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Ruy Godinho vai lançar livro sobre história da música amapaense

Lívia Almeida – Da Redação

Ruy Godinho é autor e pesquisador paraense, além de ter vasta experiência com outros segmentos da arte, possui grande paixão pela história da música brasileira, haja vista os livros já lançados por ele a exemplo da série “Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira”, que já possui quatro volumes e conta histórias peculiares, como foram compostas músicas conhecidas e desconhecidas, histórias dos compositores e músicos da música brasileira.

E para integrar a família está chegando mais um livro intitulado “Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira – Amapaenses”, que será lançado no dia 23 de agosto em Macapá. Segundo Ruy o livro é fruto de muita pesquisa e de conversa com músicos, compositores e artistas amapaenses. “99% desse trabalho foi pesquisado com fontes primárias, diretamente com os autores, mas também com os compositores envolvidos. Também pesquisei nos livros do Fernando Canto – O marabaixo através da história -, pesquisei na tese de doutorado do Benedito Costa Martins, pesquisei também na tese de doutorado da Piedade Videira e no livro do Lorran Vidal – Mazagão, a cidade que atravessou o atlântico”, explicou Ruy.

Ruy conta que o objetivo do livro é “registrar a história da música amapaense, de composições amapaenses, tornar conhecidos os nomes dos compositores, algumas canções que as pessoas também não conheçam e historicamente é um livro importante para o estado, porque exatamente faz esse trabalho de fazer o registro histórico da música de um estado muito rico que tem uma tradição e que precisa também difundir essa riqueza que ele tem”, ressalta.

História curiosa

O livro conta com 40 histórias sobre a música amapaense, citando projetos como o Movimento Costa Norte, o Grupo Senzalas, a cantora Patrícia Bastos, dentre outros projetos musicais que levantaram e levaram a música tucuju a outros estados e países.

Deste total de histórias, o autor conta que a história que mais se destacou para ele foi a da música “Irmã Catita” do mestre Eufrásio, uma paródia da música “La Paloma”. “A paródia foi criada em 1923 com a chegada do primeiro hidroavião e do pouso no rio Amazonas, na frente da cidade. E causou um grande alvoroço, porque o povo jamais havia visto um avião. Alvoroço que é retratado na letra da música “Irmã Catita. Só que “Irmã catita” é uma paródia de uma composição já existente. A música em que ele colocou uma letra nova chama-se “La Paloma”, de um espanhol chamado Sebastian Yradier, que a criou em 1863.

A curiosidade é: como foi que o mestre Eufrásio tomou conhecimento dessa música. Provavelmente tenha sido através de retretas, através de música ao vivo sendo tocada nos coretos, orquestras tocadas naquela época. Porque em 1923 o rádio ainda não havia sido difundido em todo o Brasil. Então a curiosidade que eu tive foi saber como foi que o mestre Eufrásio conheceu a música “La Paloma” para criar uma letra nova em cima em forma de paródia. Tem histórias lindíssimas no livro, histórias emocionantes, engraçadas, mas essa história é a que despertou uma pesquisa maior e uma curiosidade maior por parte do autor, revela o Ruy Godinho.

O valor da música amapaense

Sobre a valorização Ruy Godinho enfatiza que quem conhece a música amapaense a valoriza, dando o exemplo do Movimento Costa Norte, que, podemos dizer, criou a identidade da música Tucuju como a conhecemos.”Quem a conhece a valoriza, porque ela é muito rica. A partir do momento em que ela ganha uma identidade, ela se enriquece mais ainda como um patrimônio cultural.

