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Aluno da EJA fatura três medalhas em campeonato de atletismo em Recife

Jocivaldo Farias Ferreira, 33 anos, é aluno especial da 2ª etapa da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Jardim Felicidade e se tornou símbolo de superação. Ele é paratleta, deficiente visual e medalhista no Circuito Caixa de Atletismo Etapa Norte/Nordeste, ocorrido em Recife, no período de 26 de fevereiro a 1º de março, trazendo para Macapá duas medalhas de bronze, em arremesso de dardo e peso, e uma de prata na competição de arremesso de disco.

Ele integrou a delegação amapaense composta por 14 paratletas, que faturou o total de 26 medalhas, sendo 10 de ouro, 11 pratas e cinco bronzes, em diversas modalidades. Jocivaldo é medalhista pelo segundo ano consecutivo. Em 2014 ele também conquistou medalha de bronze, na modalidade dardo. E o objetivo dele é chegar à medalha de ouro. “Estou treinando, tenho meu treinador e sei que posso melhorar. Ano que vem estarei mais preparado ainda e vou à busca do ouro. Não é fácil, mas vou conseguir, assim como aprendi a ler e escrever em braile, vou me superar mais”.

Não é fácil mesmo. Para não perder os treinos, Jocivaldo conta com a ajuda de uma sobrinha e de um amigo para pegar ônibus do bairro Jardim Felicidade para a Unifap, onde ocorrem os treinos. De acordo com o treinador, Marlon Gomes, foi celebrada parceria com a universidade, que a partir deste semestre disponibilizará transporte aos atletas, mais professores e material esportivo. “O Jocivaldo, como todos os nossos atletas especiais, tem suas dificuldades, mas é muito disciplinado e participativo. Ele é um dos que se beneficiarão com o transporte, o que facilitará muito a vida dele”, conta o treinador da Associação de Esporte para Pessoa com Deficiência (AAEPED).

Do esporte paralímpico para a sala de aula. Jocivaldo frequenta a turma normal da EJA, no turno da noite, e a tarde tem o acompanhamento especial de uma professora, que se dedica exclusivamente a ele. “Rapaz dedicado, aplicado, já lê e escreve em braile, é muito esforçado em tudo o que faz, por isso nos orgulhamos dele”, elogia o diretor da Escola Jardim Felicidade, Queiroz Júnior.

As limitações físicas e o talento no esporte são testes diários na vida de Jocivaldo. “O médico explicou que minha deficiência visual é genética, porque minha mãe casou-se com um primo dela. Nasceu eu e o meu outro irmão cegos (o irmão também sofreu de outras complicações e faleceu). Éramos seis irmãos. Mas eu venho para a escola sozinho, ando só na rua, faço minhas coisas, sou independente, quando não consigo, peço ajuda, mas vou superando. Ainda quero ser professor”, finaliza ele, sonhando com o ofício de ensinar outras pessoas a, assim como ele, não se tornarem reféns de suas dificuldades físicas.

Texto e fotos: Rita Torrinha/Asscom PMM

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