Descoberta facilita busca por medicamento contra o novo coronavírus

Cientistas investigaram como se forma a principal enzima envolvida na multiplicação do vírus da COVID-19 dentro das células

Mariana Costa

Cientistas ligados ao Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar) desvendaram detalhes do processo de maturação da principal enzima envolvida na replicação do coronavírus, conhecida como 3CL. A descoberta, descrita no Journal of Molecular Biology, facilita a busca de medicamentos capazes de ‘sabotar’ esse processo logo no início.

“Em um ano e meio de pandemia, já temos, no mínimo, meia dúzia de vacinas em uso clínico, mas nenhum fármaco com comprovada eficácia e segurança. Antiviral é mesmo mais difícil de desenvolver. Porém, ainda que tenhamos bons imunizantes, obter um medicamento para a COVID-19 segue sendo muito importante, caso o vírus escape da vacina”, afirma Glaucius Oliva, coordenador do CIBFar, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

No artigo, os cientistas descrevem o mecanismo molecular pelo qual a principal protease do SARS-CoV-2 – enzima responsável pela multiplicação do vírus – se autoprocessa. Com isso, ela se torna ativa para replicar o material genético do RNA dentro da célula hospedeira. Proteases são enzimas que quebram ligações peptídicas (gordura) entre os aminoácidos das proteínas.

“Quanto mais entendemos o metabolismo do vírus e suas etapas de replicação, mais facilmente conseguimos vislumbrar alvos nesse processo para, então, desenvolver moléculas capazes de travá-lo logo no começo”, diz Gabriela Noske, doutoranda do CIBFar e primeira autora do artigo.

Segundo Oliva, este é um estudo de ciência básica, mas com aplicações imediatas. “Diferentemente do que observamos em outros vírus, como zika, dengue ou da febre amarela, no novo coronavírus a protease não atua de forma monomérica (como uma molécula isolada).”

“Para que ela se ative e passe a multiplicar o RNA do SARS-CoV-2, ela precisa ser dimérica, ou seja, é necessário um par de cópias da protease para que ela possa cortar a si mesma e às outras proteínas responsáveis pelo metabolismo do vírus dentro da célula”, explica.

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