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Pólipos gástricos: o que é e quando devem ser retirados?

Há casos em que as lesões podem evoluir para câncer gástrico se não acompanhadas ou tratadas

Um total de 22.530 novos casos de câncer no estômago deve ser registrado, anualmente, no Brasil no período entre 2026 e 2028. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta a doença como a terceira principal causa de mortalidade por neoplasias malignas no país. Conhecer as formas de prevenção e saber identificar possíveis sinais, como os pólipos gátricos, ajudam no diagnóstico da doença.

Nem todos os pólipos gástricos são sinal de câncer no estômago. De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), podem ser classificados em três tipos principais: os pólipo hiperplásico, lesão benigna associada à gastrite crônica; os pólipos de glândulas fúndicas, também considerados benignos e em geral sem potencial de malignidade; e os adenomas.

O adenoma é uma lesão precursora do adenocarcinoma gástrico e apresenta aumento da incidência com a idade. Segundo o Inca, 95% dos casos de câncer gástrico são classificados como adenocarcinomas. Os demais incluem tumores do estroma gastrointestinal, tumores neuroendócrinos, carcinoma adenoescamoso e linfomas

A gastroenterologista e endoscopista digestiva Soraya Sbardellotto explica, em vídeo publicado nas redes sociais, que essas lesões se assemelham a verrugas, formando pequenas elevações na mucosa do estômago e, na maioria dos casos, são benignas. Contudo, alerta que alguns tipos podem evoluir para câncer se não forem acompanhados ou retirados.

“O problema é que, geralmente, eles não causam sintomas e só são detectados em exames como uma videoendoscopia digestiva alta”, destaca. Segundo a especialista, a conduta varia conforme o tipo e o tamanho da lesão. O médico pode indicar apenas o acompanhamento mas, na maioria das vezes, a retirada pode ser feita durante a própria endoscopia, o que evita a progressão do quadro.

Nesse caso, é preciso estar atento aos preparativos para a endoscopia, etapa necessária para garantir a qualidade do exame. Informações divulgadas pela Rede D’Or São Luiz explicam que o preparo exige jejum para que estômago fique limpo e o médico consiga visualizar a mucosa. Também é necessário suspender a ingestão de água e manter uma dieta leve no dia anterior. Além disso, o paciente deve estar acompanhado e não pode dirigir após o procedimento.

Sbardellotto reforça a importância do exame como forma de prevenir o câncer de estômago. “A prevenção ainda é o melhor e mais fácil caminho, especialmente, para quem tem histórico familiar ou sintomas persistentes. Se você ou alguém da sua família já teve pólipo no estômago, não ignore. Faça o acompanhamento. O que parece pequeno hoje pode ser indício de algo um pouco mais sério com o tempo” alerta. 


A gastroenterologista ressalta que, eventualmente, a retirada dos pólipos também pode exigir abordagem cirúrgica. Isso ocorre, principalmente, quando há características suspeitas durante o exame. Lesões maiores que o normal e casos como adenomas com aparência atípica podem indicar quando procurar um cirurgião geral para avaliação e possível remoção.

Como reduzir os riscos de adenocarcinoma gástrico

Segundo a SBP, o principal fator de risco associado ao adenocarcinoma gástrico é a gastrite causada por infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que pode levar à atrofia, passando por metaplasia gástrica com consequente mutação no DNA nas células epiteliais.

No entanto, outros fatores também podem são associados à doença, como tabagismo, exposição à radiação, infecção pelo vírus Epstein-Barr, contato com substâncias como o asbesto e hábitos alimentares, como o consumo frequente de alimentos processados e ricos em nitratos. Cerca de 10% dos casos apresentam componente hereditário.

O consumo de álcool, a ingestão excessiva de sal e a qualidade da água como fatores que influenciam o risco de câncer de estômago, de acordo com o Inca. Além disso, determinadas ocupações podem aumentar a exposição a agentes nocivos ao longo do tempo. Entre elas estão atividades na construção civil, estaleiros, indústria da borracha, oficinas mecânicas e ambientes com exposição frequente à radiação ou produtos químicos.


Para prevenir o câncer de estômago relacionado ao trabalho, o Inca recomenda utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados e seguir as normas de segurança no ambiente de trabalho, assim como fazer o acompanhamento regular da saúde.

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