Euclides Farias: O brega Pop de Jomasan e do maestro Manoel Cordeiro

Na Amazônia, a diversidade musical é tão grande quanto a biodiversidade. Uma infinidade de gêneros e ritmos povoam as cidades, rios e igarapés onde vivem 25 milhões de pessoas que consomem música. No Pará e no Amapá, apontados como a melhor síntese da Amazônia, a música ganhou a rica contribuição afro-caribenha, matriz responsável por suíngues, como o merengue, que entraram nos estados amazônicos pelo Amapá, porta principal, e se entranharam nas culturas locais com vigor.

Nem tudo, porém, quando se fala de produção da diversificada música regional, provém do Caribe. Há música refinada produzida na Amazônia com outras influências. Que o diga o músico, jornalista, agitador cultural e blogueiro Chico Terra, do Amapá.

Miscigenado e popular, o brega é boa herança caribenha.

De lá para cá, o brega ganhou tantas subdivisões que é difícil catalogá-las de memória e de um fôlego. Calypso, Saudade, Tecnobrega, Melody, Pop etc. Chique ou não, tudo é brega. De todos, há legiões de fãs espalhadas na Amazônia.

Na década de 1960, em Macapá, no bairro do Laguinho do Fernando Canto, morava José Maria dos Santos. Ele gostava de cantar. Virou cronner dos conjuntos da cidade (Joviais, Cometas, Mocambos). Nos anos 1960/1970, vi essa essas bandas tocarem na Piscina Territorial. Foi aí que José Maria dos Santos criou o nome artístico com as primeiras sílabas do nome de batismo. Virou Jomasan.

Nas décadas seguintes, Jomasan explodiu como cantor de brega na Amazônia e ganhou fama fora do país com hits como “Meu grande amor”, de 1886, uma de suas campeãs de vendagem de discos, composta em parceria com o maestro Manoel Cordeiro. Há muitos anos mora em Caiena, na Guiana Guiana, onde é dono de emissora de rádio. Não é isso, Cleo Araujo?

Hoje reencontrei essa música na internet e decidi mostrá-la como símbolo do post dedicado à música amazônica e ao brega por uma razão simples e importante para a memorialística pessoal. A primeira vez que a ouvi – corria a década de 1980, eu de férias na cidade – foi numa mal-afamada boate de Macapá chamada Nova Brasília, no bairro suburbano do Buritizal.

Subornei o DJ da aparelhagem. Ele arrumou uma fita K-7 e repetiu a música para a satisfação do salão de dança e poder gravar o brega solicitado. Até hoje, nas festas do interior dos dois estados e dos bairros da periferia de Belém e Macapá, o bregão de Jomasan é indispensável.

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