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Educação indígena tem espaço garantido no debate na I Jornada Pedagógica Internacional

“Educação indígena: concepções e práticas” foi o tema de debate da mesa redonda que reuniu o professor da Escola Indígena Aramirã, em Pedra Branca do Amapari, Evilázio Pereira, a professora Ivone Nunes Guidão (da Secretaria de Estado da Educação – Seed) e o professor doutor e presidente do Sindicato Municipal de Educação, Waldiney Lopes, na I Jornada Pedagógica Internacional. Eles fizeram uma reflexão sobre a situação atual dos povos indígenas do Amapá e enfocaram a aplicabilidade da Lei 11.645, que determina que no currículo de educação básica de todo o Brasil deve ser veiculado o conhecimento sobre a história e a cultura afro-brasileira e indígena.

Evilázio foi o primeiro a falar e compartilhou suas experiências como professor na Escola Indígena Aramirã. Ele é indígena e sabe bem as necessidades de seu povo. “Professores têm momentos de muita dificuldade, mas também de muitos valores aprendidos, e este momento hoje é ímpar. Além do meu trabalho na minha comunidade, nós, professores índios, temos a missão de ajudar nossa população a divulgar o trabalho deles para que seja reconhecido. E falar para um público de professores, em um auditório lotado, é muito satisfatório, porque sei que se conseguirmos tocar o coração de alguns, já faz a diferença. O importante é que eles se conscientizem de que nossa história tem que ser repassada dentro de sala de aula, e falo da história dos índios do Amazonas e do Amapá”, destacou o professor.

Dando continuidade à palestra, a professora Ivone abordou a educação do Parque do Tumucumaque. Representante também da educação indígena na Seed, ela enfatizou sobre a Legalidade da Educação Escolar Indígena no Brasil, as demarcações de suas terras, a língua materna dos povos indígenas, o processo de aprendizagem e a proteção que o Estado prevê aos indígenas – direitos esses conquistados e garantidos na constituição.

O professor Waldiney Lopes complementou de maneira rica as garantias legais desses direitos, definindo o funcionamento das leis, as resoluções e as diretrizes. “Os princípios da educação indígena são específicos, diferenciados, intercultural, bilíngue e comunitária, própria de cada comunidade indígena, além de suas especificidades, para compor o Projeto Político Pedagógico próprio, com regimento próprio, sistemática de avaliação, professores indígenas habilitados, currículo indígena. É preciso se trabalhar uma matriz que não considere apenas o currículo em si, mais o currículo indígena como parte significante, de qualidade, que faca diferença em todo esse processo de educação”.

O professor Evilázio Ribas, com experiência nas aldeias Waiãpi, referenciou esses povos pelo grande conhecimento e a larga experiência no processo de conquistas, do seu jeito próprio de viver e da lembrança de ser um povo. “A escola precisa ser um processo de mudança, o indígena é um povo único, mas com desavenças históricas, por isso se faz necessária a intervenção da escola”.

“Há uma distância muito grande do que existe de teoria, concepção e filosofia, do que ocorre na prática. A Lei 1.1645 determina que no currículo da educação básica de todo o Brasil deve ser veiculado o conhecimento sobre história e cultura afro-brasileira e indígena. Estamos refletindo sobre a aplicabilidade dessa legislação que precisa acontecer de forma mais consistente, e não mais de forma tímida. Esta atuação da Semed, realizando esta jornada, é muito importante porque leva os professores a parar para discutir acerca da temática educação para os povos indígenas”, concluiu o professor Waldiney Lopes.

Rita Torrinha/Asscom Semed

Contato: 99189-8067

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