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Dress code: como a vestimenta pode impactar no ambiente de trabalho

Entre tradição e flexibilização, escolha das roupas reflete valores e pode interferir na rotina profissional

Em empresas que não adotam uniformes, a responsabilidade pela escolha da roupa de trabalho fica nas mãos dos próprios colaboradores. É nesse momento que costumam surgir dúvidas sobre como expressar personalidade sem comprometer a imagem profissional e qual é o tipo de roupa mais adequado para cada ambiente.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a forma de se vestir vai além da estética, uma vez que pode contribuir para a construção da imagem profissional e da comunicação não verbal no ambiente corporativo.

Para isso, muitas organizações adotam o dress code ou código de vestimenta. O conjunto de diretrizes orienta como os funcionários devem se apresentar, levando em conta o setor de atuação, o público e a identidade corporativa, para que a imagem transmitida esteja alinhada aos valores e objetivos da empresa.

As orientações podem variar conforme o perfil da organização. Em ambientes mais tradicionais, o visual tende a ser social, com blazer, camisa, calça de alfaiataria feminina ou masculina e sapatos fechados. Já em empresas com perfil mais informal, peças como jeans, camisetas e tênis podem ser aceitas, desde que mantenham aparência alinhada ao contexto profissional.

De acordo com um levantamento realizado pelo portal Empregos.com.br, que ouviu 1.666 pessoas, 47% dos entrevistados consideram o dress code necessário no ambiente corporativo. Outros 31% acreditam que a regra deve valer apenas para áreas específicas, enquanto 22% afirmam que o código de vestimenta não é relevante.

A discussão tem ganhado novos contornos após a pandemia de Covid-19. A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) destaca que a forma de se vestir para o trabalho vem passando por mudanças, criando uma tendência conhecida como office core. Elaresgata elementos da alfaiataria, do conforto e da funcionalidade para criar uma nova estética profissional, que busca comunicar credibilidade sem rigidez excessiva.

Para a empreendedora e cofundadora da MyBasic, Carolina Pucci, o dress code está diretamente relacionado à autoconfiança. “Se vestir bem também é se sentir mais confiante e, consequentemente, ser mais respeitada no seu meio, de acordo com o ambiente em que você está inserida”, afirma.

Ela acrescenta que a escolha da roupa deve ser pensada com antecedência. “Quando você se arruma para trabalhar, não está se preparando apenas para cumprir tarefas, mas também para causar a primeira impressão que deseja. A roupa precisa ser funcional e elegante, refletindo o contexto profissional.”

O Sebrae ressalta que, para empreendedores, mesmo quando não há um código formal estabelecido, a aparência influencia na percepção sobre o negócio. Em empresas de tecnologia e startups, por exemplo, o visual costuma ser mais informal. No entanto, em reuniões com investidores ou clientes, a recomendação é optar por trajes mais formais, como terno, camisa social e sapatos adequados.

Carolina observa ainda que até as cores podem influenciar na comunicação. “Não por acaso, a cor preta é uma das mais usadas, pois é formal e transmite elegância e seriedade. Cinza, branco, azul e vermelho também são indicados e passam, respectivamente, a impressão de segurança, entusiasmo, confiança e controle”, acrescenta.

Para mulheres que buscam segurança nas escolhas, a empreendedora defende que a moda básica feminina pode ser uma boa alternativa, investindo em peças como camisas, alfaiataria, jeans escuro e calças de linho. Segundo ela, estar bem vestida não é necessariamente seguir tendências, mas escolher peças elegantes, com bom acabamento e conforto.

O Sebrae também recomenda investir em peças de qualidade, com bom caimento e maior durabilidade. Roupas bem confeccionadas contribuem para transmitir atenção aos detalhes, característica valorizada no ambiente corporativo.

Dress code pode influenciar na produtividade

Além da imagem, a vestimenta pode impactar o desempenho dos colaboradores. Em artigo publicado na Revista Brasileira de Administração, a administradora e professora da Universidade do Estado de Mato Grosso, Salli Baggenstoss, afirma que a flexibilização do dress code pode gerar efeitos positivos.

“Flexibilidade tornou-se um termo recorrente na gestão, especialmente no pós-Covid. A ideia de que o funcionário sinta-se mais bem vestido, de acordo com seu perfil, pode indicar maior produtividade, criatividade, satisfação, empenho, entre outros benefícios”, explica.

A fala da professora dialoga com a pesquisa do instituto britânico Barrett Values Center, realizada entre 2020 e 2022 em 30 países, que apontou adaptabilidade e bem-estar entre os valores mais esperados das organizações.

Segundo a docente, cumprir tarefas em condições desconfortáveis, como passando calor, com uniforme “da moda”, cor inapropriada ou excessivamente detalhada, dificilmente irá contribuir para a realização profissional.

Até mesmo no home office a vestimenta pode interferir. De acordo com um estudo publicado na Revista FT, 47,7% dos participantes concordam que o vestuário influencia na produtividade mesmo em trabalho remoto.

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