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Amapá reforça rede de proteção contra violência às mulheres

Encontro reuniu imprensa e órgãos de segurança para discutir prevenção, denúncias e cuidados na cobertura de casos de violência de gênero

O enfrentamento à violência contra mulheres e meninas foi tema de um encontro que reuniu profissionais de imprensa, servidores da segurança pública e estudantes nesta segunda-feira (31), em Macapá. A atividade marcou o encerramento da campanha Agosto Lilás no Amapá e teve como foco a importância da informação para ampliar o acesso das vítimas aos mecanismos de proteção.

Realizado no auditório da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o encontro discutiu também a responsabilidade dos veículos de comunicação na cobertura de casos de violência contra a mulher, especialmente para evitar a exposição indevida e a revitimização.

Durante a programação, foram apresentados dados sobre o uso de medidas protetivas e o acompanhamento de mulheres em situação de violência no estado.

Nenhuma vítima de feminicídio tinha medida protetiva

Segundo informações apresentadas durante o evento, nenhuma das mulheres vítimas de feminicídio no Amapá nos últimos três anos possuía medida protetiva em vigor no momento do crime.

Para os participantes, o dado reforça a necessidade de ampliar a divulgação dos canais de denúncia e dos serviços disponíveis para mulheres que estejam em situação de violência ou ameaça.

A secretária de Estado da Comunicação, Ana Girlene, destacou que a informação pode contribuir para que mais mulheres conheçam a rede de proteção e busquem ajuda antes que a violência evolua para situações mais graves.

Mais de 6 mil mulheres são acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha

A atuação da segurança pública no acompanhamento de vítimas também foi apresentada durante o encontro.

De acordo com a Polícia Militar do Amapá, a Patrulha Maria da Penha acompanha atualmente mais de 6 mil mulheres que possuem medidas protetivas no estado.

O trabalho inclui fiscalização do cumprimento das determinações judiciais e acompanhamento das vítimas, com o objetivo de reduzir situações de risco e facilitar o acesso a outros serviços públicos.

A tenente Tatiane Ferreira, subcoordenadora da Patrulha Maria da Penha, ressaltou que o acompanhamento contínuo é parte importante da proteção oferecida às mulheres após a concessão das medidas.

Prevenção começa também pela educação

Outro ponto discutido durante a programação foi a necessidade de ações preventivas que atuem antes da ocorrência da violência.

A secretária de Estado de Políticas para Mulheres, Simone Palheta, defendeu o fortalecimento de iniciativas educacionais voltadas ao enfrentamento da cultura machista e à prevenção da violência de gênero.

A proposta envolve a articulação entre poder público, sistema de Justiça e sociedade para trabalhar questões relacionadas ao respeito, à igualdade e à identificação de comportamentos violentos.

Imprensa é orientada a evitar revitimização

A cobertura jornalística de casos de agressão e feminicídio também esteve entre os temas centrais do encontro.

A jornalista e professora universitária Aline Ferreira destacou a necessidade de que reportagens sobre violência contra mulheres priorizem informações de interesse público e evitem a exposição desnecessária das vítimas.

Entre as recomendações discutidas estão evitar a espetacularização dos crimes, preservar a identidade e a dignidade das vítimas quando necessário e oferecer informações que possam ajudar outras mulheres a identificar situações de violência e buscar apoio.

A orientação também reforça o papel da imprensa na divulgação de canais de denúncia e serviços de atendimento, especialmente para pessoas que ainda não conhecem a rede de proteção disponível.

Onde buscar ajuda em casos de violência

Mulheres em situação de violência ou pessoas que tenham conhecimento de um caso podem procurar os canais de atendimento disponíveis.

Ligue 180

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço oferece orientação sobre direitos, informa sobre a rede de atendimento e recebe e encaminha denúncias aos órgãos competentes.

Acesse o Ligue 180

O canal também pode ser utilizado por pessoas que tenham conhecimento de uma situação de violência, e não somente pela vítima.

Emergências

Em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo naquele momento, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

No Amapá, também são indicados pelo governo estadual os seguintes serviços:

  • 190 – Polícia Militar, para emergências e flagrantes;
  • 181 – canal indicado para denúncias à Polícia Civil;
  • Casa da Mulher Brasileira – atendimento presencial e suporte multiprofissional em Macapá, na Rua Floriano Waldeck, nº 1.278, bairro São Lázaro;
  • 180 – Central de Atendimento à Mulher.

A Casa da Mulher Brasileira de Macapá integra a rede nacional de atendimento às mulheres em situação de violência.

Em casos de violência, a busca por ajuda pode ser feita pela própria vítima ou por pessoas próximas. O acionamento da rede de proteção pode contribuir para interromper situações de risco e ampliar o acesso a medidas de proteção.

Fotos: Luiz Santana/Sejusp

Com informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública

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