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Prefeitura de Macapá lança obra literária sobre Música Popular Amapaense

“Quem nunca viu o Amazonas

Nunca irá entender a vida de um povo

De alma e cor brasileiras

Suas conquistas ribeiras

Seu ritmo novo

Não contará nossa história

Por não saber ou por não fazer jus

Não curtirá nossas festas tucujú…”. Essa é apenas parte de uma das Músicas Popular Amapaense (MPA) que tiveram seus mistérios de composição descritos no livro “Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira – Amapaense”. A obra do escritor Ruy Godinho, em parceria com a prefeitura da capital, reuni 40 composições e mais de 100 artistas. O lançamento do livro aconteceu na tarde de sexta-feira, 23, na Praça Veiga Cabral, Centro da cidade.

FOTOS: CHICO TERRA

A tarde na Praça Veiga Cabral foi repleta de artistas que embalaram o público com algumas das canções expostas no livro. Quem abriu os shows foi a Banda Negro de Nós, que completa 20 anos de história em 2019. Além de outros convidados ilustres como a professora Terezinha Fernandes, autora do Hino do Município de Macapá, os cantores Amadeu Cavalcante, Zé Miguel, Oneide Bastos, Finéias Nelluty e outros artistas, e autoridades como o presidente da Câmara de Macapá, vereador Marcelo Dias, vereador Caetano Bentes, o escritor Fernando Canto, a diretora da Fundação de Cultura de Macapá, Marina Beckman.

O prefeito de Macapá, Clécio Luís, apresentou o principal objetivo do livro. “A edição especial tem como foco oferecer aos amantes da MPB um capítulo escrito em terras amazônicas, na ponta Norte do Brasil, em um lugar bordado pela linha do Equador, emoldurado pelo rio Amazonas e que mantém viva a sonoridade herdada dos tambores de Marabaixo, batuque, misturados a ancestralidade indígena e a batida guiano-caribenia. Tive essa ideia e convidei o Ruy para escrever essa obra que é uma contribuição com a memória viva do nosso povo”, explicou.

De acordo com o autor Ruy Godinho, a ideia dessa edição surgiu por meio do convite feito pelo prefeito de Macapá. “O meu trabalho, o ‘Então, foi assim?’, é voltado à música brasileira geral. A ideia surgiu do próprio prefeito Clécio em uma viagem a Brasília, local onde eu moro, me encontrou e fez o convite para a criação de um material específico que pudesse deixar registrada a produção cultural riquíssima feita pelos artistas amapaenses”, revelou.

Ainda segundo o autor, o diferencial desta obra é que, além da biografia musical, parcerias de criação, traz também as origens da música amapaense, como o Marabaixo, o batuque, Movimento Costa Norte, dentre outros precursores da MPA.

 

Spoiler autorizado

Considerada um hino, “Jeito Tucuju”, canção amapaense composta por Val Milhomem e Joãozinho Gomes, também está no livro. A música nasceu da indignação do cantor Val Milhomem com um colega de trabalho que havia falado mal de Macapá e, em desabafo com o parceiro Joãozinho, resolveram, em resposta, criar a canção que demorou quase dois anos para ser finalizada, pois ainda faltava encontrar o último verso da música: “o dom milagroso”.

 

Sessão de autógrafos

Encerrando a programação, o escritor Ruy Godinho atendeu a todos que aguardavam para ter uma cópia do livro autografada. Como a professora Natália Duarte, que falou sobre a importância da obra para a futura geração. “Foi um dia realmente emocionante, conhecer as histórias por traz de cada música. Saber do amor que os artistas carregam por Macapá nos dá um orgulho enorme, e ter esse livro como registro material é necessário para manter essa essência e a tradição de nossas raízes tão importantes para a futura geração. Parabéns ao prefeito Clécio e que venham outros projetos como esse”, comentou.

 

Distribuição

Como foi realizada com recursos públicos, a obra “Então, foi assim?” será distribuída gratuitamente às escolas, universidades e biblioteca central do estado.

 

Sobre o autor

Ruy Godinho é paraense, produtor multimídia, pesquisador, radialista, ator, diretor, escritor e divulgador de MPB. Produz e apresenta o programa Roda de Choro, na Rádio Câmara FM 96,9Mhz (Brasília-DF), desde janeiro de 2003, retransmitido por mais de 240 rádios em todo país. Produz e apresenta o programa radiofônico “Então, foi assim?”, desde 2010, retransmitido por mais de 270 rádios universitárias e comunitárias por todo o país.

É autor da série de livros “Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira, volumes 1, 2, 3 e 4”. É ativo palestrante sobre temas de produção multimídia, História da Música Brasileira, Das Origens da Música Brasileira ao Choro e Os bastidores da Criação Musical Brasileira.

 

Amelline Borges

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