Peixe meio-crioulo está mais ameaçado de extinção por aquecimento global

Alvo da pesca comercial, o mero-crioulo pode ter o habitat de acasalamento reduzido em função do aquecimento global. Espécie é muito comum nos mares do Caribe e da América do Sul

Solitário e territorialista, o mero-crioulo é um dos mais icônicos peixes dos mares caribenhos e do litoral sul-americano, inclusive do Brasil. Dispensa a companhia de animais marinhos, mas não pode ver mergulhadores que se aproxima para nadar ao lado deles. Contudo, o animal está severamente ameaçado de extinção. Se a pesca foi, por muito tempo, seu pior inimigo, agora soma-se a ela outra ameaça. Calcula-se que, por volta de 2100, o habitat de acasalamento do Epinephelus striatus tenham sofrido declínio de mais de 80% devido a um fenômeno que não afeta apenas a superfície da Terra, mas também os oceanos: o aquecimento global.

O sucesso reprodutivo desse animal depende muito dos eventos chamados agregações de desovas, onde centenas de milhares de peixes se reúnem em uma área para acasalar. “Esses encontros em massa também fizeram com que eles se tornassem alvo fácil da pesca comercial, fato que os colocou na lista de espécies ameaçadas”, diz Brad Esrima, cientista marinho da Universidade do Texas e coautor do estudo, publicado na revista Diversity and Distributions. Em meados da década de 1990, os Estados Unidos baniram a pesca do mero-crioulo. Cuba e República Dominicana restringiram a atividade no período das agregações de desova, entre dezembro e fevereiro, e outras ilhas caribenhas adotaram medidas semelhantes.

Os conservacionistas comemoram o fato de as populações desse peixe recifal terem se estabilizado em algumas áreas do Caribe. Contudo, temem que os esforços não sejam suficientes para fazer o mero-crioulo desaparecer da natureza e ficar restrito ao cativeiro até o fim do século. “As agregações de desovas são áreas críticas para a sobrevivência da espécie. Se o peixe deixar de migrar para esses locais de acasalamento porque a água está muito quente, as ações de proteção direcionadas não terão efeito”, diz Brad Esrima.

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