Observatório Popular do Mar promove acesso a informações sobre o mar Amazônico, na costa do Amapá
O Amapá tem um extenso litoral de 2.599 km, sendo a costa amapaense um local de observação privilegiada para o mar amazônico. Além dos municípios que se deparam diretamente com o mar, a influência do oceano e de seus ritmos de maré se estende até 800 km dentro do rio Amazonas, impactando uma vasta área e colocando 88% da população em contato direto com o mar.
O OMARA envolve as comunidades costeiras na observação de fenômenos marítimos porque impactam suas vidas. Salinização dos rios, erosão, acreção e inundações são riscos diretamente relacionados ao mar, às mudanças climáticas e à vida ribeirinha. O projeto pretende auxiliar na tomada de decisões voltadas à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas na região costeira amazônica.
Segundo Janaina Calado, coordenadora do OMARA, uma das maneiras mais evidentes de compreendermos nossa relação com o mar é por meio das marés dos nossos rios. Em nosso estado, dependemos dessas marés para o transporte de pessoas e alimentos, como o açaí, por exemplo. Além disso, a importação e exportação de diversos produtos são facilitadas pelas marés, uma vez que não dispomos de conexões terrestres.
“A identidade do povo amazônida está muito relacionado às florestas e rios. Só que a gente tem uma imensa Amazônia costeira marinha, que ainda é muito pouco conhecida e muito pouco conectada à vida das pessoas. Então o OMARA permite que a gente conecte essas informações, fazendo com que as pessoas se entendam como populações costeiras”, comenta Janaina Calado, coordenadora do projeto e pesquisadora da UEAP.

