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No Brasil, 9,3% tem algum tipo de transtorno de ansiedade — 3 vezes mais que a média mundial

A professora Ana Carolina Gil estava no segundo ano como concursada da Prefeitura Municipal de Florianópolis quando percebeu que a tristeza que vinha sentindo, duradoura e constante, não era um sentimento normal. Foi, então, em um dia de trabalho que uma crise de pânico confirmou a hipótese que a rondava: sua saúde mental estava abalada. “Entrei no berçário da creche e travei. Tremia e chorava. Comecei a sentir falta de ar. Minha mãe e minha irmã tiveram de ir me buscar porque não conseguia dirigir.”

Ao sair da escola em que trabalhava naquele dia, foi, pela primeira vez, a um psiquiatra. O diagnóstico veio como um baque: depressão. Ana Carolina faz parte das estatísticas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017. No Brasil, estima-se que 5,8% da população seja afetada pela doença e que 9,3% tenha algum tipo de transtorno de ansiedade — um número três vezes superior à média mundial. Quando trazemos à equação o sexo feminino, o resultado é ainda mais preocupante. Minorias invisibilizadas estão mais vulneráveis frente a pressões e opressões e não encontram nas políticas públicas e no acesso gratuito à serviços de qualidade o apoio que precisam — e que têm direito. Raça, etnia, classe, orientação sexual, idade, maternidade por exemplo, não devem ser desconsiderados de uma análise profunda sobre saúde mental no Brasil e no mundo.

Em 2001, a OMS já havia publicado em seu Relatório sobre a Saúde Mental que mulheres tendem a ter uma propensão maior aos riscos de desenvolver transtornos mentais. Um dos principais pontos de atenção levantados pelo estudo: quando há o adoecimento psíquico feminino, a mulher tem dificuldade em aceitar o diagnóstico porque não consegue sair do lugar de cuidadora, imposto pela sociedade, para ser aquela que precisa de cuidados.

Mulheres e autocuidado: uma estratégia de sobrevivência

No ano passado, o termo “autocuidado” ganhou as prateleiras de mercados, farmácias, lojas de departamento. Foi cooptado pelo mercado e transformado em máscaras faciais, banhos de espuma e outros atos momentâneos dedicados a atrair quase que exclusivamente o público feminino. Nesse contexto, o conceito se esvaziou, prejudicando uma prática já tão complicada para as mulheres. Cuidar-se, como exercício contínuo, visa melhoria da qualidade de vida e, muitas vezes, é também uma estratégia de sobrevivência para grupos ainda mais socialmente invisibilizados.

E, apesar dos modismos, o autocuidado é tema de estudo há décadas. A enfermeira norte-americana Dorothea Orem criou, em 1959, sua teoria do autocuidado, dando vida ao vocábulo como uma prática de atividades que cada indivíduo realizaria em prol do próprio bem-estar, saúde e do contínuo desenvolvimento pessoal. Orem também reforçou em sua obra que a capacidade de cuidar de si mesmo é afetava por condicionantes básicos, como idade, sexo, estado de saúde, fatores ambientais e disponibilidade de recursos. Para a enfermeira, a capacidade de cuidar-se poderia ser desenvolvida gradualmente, no dia a dia, seja pela própria experiência adquirida na execução do processo, seja pela instrução e supervisão de outra pessoa.

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