Quanto mais conhecida, mais a música amapaense será valorizada. Quem conhece a música amapaense, com a qualidade de suas melodias, com a riqueza dos gêneros musicais tradicionais, que foram estilizados como o marabaixo e o batuque, com as letras maravilhosas, com esta super influência que este poeta Joãozinho Gomes levou para o estado, que influenciou muita gente, os movimentos que foram criados como o Costa Norte, grupo maravilhoso e fundamental para a música amapaense, esses caras (Osmar Jr., Zé Miguel, Amadeu Cavalcante, Val Milhomen e Joãozinho Gomes) são de uma importância fundamental, porque além de imprimirem uma música com a cara do Amapá, eles também tem um cuidado muito grande com a questão da poesia, não é só com a questão da melodia, do ritmo, por isso essa música é uma música rica, porque ela traz esse selo de qualidade, porque eles fazem questão de imprimir nas suas composições – os compositores amapaenses de uma forma geral- muito embasadas no que esses músicos (Movimento Costa Norte) criaram no final da década de 1980″.

A contribuição da música amapaense

De acordo com Ruy Godinho, a ideia para este volume veio a pedido do prefeito de Macapá, Clécio Luís. Quando perguntado da contribuição da música amapaense para a música brasileira, o autor pontua que iniciativas como esta, através de autoridades políticas e políticas públicas é que permitem difundir a música, e assim mostrar a sociedade a grande contribuição que a música amapaense tem a dar a música brasileira. “Ela tem uma contribuição enorme a dar, a partir do momento em que ela tiver rompido as fronteiras e se difundido por todo o Brasil.

Esse é um movimento que já está acontecendo através das redes sociais, principalmente, e também graças à projeção de alguns artistas que estão aí no Amapá, mas que já conseguem projetar sua música para o Brasil, a exemplo da Patrícia Bastos, do grupo Senzalas, que já foi até para a Europa, o trabalho de Joãozinho Gomes, que tem parceria com diversos compositores de fora, não só do Amapá.

Quanto mais for difundida a música do Amapá, que infelizmente ainda sofre um processo de isolação, em função das características do estado, ela terá uma contribuição muito grande a dar. Porque o Brasil, em suas dimensões geográficas é difícil de ser atingido, de uma forma mais ampla, mas pode a partir de um trabalho de políticas que sejam criadas para difusão da música.

Por exemplo essa questão do livro faz parte de um desejo grande do prefeito Clécio, que consiga romper essas fronteiras, tanto que tem o desejo de lançar o livro fora do Amapá. Para que as pessoas possam despertar de que existe uma música bonita, rica no estado que precisa ser conhecida fora. Se existirem mais políticas com capacidade financeira maior, essa música vai chegar, o marabaixo vai chegar ao Rio, São Paulo ou em Brasília – como já chegou -. São necessárias políticas públicas para que a música do Amapá ganhe novos espaços”.

Lançamento

O livro “Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira – Amapaenses” será lançado no dia 23 de agosto as 16h na Praça Veiga Cabral.

Sobre o autor

Ruy Godinho, paraense, produtor multimídia, pesquisador, radialista, ator, escritor e divulgador de MPB.

É fundador da Abravideo. Foi o primeiro presidente da TV Comunitária do DF. Coordenou o Solidariedade Noruega -Brasil, show com gravação de CD, ao vivo, para a Embaixada da Noruega, com a participação de 14 artistas noruegueses e 44 brasileiros.
Produz e apresenta o programa Roda de Choro, na Rádio Câmara FM, Brasília, desde janeiro 2003, retransmitido por mais de 230 emissoras em todo o Brasil.

Produz e apresenta o programa Então, Foi Assim?, desde agosto 2010, retransmitido por mais de 270 emissoras por todo o Brasil. Coordenou a produção e direção de 120 vídeos institucionais para o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, nas edições de 2005, 2007, 2009 e 2011.

É ativo palestrante sobre produção multimídia, processos criativos da música brasileira e ministra oficinas de Produção de Vídeo em instituições de ensino superior, pontos de cultura e ONGs. É autor da série Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira, Volumes I, II, III, IV . É autor do livro Então, foi assim?Compositores Amapaenses. E dos livros Então, foi assim? – Nordestinos e Então, foi assim?Mineiros, no prelo.

Serviço:

Dia 23 de agosto vai acontecer o lançamento do livro Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira – amapaenses, do autor Ruy Godinho.

Local: Praça Veiga Cabral
Data: 23 agosto (sexta)
Hora: 16h

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