futuros para o empreendimento podem ser resumidos em ampliação, novos voos e cooperação. Isto porque, Anna Carolinna planeja criar um local mais confortável e seguro para os clientes, além de montar uma nova Kitanda em outra região e ainda tem uma série audiovisual pensada para as rede sociais, com objetivo de ajudar mulheres a empreender e ter sucesso no mundo dos negócios. “Os projetos da Kitanda não englobam só Macapá, estamos com a perspectiva de montar uma outra empresa no Nordeste, pra trabalhar só com produtos amazônicos: polpas, suco, sorvetes. Esse é um projeto que a gente está amadurecendo ao longo desse ano que a gente tá passando, está esperando passar mais esse período de pandemia, que tenham mais pessoas vacinadas. E também montar uma Kitanda mais gourmetizada, uma Kitanda num espaço fechado, climatizado, com um pouco mais de conforto e segurança para os nossos clientes. Trazer também artistas de grande porte aqui do estado pra tocar na “Quinta Cultural”. A ideia é que conforme o tempo vai passando, o nosso fluxo vai melhorando e o que a gente pode oferecer pra sociedade vai melhorar.

Para além da Kitanda, da “Quinta Cultural”, a Kitanda também tem um projeto que se chama “Caboca Empreendedora”, que leva informações sobre empreendedorismo e autonomia financeira pra mulher. É uma série de vídeos, é um projeto audiovisual, onde a gente traz nesses vídeos entrevistas com advogadas, contadoras, psicólogas, com outras empreendedoras e leva praquela mulher – que ás vezes está começando um negócio – várias informações que vão ajudá-la a montar o próprio negócio, a conquistar a autonomia financeira dela. Esse é um projeto que eu fico muito feliz de compartilhar com as pessoas porque eu, enquanto mulher, empreendedora, que comecei há cinco anos, eu não sabia nada. Não sabia como abria uma empresa, não sabia que órgão eu procurava pra me legalizar e hoje eu quero levar essas informações pra essas mulheres pra que elas não passem o mesmo perrengue que eu passei pra abrir a Kitanda. A gente vai ensinar o caminho das pedras pra que ela possa de maneira mais rápida abrir o negócio dela, começar a trabalhar, conquistar a autonomia financeira dela e começar a ganhar dinheiro. Esse é um dos projetos da Kitanda da Miranda.

Quer conhecer a Kitanda da Miranda? A gelateria fica localizada na Praça Beira Rio, na frente da cidade de Macapá.

Redes Sociais: Facebook e Instagram.

*Texto publicitário.

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