Amapá registra segundo menor número de focos de calor da Amazônia Legal
Estado concentra 0,8% dos registros na região, mas número de focos aumentou em relação ao mesmo período de 2025
O Amapá registrou o segundo menor número de focos de calor entre os estados que integram a Amazônia Legal no período de 1º de agosto a 8 de setembro de 2026. Segundo dados acompanhados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), foram identificados 90 focos de calor no estado, enquanto toda a região contabilizou 11.938 ocorrências no intervalo.
A participação do Amapá representa 0,8% do total registrado na Amazônia Legal, mantendo o estado entre aqueles com menor concentração de focos no período analisado.
Apesar disso, os registros estaduais apresentaram crescimento expressivo na comparação anual. No mesmo intervalo de 2025, haviam sido contabilizados 16 focos de calor no Amapá. O número passou para 90 em 2026, um aumento de aproximadamente 462,5%.
Os dados são acompanhados pela Sala de Situação da Sema por meio do Painel do Fogo Amapá, ferramenta utilizada para monitorar a ocorrência e a distribuição dos focos no território estadual.
Monitoramento reúne dados de diferentes fontes
O sistema utiliza informações de sensoriamento remoto e dados de diferentes bases para auxiliar no acompanhamento das ocorrências. Entre as fontes utilizadas estão registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
O Programa Queimadas do INPE também disponibiliza mapas e dados sobre a ocorrência de focos de fogo detectados por satélite em diferentes regiões do país.
No Amapá, o cruzamento das informações permite identificar a distribuição espacial dos focos, apontar áreas que demandam maior atenção e subsidiar o planejamento das equipes responsáveis pelas ações de prevenção, fiscalização e combate.
De acordo com Marcos Almeida, diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, o acompanhamento contínuo contribui para direcionar as ações em campo.
“Com o monitoramento contínuo, conseguimos identificar rapidamente onde os focos estão ocorrendo e reunir informações territoriais que ajudam a orientar as equipes de campo. Essa tecnologia amplia nossa capacidade de prevenção, melhora o planejamento e contribui para uma resposta mais rápida e eficiente”, explica.
Ações de prevenção são reforçadas
Com a aproximação do período mais crítico da estiagem, o Governo do Amapá afirma ter ampliado as ações de prevenção e resposta a queimadas e incêndios florestais.
Em 2026, a Sema autorizou a contratação de 62 guarda-parques, que passaram por capacitação para atuar nas Unidades de Conservação estaduais e apoiar as atividades durante o período de maior risco.
As ações envolvem órgãos estaduais e federais, entre eles a Operação Amapá Verde – Protetor dos Biomas, a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
El Niño aumenta atenção durante a estiagem

Outro fator considerado no planejamento das ações é a atuação do El Niño, fenômeno climático que, segundo as projeções apresentadas pela Sema, pode atingir intensidade muito forte durante a primavera de 2026.
O período coincide com uma das fases mais críticas da estiagem no Amapá, aumentando a necessidade de monitoramento e resposta a ocorrências de fogo.
Em 2023, Tartarugalzinho esteve entre os municípios mais afetados durante um dos períodos recentes de maior estiagem no estado. Já em 2026, considerando os registros até 8 de setembro, Calçoene concentra o maior número de focos no período analisado, com 47 ocorrências.
É importante destacar que os focos de calor identificados por satélite são indicadores da ocorrência de fogo e não correspondem necessariamente, de forma individual, a queimadas ou incêndios distintos. O próprio INPE explica que uma mesma ocorrência pode gerar mais de uma detecção ou ser registrada por diferentes satélites.
Como comunicar uma ocorrência
Em caso de identificação de queimada ou incêndio, a orientação é comunicar imediatamente as autoridades responsáveis.
- 193 – Corpo de Bombeiros Militar
- 190 – Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes)
A comunicação rápida pode contribuir para que as equipes sejam acionadas e adotem as medidas necessárias para conter a ocorrência.
Com informações da Sema

