Dia do Maretório pelo Clima é realizado no Pará

As comunidades de Reservas Extrativistas (Resex) Marinhas do Pará realizam no próximo sábado (18) e domingo (19) o Dia do Maretório pelo Clima, uma mobilização que busca conscientizar sobre a importância das comunidades que residem próximo às áreas de mangue e que mantêm estas Unidades de Conservação – essenciais para o uso consciente dos bens naturais e a segurança climática. A realização é da Associações de Usuários das Reservas Extrativistas Marinhas do Pará (Aurems) com apoio da Rare Brasil e do Fundo Casa Socioambiental. 

A programação do “Dia do Maretório pelo Clima” terá ações de sensibilização nas 12 Resex paraenses: Soure, Mocapajuba (São Caetano de Odivelas), Mãe Grande de Curuçá (Curuçá), São João da Ponta, Mestre Lucindo (Marapanim), Cuinarana (Magalhães Barata), Maracanã, Tracuateua, Caeté-Taperaçu (Bragança), Araí-Peroba (Augusto Corrêa) e Gurupi-Piriá (Viseu). As atividades incluem a distribuição de material educativo, palestras em escolas, mutirão de limpeza de praias e exposição, 1º Luau no Lance do Clima (Resex Cuiarana), 1º Pescando Consciência sobre o Clima (Resex Mestre Lucindo) e Ciclima: Ciclistas em favor do clima (Resex Mocapajuba – São Caetano de Odivelas).

Durante os eventos, que ocorrem de forma simultânea nas Resex e também de forma virtual, será lançado o “Manifesto do Maretório” e vídeo especial sobre mudanças climáticas e o maretório, conteúdos que estarão disponíveis nas redes sociais da Rare Brasil. Somado a isso, serão realizadas também aulas virtuais sobre a pauta climática especialmente para mulheres e jovens. O Maretório é um termo que demarca um território em que as marés são predominantes e a vida gira em torno deste ambiente costeiro e marinho; no Pará, as associações de comunidades que habitam esses territórios usam esta palavra para fortalecer as suas pautas.

Agenda sobre mudanças climáticas 

O objetivo é compartilhar com as comunidades a agenda sobre o aumento da temperatura global causado pela emissão de gases do efeito estufa, dentre eles o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera. Isso provoca desastres ambientais drásticos em diversas partes do planeta – sendo um dos assuntos mais urgentes para a justiça climática e combate às desigualdades sociais. Em novembro, durante a COP 26 em Glasgow, na Escócia, o assunto foi vastamente discutido, com a presença de povos da Amazônia, já que o alerta apontado no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) é de que a temperatura global deverá subir em 1,5 °C a 2 °C nas próximas décadas.

Os manguezais atuam na redução do CO2 responsável pelo aquecimento global, pois o solo desses ecossistemas armazena até cinco vezes mais este gás do que as florestas tropicais, contribuindo significativamente para a regulação do clima no planeta, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Além disso, o ecossistema do mangue é conhecido por ser a “maternidade” da vida marinha, onde várias espécies de peixes, aves e mamíferos se reproduzem, e servem como proteção às costas litorâneas contra tempestades, tsunamis e aumento do nível do mar. 

“É diante dessa importância que extrativistas costeiros e marinhos, os guardiões e guardiãs dos manguezais amazônicos, se unem em um esforço inédito para compreender a percepção e estado de vulnerabilidade frente aos riscos climáticos das famílias do litoral”, afirma Sandra Regina Pereira Gonçalves, liderança extrativista. “Quando a gente fala do clima a gente precisa falar do todo. De como nós humanos interferimos na natureza”, completa.

“No cenário atual de crise anunciada, comunidades e povos tradicionais e originários estão na linha de frente dos impactos, ao mesmo tempo que têm um papel fundamental de cuidar das áreas que regulam o clima no planeta, que são as florestas e os oceanos”, explica Bruna Martins, gerente do programa Pesca Para Sempre, da Rare Brasil. 

Manguezais

No litoral do Pará, aproximadamente 18 mil famílias (Ministério do Meio Ambiente, 2018) vivem e tem seu modo de vida relacionado aos manguezais, a região norte abriga a maior e mais preservada área contínua de manguezais do mundo. O estado do Pará possui 28% dos manguezais do Brasil, e a área é a mais preservada por conta das 12 UCs federais, as Reservas Extrativistas. 

Para adquirir o e-book "Fotografia da Amazônia" para ajudar a manter esse site. basta contactar o fotógrafo pelo WhatsApp no (96) 3333-4579. A coletânea está no valor de R$ 30.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: