Treinamento reforça combate à mosca-da-carambola no Amapá
Um treinamento técnico-operacional voltado ao alinhamento de procedimentos e ao fortalecimento da integração entre equipes que atuam no combate à mosca-da-carambola foi realizado nos dias 29 e 30 de janeiro, no auditório da Embrapa Amapá, em Macapá (AP). A capacitação integrou as ações do Subprograma de Supressão com vistas à Erradicação da Mosca-da-Carambola (Bactrocera carambolae), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
A atividade foi direcionada a engenheiros agrônomos, técnicos em agropecuária e auxiliares de campo da empresa Emops Controle Ambiental Ltda., responsável pela execução do Programa de Supressão nos estados do Amapá e Roraima, e contou com apoio técnico-científico da Embrapa Amapá. O objetivo foi padronizar procedimentos operacionais, alinhar conceitos técnicos e fortalecer a atuação integrada entre coordenação, equipes de campo e instituições parceiras.
Considerada uma das pragas quarentenárias de maior impacto para a fruticultura brasileira, a mosca-da-carambola representa uma importante barreira fitossanitária à exportação de frutas. Sua ocorrência nos estados do Amapá, Roraima e Pará, além do recente registro no Amazonas, amplia o risco de dispersão para outras regiões produtoras, com potenciais prejuízos econômicos, sociais e ambientais.
Durante o treinamento, a Embrapa disponibilizou uma caixa entomológica contendo exemplares representativos da praga, contribuindo para o aprimoramento do conhecimento aplicado das equipes envolvidas nas ações de campo. A programação contou com palestra técnica do pesquisador Ricardo Adaime, da Embrapa Amapá, referência nacional em estudos sobre moscas-das-frutas.
Na abertura do evento, estiveram presentes a chefe-geral da Embrapa Amapá, Cristiane Ramos de Jesus, o superintendente federal de Agricultura no Amapá, Mário Júnior Dias dos Santos, e a gestora do Contrato da Mosca-da-Carambola, Lilian Pastana Monteiro, reforçando a importância da articulação institucional para o enfrentamento da praga.
Ciência como base para enfrentamento de pragas quarentenárias
Em sua apresentação, Ricardo Adaime destacou a ciência como base para o enfrentamento de pragas quarentenárias, a exemplo da mosca-da-carambola. O pesquisador abordou aspectos como classificação taxonômica, características morfológicas, ciclo biológico, diferenciação entre os gêneros Anastrepha, Bactrocera e Ceratitis, origem e dimensão do problema, além dos principais resultados das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa.
Nativa do Sudeste Asiático, a mosca-da-carambola é uma praga invasora na América do Sul, com registros no Suriname, Guiana Francesa, Guiana e Brasil. No país, sua distribuição é restrita aos estados do Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, estando sob controle oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do Subprograma de Supressão com vistas à Erradicação da Mosca-da-Carambola.
Avanço no conhecimento de plantas hospedeiras
Entre os resultados das pesquisas conduzidas pela Embrapa, Adaime destacou o avanço no conhecimento sobre plantas hospedeiras da mosca-da-carambola. Atualmente, são conhecidas 36 espécies hospedeiras, distribuídas em 15 famílias botânicas. Segundo o pesquisador, há duas décadas, quando começaram os levantamentos sistemáticos, apenas três espécies eram registradas, o que evidencia a rápida adaptação da praga a diferentes hospedeiros no Amapá.
Outro destaque foi a publicação de procedimentos técnicos para amostragem de frutos com vistas à determinação de hospedeiros, que orientam ações de fiscalização e controle. As diretrizes incluem critérios como infestação em condições naturais, informações quantitativas sobre níveis de infestação, técnicas de amostragem, identificação dos insetos por especialistas.
O treinamento também abordou a técnica de coleta e destruição de frutos, cujo objetivo é eliminar ovos e larvas por asfixia e alta temperatura. O método consiste na coleta manual de frutos potencialmente infectados no solo e na copa das árvores, acondicionamento em sacos plásticos transparentes e exposição ao sol por sete dias, seguida de enterro ou compostagem. A prática reduz a pressão populacional da praga e aumenta a eficácia de outras estratégias de controle. A equipe de pesquisa da Embrapa Amapá envolvida nos estudos sobre a mosca-da-carambola é formada pelos pesquisadores Ricardo Adaime, Cristiane Ramos de Jesus, Adilson Lima; e pela analista Adriana Bariani.
Fotos: Ricardo Costa —
Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96
Núcleo de Comunicação OrganizacionalEmbrapa Amapá

