Amapá

Incêndios no Amapá: fumaça e seca elevam riscos à saúde

Ibama registrou 124 acionamentos entre julho e setembro. Estiagem e El Niño aumentam a preocupação com incêndios florestais e seus impactos na população.

O Amapá enfrenta um período de atenção redobrada aos incêndios florestais. Entre julho e setembro de 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou 124 acionamentos para combate ao fogo no estado. O cenário de estiagem, associado à intensificação do fenômeno El Niño, aumenta a preocupação com a propagação das chamas e os riscos da fumaça à saúde da população.

Os dados fazem parte de um balanço parcial do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), divulgado no início de outubro. Os municípios de Tartarugalzinho e Amapá estão entre as áreas de maior incidência de focos de incêndio.

Além dos danos à vegetação e à fauna, as queimadas podem comprometer a qualidade do ar e provocar problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.

Tartarugalzinho e Amapá: áreas de maior atenção

Segundo as informações divulgadas pelo Ibama, 60 brigadistas atuam na prevenção e no combate aos incêndios florestais no Amapá. As equipes estão distribuídas pelos municípios de Oiapoque, Laranjal do Jari, Tartarugalzinho e Amapá.

Uma das situações que exigem atenção ocorre na Reserva Biológica do Lago Piratuba, no município de Amapá, onde há registros de fogo subterrâneo.

Esse tipo de incêndio pode atingir camadas de matéria orgânica acumuladas no solo, dificultando sua identificação e extinção. Em determinadas condições, o fogo permanece ativo abaixo da superfície e pode voltar a atingir a vegetação.

A superintendente do Ibama no Amapá, Débora Thomaz, alertou para a necessidade de evitar práticas que possam provocar novos incêndios, como a queima de lixo em quintais e terrenos.

A orientação é que a população comunique rapidamente os sinais de incêndio às equipes responsáveis pelo combate.

Fumaça das queimadas representa risco à saúde

A fumaça produzida pela queima da vegetação contém gases e partículas microscópicas que podem atingir o sistema respiratório.

Entre os principais poluentes está o material particulado fino, conhecido como MP2,5, formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar profundamente nos pulmões.

Segundo o Ministério da Saúde, a exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças como asma e bronquite.

A poluição atmosférica também está associada ao aumento do risco de problemas cardiovasculares.

Os efeitos dependem de fatores como a concentração de poluentes, o tempo de exposição e as condições de saúde de cada pessoa.

Embora os incêndios estejam sendo monitorados no Amapá, os dados disponíveis não permitem afirmar que todos os municípios estejam enfrentando níveis elevados de poluição atmosférica.

El Niño pode prolongar os efeitos da estiagem

O fenômeno El Niño é outro fator acompanhado pelos órgãos ambientais e meteorológicos.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno interfere na circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil.

Na Amazônia, seus efeitos podem favorecer períodos de estiagem, temperaturas elevadas e redução da umidade, criando condições para que incêndios se espalhem com maior facilidade.

Boletim divulgado em 1º de outubro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta a intensificação do El Niño e a necessidade de acompanhar seus possíveis impactos durante o último trimestre de 2026.

O fenômeno, entretanto, não provoca diretamente todas as queimadas. O uso inadequado do fogo em atividades humanas continua sendo um fator importante para a ocorrência de incêndios na região.

Amapá amplia monitoramento de incêndios

Em meio à estiagem, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) aderiu ao Sistema Nacional de Informações sobre Fogo (Sisfogo), plataforma que reúne dados sobre incêndios florestais e práticas de manejo do fogo.

O sistema permite organizar informações para apoiar ações de prevenção, fiscalização e resposta às ocorrências.

O estado também utiliza o Painel do Fogo Amapá, ferramenta que acompanha os 16 municípios com atualizações a cada 15 minutos.

A plataforma combina informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), imagens de satélite e recursos de inteligência artificial para identificar focos de calor e áreas que exigem atenção.

Segundo informações divulgadas em 14 de outubro, o Amapá encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima o levantamento de áreas prioritárias para prevenção e combate aos incêndios.

As medidas integram o planejamento ambiental, mas a redução efetiva das ocorrências dependerá da aplicação das ações preventivas, da fiscalização e da capacidade de resposta às emergências.

Como se proteger da fumaça?

O Ministério da Saúde orienta que a população adote cuidados para reduzir a exposição à fumaça durante períodos de queimadas.

Entre as recomendações estão:

  • Evitar exercícios e atividades físicas intensas ao ar livre quando houver fumaça.
  • Permanecer, sempre que possível, em ambientes internos protegidos da poluição.
  • Beber água regularmente para manter as vias respiratórias hidratadas.
  • Utilizar máscaras PFF2, N95 ou P100, corretamente ajustadas, quando for necessário sair em áreas afetadas.
  • Evitar consumir alimentos e bebidas expostos a cinzas e resíduos das queimadas.
  • Manter disponíveis os medicamentos prescritos para doenças respiratórias e cardiovasculares.
  • Procurar atendimento médico diante de falta de ar, dor no peito ou agravamento de sintomas.

Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem receber atenção especial.

Prevenção também depende da população

Durante o período seco, atitudes como queimar lixo doméstico, folhas e resíduos vegetais podem provocar incêndios de maiores proporções.

O fogo também ameaça propriedades rurais, áreas de produção agrícola, comunidades tradicionais e unidades de conservação.

A prevenção envolve evitar queimadas irregulares, acompanhar os alertas ambientais e comunicar rapidamente as ocorrências aos órgãos competentes.

O acompanhamento dos incêndios no Amapá ganha importância diante da possibilidade de continuidade da estiagem e dos impactos climáticos previstos para os próximos meses.

Além da proteção da biodiversidade amazônica, o controle do fogo é uma medida de prevenção de danos à saúde e à qualidade de vida da população.

Fontes: Ibama/Prevfogo, Ministério da Saúde, Cemaden, Sema

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