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Livros e jogos educativos são criados por professores e estudantes de comunidades da Amazônia

Apaixonada por ensinar e trabalhar comcrianças, a professora Paulenita Batalha Otaviano encontrou uma forma de valorizar a história do território onde mora – a comunidade São Lázaro,localizada no município de Fonte Boa, a 678 quilômetros de Manaus (AM). Com o apoio de vários estudantes, ela liderou a criação do livro infantil “A Históriado Boto”, que surge não apenas como um instrumento de aprendizado sobre olegado local, mas também como um elo para o fortalecimento de vínculos entre aescola e os comunitários.

A ideia surgiu a partir das formações do projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Melhoria do Ensino Fundamental Médio na Amazônia Profunda”, executado pela Fundação Amazônia Sustentável(FAS), com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) e do Movimento Bem Maior (MBM).

Inspirada pelas ações formativas, Paulenita viuna pesca artesanal e nas narrativas do cotidiano dos moradores uma oportunidadede diálogo com os estudantes e de resgate das lendas tradicionais da região.

O livro reúne histórias inspiradas na vivênciade pescadores que convivem com o boto-cor-de-rosa, uma das figuras maisemblemáticas do folclore amazônico.

Sob a supervisão da educadora e de outrosdocentes, os estudantes participaram de todas as etapas do processo criativo,desde as entrevistas com moradores e a escrita das histórias até a produção dasilustrações, feitas em papel fotográfico e coloridas com tinta guache.

Para Paulenita, a experiência contribui paraque as novas gerações conheçam mais profundamente a realidade onde vivem emantenham vivas as histórias transmitidas ao longo do tempo. “Essa experiênciafoi muito significativa, pois me permitiu compreender a importância dopertencimento, da escuta e do cuidado com o outro, valores essenciais notrabalho com a educação infantil”, afirma.

Educação que nasce da floresta

Histórias como a da professora se repetem emoutros territórios amazônicos atendidos pelo projeto da FAS. Na Comunidade doRoque, localizada na Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá, no município deCarauari (a 787 quilômetros de Manaus), o professor Antônio Omar Feitosa deFigueiredo vem transformando o ambiente escolar por meio de práticaspedagógicas que unem teoria, vivência comunitária e contato direto com anatureza.

Sem receios de inovar, Antônio recorre aosGuias de Atividade (GDA) das “Bases do Aprendizado parao Desenvolvimento Sustentável”,com 60 atividades práticas organizadas em dez temas, como Floresta, Tradições,Desenvolvimento Comunitário, Corpo Humano e Poluição. O material possibilita aintegração entre o conhecimento empírico trazido pelos alunos e os conteúdostrabalhados em sala de aula.

Foi com esses ensinamentos que ele e seusalunos criaram o “Jogo da Floresta – O que nos oferece a floresta”, umaatividade realizada ao ar livre, com um percurso montado a partir de toras demadeira numeradas e com imagens de animais da região. Divididos em grupos, osestudantes avançam conforme as instruções sorteadas, aprendendo sobre osbenefícios da floresta em pé, o trabalho coletivo e conceitos relacionados àsReservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e às Áreas de Proteção Ambiental(APA).

O professor também criou, junto a outras duaseducadoras, o GDA “Cântico da Floresta”, inspirada na lenda do uirapuru,pássaro típico da Amazônia. As atividades incluíram vivências culturais ligadasao povo Kokama, como competições de arco e flecha e o preparo coletivo dealimentos tradicionais, como peixe assado e cará cozido.

“Tudo isso foi tirado do livro da FAS ecolocado em prática, em meio à natureza. Por isso, ressalto o quanto a Fundaçãotem sido importante para o bom desenvolvimento das atividades e para ofortalecimento da educação nas comunidades ribeirinhas”, ele comenta.

Mais sobre o projeto

O projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras” jáimpactou mais de 1.185 educadores em onze municípios do interior do Amazonas.Eles participam de ciclos de formação continuada que estimulam a atualização deconhecimentos e o aprendizado de novos métodos e metodologias de ensino.

Fabiana Cunha, gerente do Programa Educaçãopara a Sustentabilidade da FAS, enfatiza que iniciativas que aproximam oconteúdo escolar da realidade dos territórios ampliam o impacto do aprendizadoe transformam a relação dos estudantes com suas comunidades.

“Quando a educação dialoga com o território,ela se torna mais significativa. O projeto apoia educadores para que o ensinovalorize a cultura local, a floresta e as vivências dos estudantes.Experiências como essas mostram como a escola pode fortalecer o pertencimento eo cuidado com o futuro da Amazônia”, afirma.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é umaorganização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelodesenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para aconservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações daAmazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

Sobre o Movimento Bem Maior

O Movimento Bem Maior (MBM) é uma organizaçãosocial que reúne investidores, organizações sociais e uma rede de parceiros como objetivo de construir um Brasil com mais equidade e dignidade para todos. Pormeio da filantropia estratégica, o MBM mobiliza recursos financeiros e investeem ideias, projetos e iniciativas que multiplicam o impacto positivo eimpulsionam o desenvolvimento sustentável do País. Saiba mais:movimentobemmaior.org.br.

Sobre o BNDES

Ao longo de seus 74 anos de história, o BNDEStem sido o principal instrumento do Governo para promover investimentos delongo prazo na economia brasileira, além de ser um dos principais financiadoresde micro, pequenas e médias empresas do País. O Banco tem importante atuaçãoanticíclica em momentos de crise, como um dos formuladores das soluções para aretomada do crescimento da economia. Atualmente, o BNDES também atua com focona criação e manutenção de empregos, na melhoria dos serviços públicos do Brasil,como educação, saúde e saneamento, além de apoiar o País na transição justapara uma economia neutra em carbono. O Banco tem como propósito transformar avida de gerações, promovendo o desenvolvimento sustentável.

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