Astrônomos observam uma galáxia no fim de sua vida pela primeira vez

Daniele Cavalcante

Astrônomos observaram, pela primeira vez, uma galáxia em seus últimos estágios de vida — e fizeram isso por acaso. Ao usar o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para estudar as propriedades do gás frio em galáxias distantes, a equipe encontrou evidências de que a galáxia ID2299 está perdendo uma grande quantidade do gás necessário para formar novas estrelas.

Localizada a cerca de 9 bilhões de anos-luz de distância, a ID2299 já perdeu quase metade de seu gás de formação estelar, através de uma ejeção equivalente a 10 mil sóis por ano. Todo esse gás está sendo “jogado fora” em direção ao espaço intergaláctico, ou seja, para longe da galáxia. Os pesquisadores estimam que cerca de 46% do gás frio existente na ID2299 já se perdeu. Além disso, a galáxia está formando algumas estrelas muito rapidamente, ou seja, o gás restante será rapidamente consumido.

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De acordo com a pesquisa, o gás restante da galáxia pode durar algumas centenas de milhões de anos — um piscar de olhos em termos cósmicos. Sem esse gás, novas estrelas não poderão se formar por lá. Mas como isso aconteceu? A equipe sugere que o processo de perda do gás é resultado de uma colisão entre duas galáxias. Se a hipótese estiver correta, a descoberta pode mudar a forma como astrônomos compreendem a evolução das galáxias.

A maior parte dos pesquisadores consideram que os principais responsáveis pela perda de gás em uma galáxia são os buracos negros e os ventos causados pela formação estelar. Entretanto, o novo estudo publicado na Nature Astronomy mostra evidências de que uma fusão de duas galáxias formou a ID2299 e, por consequência, causou a ejeção do gás frio para o espaço intergaláctico.

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