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Pesquisador vê relação entre deslizamento no Himalaia e aquecimento global

Vinícius Tadeu

Operações de resgate continuam após uma geleira ter se soltado e provocado a ruptura de uma barragem na Índia . As autoridades estimam que até 150 pessoas tenham morrido; 7 corpos foram encontrados. Em entrevista para a CNN, o pesquisador ambientalista Carlos Ritt, visitante do Instituto de Estudos Avançados em Sustentabilidade, que fica em Potsdam, Alemanha, relacionou o caso ao aquecimento global.

“As pesquisas mostram que em função do aquecimento global, a velocidade de derretimento das geleiras na cadeia do Himalaia dobrou a partir do ano 2000, do início desse milênio, do início desse século. Então, existe um derretimento mais acelerado em regiões muito montanhosas. Na região do Rio Ganges, onde rompeu-se esta barragem, há muitos projetos hidrelétricos. Na bacia deste rio onde houve o rompimento, em função da descida das geleiras, você tem pelo menos outros treze projetos”, explica.

Ritt diz que em função do aquecimento global, cientistas e ambientalistas têm alertado que os projetos de hidrelétricas necessitam ser repensados por questões de segurança. “Existe, inclusive, uma estimativa que em torno de 8 bilhões de toneladas de neve sejam perdidas a cada ano”, destaca.

Carlos Ritt explica que a área atingida é muito ampla e com relevo acidentado. Portanto, o trabalho de resgate e localização dos corpos será muito demorado. “A gente vê imagens de pessoas se descolando com cuidado, descendo cordas, mas é necessário muitas vezes um trator, uma retroescavadeira para remover grande quantidade de lama e resíduos porque a geleira derretou, mas levou abaixo parte da estrutura da barragem, muita lama, muitas pedras, então tudo isso precisa ser removido para que seja possível encontrar as vítimas. É um trabalho bastante delicado e muito difícil em uma regiã ode relevo muito acidentado”.

Efeito estufa
O Diretor do Instituto de Biociência da USP, Marcos Buckeridge, relacionou a tragédia que aconteceu neste domingo (7) no Himalaia, na Índia, com o desastre em Brumadinho em 2019. Ambas foram provocadas por rupturas de barragem.

“O grande problema é que quando isso ocorre próximo a populações humanas, ele causa desastres. Neste caso, um desastre inclusive que lembra muito Brumadinho. Os efeitos são bastante parecidos, apesar da origem ser diferente”.

Buckeridge afirma que há anos os ambientalistas vêm se dedicando a estudar e alertas as autoridades sobre os riscos. Até mesmo em relação ao derretimento da Cordilheira dos Andes já existem pesquisas.

Veja mais no site da CNN

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