Tecnologia ajuda a identificar queimadas em áreas de risco no Amapá
Monitoramento por satélite e dados de imóveis rurais orientam ações contra queimadas irregulares e crimes ambientais no estado
A fiscalização ambiental no Amapá passou a utilizar dados de monitoramento por satélite e informações de imóveis rurais para identificar áreas com maior incidência de focos de calor e direcionar equipes para ações de prevenção e combate a possíveis irregularidades.
A estratégia é coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e ganhou reforço com o avanço do período de estiagem e a influência do fenômeno El Niño. O trabalho começou nesta quinta-feira (10) e prioriza municípios que apresentam maior número de registros.
Entre 1º de agosto e 10 de setembro, o Amapá contabilizou 94 focos de calor, segundo os dados apresentados pela Sema. No mesmo intervalo de 2025, foram registrados 20 focos, o que representa um aumento de 462,5%.
O município de Calçoene concentra 48 dos registros contabilizados no período e está entre as áreas que recebem atenção prioritária das equipes de fiscalização.
Como funciona o monitoramento
Uma das ferramentas utilizadas pelas equipes é o Painel do Fogo Amapá, que permite acompanhar os focos de calor nos 16 municípios do estado. A partir dessas informações, os fiscais conseguem identificar a localização das ocorrências e avaliar características das áreas atingidas.
Os dados também são relacionados às informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema que reúne informações ambientais dos imóveis rurais e é utilizado para atividades de controle, monitoramento e planejamento ambiental.
Com o cruzamento dessas informações, as equipes conseguem estabelecer prioridades para as ações em campo e verificar se as ocorrências estão associadas a propriedades rurais cadastradas.
Além do monitoramento remoto, os fiscais utilizam equipamentos como drones e registros de imagens para acompanhar a extensão das áreas atingidas pelo fogo.
Fiscalização pode resultar em autuação
O trabalho envolve tanto ações preventivas quanto repressivas. Em campo, os fiscais realizam orientações e acompanham ocorrências, mas também podem identificar responsáveis por queimadas realizadas de forma irregular.
Quando são constatadas infrações, podem ser adotadas medidas administrativas previstas na legislação ambiental.
Durante o período de maior risco, o uso do fogo está proibido no estado, conforme determinação informada pela Sema. A realização de queima controlada depende de autorização e, segundo o órgão, quem for identificado utilizando fogo de maneira irregular poderá ser responsabilizado.
A fiscalização também busca verificar situações em que o fogo possa representar risco de propagação para áreas de vegetação, propriedades rurais e comunidades.
Ações integram operação contra incêndios

A fiscalização ocorre de forma integrada com outras instituições envolvidas na prevenção e no combate aos incêndios florestais.
Entre as iniciativas está a Operação Amapá Verde, que atua durante o período de estiagem com ações de prevenção, combate a incêndios e fiscalização de crimes ambientais. A operação de 2026 foi ampliada para municípios considerados de maior risco e tem previsão de atuação até dezembro.
A iniciativa também está relacionada ao programa federal Protetor dos Biomas, que reúne ações de proteção ambiental e enfrentamento a atividades como queimadas ilegais e incêndios florestais.
O uso de tecnologia, nesse contexto, funciona como uma ferramenta para antecipar a identificação de áreas críticas e orientar o deslocamento das equipes. A confirmação de uma eventual irregularidade, porém, depende da verificação realizada diretamente no local.
A combinação entre monitoramento remoto e fiscalização presencial busca ampliar a capacidade de resposta durante o período de estiagem, quando as condições climáticas podem favorecer a propagação do fogo.
Fotos: Divulgação Sema/AP
Com informações da Sema/AP

