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Revisão do Plano de Manejo da Reserva do Iratapuru entra na fase final

Oficinas participativas seguem até 11 de novembro, em Laranjal do Jari, com propostas para conciliar conservação ambiental, extrativismo e modos de vida das comunidades tradicionais.

A revisão do Plano de Manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, no sul do Amapá, entrou na última etapa nesta sexta-feira (6). As oficinas participativas acontecem em Laranjal do Jari e seguem até quarta-feira (11), reunindo moradores, representantes de comunidades tradicionais, conselheiros e instituições parceiras.

Coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), a iniciativa busca atualizar as diretrizes de gestão da unidade de conservação, considerando a proteção da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e as atividades econômicas desenvolvidas pelas famílias que vivem na região.

Durante os encontros, os participantes apresentam experiências, conhecimentos tradicionais e percepções sobre as transformações no território. As contribuições serão utilizadas na elaboração de propostas para o planejamento e a gestão da reserva.

Comunidades participam das decisões sobre o território

A participação dos moradores é uma das etapas centrais da revisão. O objetivo é incorporar ao documento as necessidades das comunidades que dependem diretamente da floresta, especialmente aquelas ligadas ao extrativismo e ao aproveitamento de produtos da sociobiodiversidade.

Entre as atividades consideradas está a coleta da castanha-do-brasil, importante fonte de renda para famílias extrativistas da região.

Segundo a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça, o diálogo com as comunidades é necessário para que as decisões sobre a reserva estejam relacionadas à realidade local.

“Ouvir as comunidades é fundamental para construir instrumentos de gestão que respeitem a realidade do território e fortaleçam a conservação da biodiversidade”, afirmou.

A chefe da unidade de conservação e analista ambiental da Sema, Maíria Lopes, também destacou a importância dos conhecimentos tradicionais no processo de planejamento.

“As comunidades são parceiras fundamentais nesse processo e desempenham um papel essencial como guardiãs do território”, ressaltou.

Extrativismo e conservação ambiental

A revisão do Plano de Manejo também considera estratégias para conciliar a preservação da floresta com a geração de renda das famílias.

Na RDS do Rio Iratapuru, atividades como o extrativismo e o aproveitamento sustentável de recursos naturais fazem parte da economia e da organização social das comunidades.

Moradora da reserva, Cleiciane Marques destacou que a participação nas oficinas permite aos extrativistas contribuir diretamente com as decisões sobre o futuro da unidade.

“Como extrativistas e monitores, sabemos que nosso trabalho ajuda a manter a floresta em pé, proteger a natureza e gerar renda para nossas famílias”, declarou.

As discussões também buscam valorizar os conhecimentos tradicionais e estabelecer orientações para o uso dos recursos naturais, respeitando as características ambientais e sociais da região.

Plano atualizado será apresentado em novembro

Após a conclusão das oficinas, as propostas apresentadas pelos participantes serão sistematizadas e incorporadas à versão atualizada do Plano de Manejo.

A previsão é que o documento seja apresentado ao Conselho Gestor da reserva no dia 25 de novembro.

O Plano de Manejo é um instrumento de planejamento que estabelece o zoneamento, as normas de utilização dos recursos naturais e as diretrizes para a administração de uma unidade de conservação.

Na RDS do Rio Iratapuru, sua atualização deverá orientar as ações de proteção ambiental e as atividades permitidas no território, buscando compatibilizar a conservação da biodiversidade com os modos de vida das comunidades tradicionais.

Reserva possui reconhecimento internacional

A RDS do Rio Iratapuru integra a Lista Verde da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), iniciativa internacional que reconhece áreas protegidas que atendem a critérios de qualidade na gestão e na conservação ambiental.

O reconhecimento está relacionado às práticas de governança, planejamento e proteção dos ecossistemas adotadas na unidade.

Além da revisão do Plano de Manejo, a reserva conta com um Plano de Proteção aprovado, instrumento voltado ao fortalecimento das ações de conservação e monitoramento ambiental.

A atualização das regras de gestão representa uma nova etapa para a unidade, cuja conservação está diretamente relacionada à manutenção da biodiversidade amazônica e às atividades sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades locais.

Fonte: Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (Sema/GEA).

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