Amapá

Mulheres extrativistas do Bailique participam de oficinas de biocosméticos

A iniciativa reuniu ações de três projetos da Embrapa, com um objetivo em comum: fortalecer as cadeias socioprodutivas da agricultura familiar e do extrativismo local

Mulheres extrativistas da comunidade do Limão do Curuá, no arquipélago do Bailique, em Macapá (AP), participaram de oficinas voltadas à transformação de óleos amazônicos em biocosméticos artesanais, ao reconhecimento das tecnologias utilizadas na produção, e à avaliação de indicadores de sustentabilidade socioambiental da associação.

As atividades integram o projeto Potencializando a Bioeconomia: Inovação e Competitividade nas Cadeias Produtivas da Biodiversidade Amazônica, liderado pela Gerência-Geral de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa e financiado pelo programa Euroclima.

Na Embrapa Amapá, a pesquisadora Ana Cláudia Lira Guedes é responsável pela Solução de Inovação “Fortalecimento da cadeia produtiva e inserção comercial de óleos e biocosméticos de pracaxi e andiroba”.

“A iniciativa busca diversificar os produtos da sociobiodiversidade, agregar valor aos óleos de pracaxi e andiroba e fortalecer as oportunidades de inserção comercial das mulheres”, destacou a pesquisadora.

A programação foi desenvolvida em parceria com a Associação das Mulheres Extrativistas do Limão do Curuá (AMELC), que atua na coleta e no beneficiamento de produtos florestais não madeireiros, com destaque para o óleo de pracaxi. A proposta também considera o potencial da andiroba, espécie abundante na região.

Óleos amazônicos transformados em biocosméticos

A oficina de produção de biocosméticos foi conduzida por Silvia Luciane Basso, da empresa Oleicos da Amazônia, com atividades práticas para orientar as mulheres sobre formulações, técnicas de fabricação e possibilidades de desenvolvimento de uma marca própria para os produtos da comunidade.

A programação contemplou a produção artesanal de sabonetes, bálsamos, óleos corporais e cosméticos capilares sólidos, como xampus e condicionadores. A utilização dos óleos de pracaxi e andiroba busca ampliar as possibilidades de aproveitamento dos recursos naturais locais, agregando valor à matéria-prima e diversificando os produtos que podem ser oferecidos ao mercado.

Tecnologias e qualidade da produção

A pesquisadora Cinthia Cabral, da Embrapa Instrumentação  (São Carlos, SP) esteve à frente das visitas técnicas para conhecer in loco as tecnologias utilizadas pela AMELC no trabalho com os produtos florestais.

A atividade buscou identificar ferramentas, equipamentos e procedimentos adotados pelas associadas, reconhecendo as soluções utilizadas pela comunidade e levantando possibilidades de aperfeiçoamento dos processos produtivos.

Sustentabilidade e fortalecimento da associação

Outra frente de trabalho da programação foi a Oficina de Construção Participativa de Indicadores de Sustentabilidade, conduzida pela analista Fernanda Fonseca da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). A ação faz parte da atividade “Desenvolvimento e adaptação de métodos de avaliação de indicadores de desempenho socioambiental e econômico aplicados diretamente a extratoras e comunidades extrativistas de óleo de andiroba e pracaxi na Amazônia”, prevista no projeto “Bioprodutos à base de óleos da floresta Amazônica que promovam o tratamento fungicida em sementes pulse destinadas a sistemas orgânicos e familiares de produção”, liderado pela Embrapa Agrobiologia.

“Essa ação integrada reforça o compromisso da Embrapa com o desenvolvimento local, a valorização da sociobiodiversidade amazônica e o fortalecimento do protagonismo das comunidades extrativistas”, salienta Fernanda.

Bioeconomia inclusiva

A comunidade do Limão do Curuá dispõe de recursos naturais com potencial para ampliar as alternativas de geração de renda. A diversificação dos produtos, especialmente com o aproveitamento do óleo de andiroba, pode representar uma oportunidade para ampliar o portfólio da associação e explorar novas possibilidades de comercialização. 


Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96
Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Amapá
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Macapá/AP

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