Bebês que comem alimentos sólidos a partir dos 3 meses dormem melhor

Além de melhorar o sono, uma alimentação que combina leite materno e alimentos sólidos diminui a irritabilidade do bebê

Um novo estudo acaba de mostrar que contrariar as recomendações de idade mínima para a introdução de comidas sólidas na alimentação do bebê pode ser uma boa ideia. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças de até seis meses de idade recebam exclusivamente leite materno. No entanto, uma pesquisa publicada na segunda-feira, no periódico científico JAMA Pediatrics, mostrou que crianças de apenas três meses de idade que recebem alimentos sólidos – além do leite materno – dormem melhor.

O estudo, conduzido por pesquisadores das universidades King’s College e Saint George, ambas na Inglaterra, mostrou que houve uma redução de 50% na incidência de problemas de sono dessas crianças, incluindo choro e irritabilidade. As diferenças nos padrões de sono se tornaram ainda mais evidentes a partir dos seis meses de idade. Lembrando que essa mudança se reflete em uma melhora na qualidade de sono de toda a família.

Alimentação versus qualidade do sono
Para chegar a essa conclusão os pesquisadores acompanharam 1.303 bebês, separados em dois grupos: crianças que passaram a comer alimentos sólidos aos três meses (junto com o leite materno) de idade; e bebês que só receberam esses alimentos a partir dos seis meses.

Os resultados mostraram que aos seis meses de idade, os bebês que recebiam alimentos sólidos desde os três meses dormiam cerca de 16 minutos a mais por noite (quase duas horas a mais por semana) e acordavam com menos frequência (1,74 vez por noite contra duas vezes por noite).

Além disso, o primeiro grupo registrou metade da incidência de problemas de sono, como choro e irritabilidade em comparação com o segundo. Michael Perkin, da Universidade de Saint George, ressaltou que as diferenças entre os grupos analisados foram pequenas, mas refletem em vantagens para os pais. “Considerando que o sono dos bebês afeta diretamente a qualidade de vida dos pais, até uma pequena melhora pode trazer benefícios importantes”, disse à BBC.

Uma das hipóteses para explicar essa associação entre alimentação e qualidade do sono é que os bebês que recebem alimentos sólidos precocemente estão mais saciados e regurgitam menos. “Nós acreditamos que a explicação mais provável para a melhora na qualidade do sono é que esses bebês têm menos fome”, disse Gideon Lack, professor de alergia pediátrica na King’s College e coautor da pesquisa.

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