El Niño pode atingir intensidade muito forte e coloca Região Norte em alerta para estiagem
Reunião entre governos e órgãos federais discutiu medidas de prevenção para impactos sobre rios, abastecimento, produção e risco de incêndios.
O avanço de um episódio de El Niño com possibilidade de atingir intensidade “muito forte” entre setembro e novembro colocou os efeitos da estiagem no centro de uma reunião entre gestores da Região Norte e representantes do Governo Federal. O encontro, realizado de forma virtual na quinta-feira (27), contou com a participação do Governo do Amapá e discutiu medidas para reduzir os impactos previstos para os próximos meses.
As projeções apresentadas durante a reunião apontam para um período de atenção na Região Norte, com possibilidade de chuvas abaixo da média em parte da região, temperaturas elevadas e redução da disponibilidade de água em razão da baixa dos rios. O cenário pode aumentar o risco de incêndios e provocar dificuldades em áreas que dependem dos rios para abastecimento, transporte e acesso a comunidades.
O Boletim sobre o El Niño 2026 do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), elaborado em conjunto com órgãos como Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Defesa Civil Nacional e Censipam, aponta elevada probabilidade de intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre, com possibilidade de o evento alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
Cenário para setembro exige atenção no Amapá
A previsão climática mais recente do INMET, divulgada nesta segunda-feira (31), indica que setembro deverá apresentar temperaturas acima da média em grande parte da Região Norte, com desvios positivos que podem chegar a aproximadamente 2°C em algumas áreas.
Em relação às chuvas, o cenário é diferente dentro da própria região. O instituto prevê volumes abaixo da média em grande parte de Roraima, Amazonas e Pará, enquanto o centro e o norte do Amapá estão entre as áreas com previsão de chuvas próximas ou acima da média.
A informação é importante porque mostra que os efeitos do fenômeno não devem ocorrer de maneira uniforme em toda a Região Norte. As condições podem variar conforme a localização e a evolução do sistema climático ao longo dos próximos meses.
Possíveis impactos
A combinação entre temperaturas mais elevadas e períodos de menor disponibilidade hídrica pode afetar o abastecimento, a produção, a navegação e o acesso a comunidades localizadas em áreas mais dependentes dos rios.
A redução dos níveis dos cursos d’água também pode dificultar o transporte de pessoas e mercadorias e ampliar a necessidade de medidas preventivas em municípios que enfrentam períodos de estiagem.
Outro ponto de atenção é o risco de incêndios. A atuação integrada entre órgãos ambientais e estruturas de Defesa Civil foi apontada como necessária para fortalecer a prevenção e a capacidade de resposta a eventuais ocorrências.
Preparação para o período de estiagem
Durante a reunião, gestores estaduais, municipais e representantes de diferentes órgãos públicos discutiram a necessidade de antecipar medidas de prevenção. Entre as ações apontadas estão a elaboração de planos de contingência, o fortalecimento das Defesas Civis, a organização do abastecimento e a definição de prioridades para utilização da água em períodos de possível escassez.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou a importância da atuação coordenada entre União, estados e municípios diante dos possíveis impactos.
Segundo ela, cada município precisa organizar sua estrutura de resposta de acordo com as características e os riscos de sua região, enquanto o Governo Federal se coloca à disposição para apoiar esse planejamento.
A prevenção aos incêndios também esteve entre os temas abordados. A orientação inclui o fortalecimento das brigadas estaduais e municipais, além da ampliação da fiscalização ambiental e da integração entre os órgãos envolvidos.
Monitoramento reúne dados de diferentes órgãos
O acompanhamento dos cenários climáticos conta com informações de instituições responsáveis pelo monitoramento meteorológico, hidrológico e de desastres.
Entre elas estão o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e Defesa Civil Nacional.
A integração dos dados busca orientar estados e municípios na preparação para possíveis mudanças nas condições de chuva, temperatura e nível dos rios.
Amapá acompanha os cenários
A secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça, afirmou que a participação do Amapá na discussão nacional permite alinhar estratégias e antecipar medidas para o período de estiagem.
“O planejamento antecipado é o que nos permite transformar os alertas climáticos em ações concretas”, declarou.
A secretária também afirmou que o estado acompanha os cenários e trabalha no fortalecimento da articulação entre os órgãos para reduzir riscos e proteger áreas consideradas mais vulneráveis.
O cenário climático deverá continuar sendo acompanhado nos próximos meses, já que a intensidade e os efeitos do El Niño podem variar ao longo de sua evolução. Para setembro, a previsão climática oficial do INMET indica temperaturas acima da média na maior parte da Região Norte e diferenças importantes nos volumes de chuva entre os estados.
Com informações da Assessoria da Sema

