Tempestade de terra em Ribeirão Preto e Franca: o que se sabe até o momento?

Nos últimos anos, principalmente depois dos anos 2000, muito é discutido sobre a questão ambiental, do aquecimento global e das mudanças climáticas.

No início do milênio, o assunto ainda era visto como uma pauta de ‘’ecochatos’’ e que as mudanças climáticas não impactariam a vida da sociedade de maneira direta.

Isso é o que pensávamos até pouco mais de uma década atrás, porém, anos de desmatamento, poluição e liberação de gases do efeito estufa cobram a conta, mais cedo ou mais tarde.

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É necessário que se faça este adendo pois, ano após ano, as mudanças climáticas, o consumo consciente e a preocupação com o meio-ambiente se tornam assuntos cada vez mais recorrentes nas redações de vestibular.

Contudo, o foco da reportagem de hoje serão as tempestades de areia vistas no interior do estado de São Paulo, em cidades como Franca e Ribeirão Preto.

Como esta tempestade de areia surgiu? De onde ela veio e por qual razão o clima anda desta forma nos últimos meses?

A tempestade é um fenômeno completamente natural

A primeira constatação que é necessária de se realizar é que este tipo de tempestade de areia é um fenômeno inteiramente natural, contudo, aparenta ser relativamente raro no Brasil devido às condições climáticas específicas do país.

De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul, em entrevista para a Globo em seu portal Um Só Planeta, a cena é comum em países asiáticos, onde este fenômeno é denominado ‘’haboob’’.

Ainda segundo a meteorologista, este fenômeno ocorre em casos de temporais chuvosos acompanhados de ventos fortes. Este tipo de situação é propícia para retirada de partículas do solo seco, como:

  1. Resíduos de queimadas
  2. Terra
  3. Poeira
  4. Vegetação

Um quadro que pode favorecer a ocorrência e o aparecimento de futuras tempestades de areia são os dias quentes e muito secos.

Como o interior de São Paulo, em Ribeirão Preto e região estão acostumados com dias assim, é possível que futuramente novos eventos deste venham a ocorrer, contudo, não em um futuro próximo.

Além disso, vale ressaltar que a questão climática no país é totalmente relacionada com a gestão pública e atuação do governo na questão ambiental. Ou seja, o regime de queimadas e desmatamento ao redor do país, certamente traz impactos para o ambiente e para o clima.

Estas tempestades estão ligadas ao desmatamento

Conforme reportagem publicada na BBC, o desmatamento e o modelo agrícola atual favorecem o aparecimento e a ocorrência deste tipo de tempestade de poeira ou areia.

Segundo Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite de Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a tempestade foi diretamente causada por uma combinação de três fatores:

  1. Ventos fortes
  2. Secas
  3. Solos desprotegidos

Ainda de acordo com o pesquisador da UFAL, a tempestade de poeira se formou ao final do período de secas, quando muitos agricultores e fazendeiros ‘’deixam o solo nu’’ para iniciar outro ciclo no plantio durante o período de chuvas.

Humberto ainda diz que a forte ventania acabou causando uma erosão eólica na região, que não removeu apenas terra e poeira do solo, mas também resíduos de queimadas recentes, como também confirmado pela meteorologista do MetSul.

Ao contrário do que diz a entidade que representa os agricultores, que defendem que a nuvem se formou devido a seca excepcional e a incêndios acidentais, pesquisadores afirmam que a ligação da tempestade com a degradação do solo é nítida.

Pequena cobertura de vegetação nativa na região da tempestade

De acordo com reportagem publicada na BBC, há dois dias (28/09), o Relatório de Qualidade Ambiental de 2020, realizado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo todos os anos, mostra que resta pouca vegetação nativa na região da tempestade.

Este relatório agrupa todos os municípios do estado de São Paulo em vinte e duas unidades hidrográficas e, de acordo com o relatório, Ribeirão Preto, Franca e Barretos apresentam os menores índices de cobertura vegetal nativa de todo o estado: 13.29%, 10.83% e 5.52%, respectivamente.

Logo, é essencial ressaltar também que a postura da sociedade com o meio-ambiente é responsável pela ocorrência e aparecimento de fenômenos destas origens, o que evidencia ainda mais a urgência de se debater modelos sustentáveis para a agropecuária.

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